Arquivo para o ano: 2014

Sem fio e sem pressa.  

Art 643 - Sem fio e sem pressa

 

Uma contradição interessante dos dias de hoje é que estamos cada vez mais cercados de pessoas, cada vez mais conectados a todos e cada vez mais solitários. Vivemos com acesso a redes sociais, aplicativos de mensagens instantâneas e com acesso a comunicação por voz, vídeo e texto, e seguimos cada vez com menos tempo.

Parece que ter todos e todas as formas de comunicação ao alcance dos dedos tem nos afastado cada vez mais de uma vida com mais qualidade e mais profundidade.

E parece que não são somente nossos dias que estão piores, os negócios sofrem com isso também.

Um caso emblemático aconteceu em Nova York, neste ano, em um restaurante popular e com muitos anos de mercado e grande experiência. Ele começou a experimentar perdas em suas receitas e não conseguia descobrir o que estava acontecendo.

Com a ajuda de um especialista de marketing (tinha que ser um cara de marketing, é claro! risos) perceberam que o número de clientes não havia subido, mas se mantido, mas o serviço estava cada vez mais lento, mesmo com mais funcionários e com a redução do cardápio. Reclamações surgiam dos clientes que tinham que esperar por uma mesa, não pelos clientes em atendimento. Os números históricos do restaurante não davam pistas evidentes do que aconteciam, então recorreram aos sistemas de vídeo do restaurante, buscando ver comportamento de funcionários.

Para o estudo compararam vídeos de 10 anos atrás com atuais. A performance do restaurante parecia a mesma, no que se referiam a quantidades de clientes confirmando a integridade dos números, então o que estava acontecendo?! Quando se foi ver o número de pedidos de mudanças de mesas, esses haviam quase triplicado. O tempo para o pedido ao garçom havia subido de 8 para 21 minutos e o tempo de uso do garçom para assuntos que não se referiam ao serviço nato, subiu de zero para 5 minutos em média.

Por que tantas mudanças? Tudo graças à Internet. Pedidos de mudança de mesas, adiamento no pedido e os cinco minutos com o garçom se deram em função de dificuldade de sinal de Internet, uso do celular antes de olhar o cardápio e dúvidas na conexão Wi-Fi, respectivamente.

E os problemas não paravam por aí, quanto mais complexo o pedido, mais os clientes pediam ao garçom para tirar fotos, e muitos novas fotos, pois não haviam ficado satisfeitos com a foto inicial, e ainda tiravam selfies, o que atrasava o tempo na mesa em mais 7 minutos em média, mais atrasos e reserviços causados por pedidos de reaquecimento de pratos na cozinha, devido ao tempo perdido com fotografias, análise e postagens.

Terminada a refeição os clientes gastavam em média mais 20 minutos na mesa com seus dispositivos, tempo que não era gasto 10 anos antes, quando não havia distrações no restaurante, e em média mais 15 minutos após o pagamento da conta.

E engana-se que paravam aqui os atrasos e problemas, dos 45 clientes analisados, 8 ainda trombaram com mesas, garçons ou clientes enquanto saiam do restaurante, pois digitavam enquanto caminhavam, gerando perdas e desgastes.

Deste modo o tempo médio subiu de uma hora para duas horas, reduzindo drasticamente o giro sem gerar incremento na receita. Tudo por razões aleatórias à gestão.

Assim esse caso não é uma resposta ao dilema comum em alguns estabelecimentos sobre colocar ou não um serviço de Wi-Fi para seus clientes, mas um alerta sobre a necessidade de adaptar-se à tudo isso e gerar controles sobre os impactos das mudanças de comportamento sobre a gestão dos negócios.

Clientes sem fio e sem pressa podem gerar fornecedores sem dinheiro e sem futuro. Mais um problema para gerenciar. Vou digitar no Google e procurar uma resposta…

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunica.

Estética mortal

Art 642 - Estética mortal

 

 

Vivemos sob a ditadura do consumo e sobre o totalitarismo da beleza. Nada é mais difundido, exigido ou mais massacrante do que a necessidade de beleza e suas consequências. A busca de um padrão estético que não é seu ou meu, mas de terceiros, é a grande caminhada de nossa humanidade e maratona é ter dinheiro para comprar tudo isso.

A cada semana novos e escandalosos casos de mortes ou problemas sérios, sejam eles em mesas improvisadas de cirurgia com falsos especialistas, em prontos-socorros, com produtos de uso industrial, sem prescrição, sem liberação da Anvisa ou em doses absurdas acontecem. Os problemas não param, alcançam dietas milagrosas, bulimia e outros tantos horrores como os de ordem psicológica, tudo porque nossa sociedade cultua a estética acima de qualquer outro valor.

Inteligência, bondade, honestidade, saúde… nada é mais potente que beleza. Assim nossa sociedade constrói os heróis sempre bonitos, eles sempre ficam com a mocinha, o bonito é quem anuncia o produto, é quem ganha a torcida ou acaba sempre com o final feliz nos filmes. Até, quando o jornal mostra que um bonito morreu, o coro do “que pena” se fortalece.

Esse é o maior de todos os bullyings, o maior racismo vigente, o maior preconceito de todos. Nossas crianças estão sendo massacradas por propagandas que exigem estética, que semeiam que as oportunidades só acontecem para as bonitas, para roupas que só vestem “gostosas” e “sarados” e por brinquedos como “Barbies magrelas” focados em cosmética e autoimagem.

Nada contra magrelas ou gorduchas, o que está errado é criar um conceito que iguala a todos num único saco de gatos e nos promove a serem estéticos e não mentais, espirituais, sentimentais etc. Este truque faz com que todos corram buscando esta estética e jamais acharam, mas muito dinheiro vai rolar e o mercado precisa disso.

Na sociedade das selfies aonde por nada todos se autofotografam e disputam elogios estéticos a indústria da beleza determina e sentencia a todos a pertencer a um dos dois e opostos grupos: egocêntricos bonitos e o resto.

A beleza de ter sua própria idade virou vergonha e meninas de 10 anos já acreditam que são imperfeitas (o que é fato, afinal todos somos) e acreditam ainda que isso é uma maldição, acreditam estar marcadas para jamais serem amadas, desejadas, queridas porque seus seios são maiores ou menores, suas coxas são mais ou menos, ou seus cabelos têm ou não tem, e seus espelhos só mostram defeitos e a competitividade com a colega de sala, a menina da revista e amiga da mãe só a frustra e transborda e sobrepõe a amizade e a esperança.

Enganar a idade, enganar a genética, enganar a si, vamos enganando a vida, seu propósito, e nos esquecemos que estética não permite enganar a morte.

As pessoas parecem tão preocupadas com a imagem que tem de si que esquecem ou simplesmente já não importa a imagem que projetam para os outros. A beleza é ótima para os negócios, mas não para as pessoas.

Aprecio o belo, mas não consigo concordar com uma sociedade que promove a beleza acima da boa vontade, educação, conhecimento, honestidade etc. e não acredito que é a beleza pela beleza, mas sim que é a beleza como negócio.

Pessoas morrem em nome da beleza, quando o que há de mais belo é viver. Pessoas passam a vida em busca de uma beleza de si e esquecem que a beleza está em viver a vida. Pessoas dedicam mais dinheiro e tempo à beleza que ao espírito, a família ou ao conhecimento… e ainda dizem que a mídia não tem poder…inocentes!

Claro que a mídia potencializa o Narciso que mora e vive dentro de nós, mas esse instinto tem que ser vencido pela fantástica experiência que é viver. Neste fim de ano, espero que mais pessoas projetem para o próximo ano metas para si, para sua saúde, para coisas, itens ou serviços, que sejam, para tudo que faz de nós conteúdo, menos foco naquilo que faz de nós embalagem, e sobre tudo que não morram em nome de uma estética duvidosa e impessoal. Espero que em 2015 as pessoas lembrem que morrer é feio e beleza é algo pessoal, é de cada um.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunica.

 

 

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Desejo segmentado.

Art 641 - Desejo segmentado

 

É natal tempo de amor, esperança…. tempo de consumo?

Não sou eu que estou dizendo, mas marcas, consumidores, crianças… todos querem ganhar!

Cada vez mais a roda gira e girando leva tudo a sua frente, esmaga cada vez mais o consumidor na direção do desejo, do ter, no foco do querer e no peso da frustração por não possuir.

Mais que luzes piscando, piscam os olhos ao verem itens que se tornaram indispensáveis, não para o dia a dia, mas para a felicidade. Ter é ser, e ninguém mais parece ser se não tiver.

Conjugar verbo em dezembro é: eu desejo, você me dá, ele me presenteia. Nós recebemos, vocês me satisfazem, eles me fazem feliz.

Curioso como o marketing conseguiu segmentar o desejo, ou seja, criou camadas, fatias, dividiu e agrupou consumidores em patamares de consumo e de desejo, criando como verdade algo que é pura mentira e faz cada um de cada um nós focarmos em itens que quase podemos ter e assim, mantém a roda girando, esmagando etc.

Um sonha com seu carrinho de brinquedo, outro com seu primeiro carro usado – 1980, outro sonha com seu popular zero, outro quer seu sedan luxo e há quem queira sua Ferrari sob encomenda. Cada um se frustra ou sonha com aquilo que é alcançável ou que tem relevância e significado no ambiente social em que vive.

Jean Baudrillard, um pensador francês, já falecido, que sou fã, dizia que os objetos possuíam além de seu valor de uso e de troca, um valor de signo, valor esse que era determinante nas práticas de consumo, e também considerava bastantes danosas tais práticas.

Deste modo os objetos tem referência a cada sociedade e cada classe desta sociedade. Um carro com um equipamento ensurdecedor de som tem resonância em determinada classe social, em determinada idade, em determinado tempo social, e pode ter mais significado do que o próprio carro que o carrega. Assim o que seria um constrangimento para mim, desfilar num carro com o som aos berros, incomodando a todos, pode e é o sonho de consumo de outro, porque em seu círculo social há admiração, há significado positivo tal comportamento.

Deste modo o mercado cria soluções, felicidades e frustrações para cada bolso, vontade, tempo social e realidade. A roda não para jamais.

Em tempo de natal a publicidade explode e foca na recompensa do “você merece”, trabalha cuidadosamente a perspectiva do “você deseja”, e cria estereótipos capazes de fazer você se ver no comercial, na novela e na revista aonde tais objetos ganham seus signos e produz em você, em mim, em nós o sentimento da felicidade que pode ser alcançada, comprada. Quase se pode ler ou ouvir nos comerciais: Leve felicidade agora e pague só depois do carnaval!

Não há novidade em tudo isso, mas existe um agravamento de tudo isso. Cada vez mais o mercado nos torna mais impessoais, mais manipuláveis e menos críticos. Crianças estão sendo criadas por canais infantis com publicidade bem crescida e agressiva, e cada vez mais sozinhas e sem quem as diga que felicidade não pode ser comprada em 10 vezes sem juros e que cartão de crédito não é um troço mágico que atraia coisas que saem de graça. Essas crianças estão olhando cada vez mais para o natal e para vida, como algo de prateleira, e a continuar assim não saberão jamais o que realmente é felicidade. Trabalharão para comprar e terão que trabalhar ainda mais para comprar mais, sempre em busca de felicidade.

Felicidade é o que move tudo, essa é a resposta que todos concordam. Abra uma Coca-Cola e abra felicidade… diz o slogan. No passado o caminho para a felicidade variava, mudava de um indivíduo para o outro, mas o consumo cada vez mais unifica o conceito de felicidade dentro de si, ou seja, comprar é a solução, o que comprar é que muda. A segmentação daquilo que nos faz feliz, parece resolver todos os problemas, é só escolher o que cabe no seu bolso, tem desde o carrinho de brinquedo a Ferrari.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunica.

Pose de rico, vida de pobre!

Art 640 - Pose de rico

 

Feriado é tudo de bom. Os feriados funcionam como quebras de rotina e, é indiscutível o aspecto de que sejam muito bons para diversos segmentos diferentes, como turismo, gastronomia, automóveis e até o consumo tem bons momentos de venda, mas será mesmo um bom negócio para todos?

A primeira coisa depende de qual seja seu destino turístico, pois enquanto alguns destinos lotam, outros ficam as moscas, assim seu restaurante pode não vender nada. O segundo aspecto é questionar quem paga a conta, pois para cada dia não trabalhado alguém ou “alguéns” pagam a conta.

Com leis trabalhistas antiquadas que oneram o empregador, feriados impactam sobremaneira no custo de se ter um trabalhador, visto que este recebe e não trabalha. Tal custo é repassado na diminuição do valor deste trabalhador, no aumento do custo do produto/serviço ou ainda na redução da capacidade de investimento do negócio. Nos Estados Unidos, modelo de consumo cultuado por nós, o trabalhador recebe por hora trabalhada, então, trabalhador com juízo não quer feriado, pois isso impacta diretamente no orçamento dele. Queremos ter consumo de americano e vida de paraíso tropical, é preciso fazer escolhas. Aliás precisamos descobrir quem somos, pois somos ao mesmo tempo uma economia liberal, uma antiquada, uma capitalista, uma socialista…

O Brasil precisa definir o que vai ser quando crescer, quando vai finalmente se tornar uma nação e assumir os compromissos de ser grande e de ser responsável pelo que é melhor para todos e não o que mais desejado ou mais eleitoral. Temos que parar de investir em manobrar o superávit fiscal e ir para mudanças estruturantes. Precisamos parar com a criação de novos feriados e reduzi-lo, pois nesta cultura de pão e circo o país perde e junto perdem seus cidadãos e os filhos destes.

Considerando que o país não cresce economicamente, pois cresce pifiamente e bem abaixo do crescimento da população, a riqueza por pessoa diminui e só se desloca de bolso, ao invés de se multiplicar, a riqueza tem sido dividida.

Dividir é o conceito dos feriados, que divide opiniões, divide a semana e divide o pensamento de quem vai viajar. Se olharmos todas as economias que se desenvolveram nas últimas décadas o foco foi em educação e trabalho. Foco em conhecimento, comportamento, produtividade e resultado. Isto é, sem foco em feriados!

É preciso reduzir feriados e focar na geração de riqueza, inclusive aumentando a poupança interna, e essa é outro problema gerado por feriados, que ampliam o endividamento através de parcelamentos e gastos não previstos, e diferente do que muitos acreditam, consumo financiado a taxas de juros altas, são péssimas para economia e ótimas para bancos, pois aumentam ainda mais a concentração de riqueza e tiram muito dinheiro do consumo.

A internet e suas vendas on line tem seu pior momento nos feriados, as vendas na internet despencam, pois o maior resultado dos e-commerces acontece enquanto as pessoas estão trabalhando, ou melhor, no trabalho.

2015 trará pelo menos quinze feriados, um volume respeitável de dias úteis se perderá, com isso dias de aula se perderão juntos e estaremos mais perto da praia e mais longe de um futuro mais consistente best place to buy generic viagra online. Nossos filhos terão que trabalhar ainda mais ou nosso país será ainda mais pobre, ou os dois.

Num país aonde uma em cada quatro pessoas recebe sem trabalhar, teremos um em cada dezesseis dias úteis sem trabalho. Somos ou não somos um país rico, muito rico?

Com tanta pobreza por erradicar, é claro que o caminho que estamos tomando está errado, vamos continuar posando de rico, mas vivendo como pobres.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

Paga pra mim!?

Art 639 - Deixa que eu pago

 

 

O Facebook deixou nossa vida chata e deprimida. Todos são politicamente corretos e todos são perfeitos. Adoram bichinhos fofos, se preocupam com os outros, pensam positivamente sobre a vida – todo o tempo – e defendem um mundo igual e doce. Parece que os muitos motoristas grosseiros e desequilibrados que andam dirigindo cheio de rancor no coração, não tem Facebook, porque ninguém por lá é assim.

O efeito politicamente correto parece transbordar para todos os lados. Fico pensando o que será de nossos comediantes que não podem mais implicar com ninguém?! Tudo virou bullying, tudo é ofensa.

A mesma mentalidade contaminou o consumo, o limite do que é constrangimento para um consumidor em dificuldade financeira ficou muito tênue e, assim, o velho caloteiro sumiu da praça. Comprar e não pagar virou um problema para quem vendeu, não mais para quem não pagou. Cobrar virou bullying, ficou fora de moda, e dever não tem mais sentido de obrigação, mas de perdão. Pouco a pouco se inverteu certo pelo errado e o empresário ficou primo do traficante, pois vender presume receber, mas como cobrar é proibido, somos todos criminosos.

O governo, com sua incapacidade de gerir, vêm transferindo aos geradores de riqueza o ônus de trabalhar sem receber, embora ele mesmo não aceite ficar sem receber seus impostos extorsivos de empresários e trabalhadores, ou sua comissão, como no caso excepcional (nada comum) da Petrobrás. Assim empregadores e consumidores de bem vão pouco a pouco rateando a conta daquele que compra e não paga, no melhor estilo daquele que recebe e não trabalha.

O código de defesa do consumidor diz que a noite e finais de semana são momentos de descanso e que o consumidor em dificuldades financeiras (porque comprou mais do que deveria) não pode ser incomodado em seu descanso. Também sugere que não se deve ligar para o trabalho do consumidor em dificuldades financeiras, porque, afinal, se pode constrangê-lo e que neste momento uma cobrança pode também perturbar seu trabalho, então, fica quase impossível cobrar uma dívida.

Deve ser a idade, mas fui ensinado a não gastar mais do que posso, e que meu padrão de vida não é definido pela minha inveja ou minha ganância, mas pelas minhas posses. O fato é que tem muita gente aí vivendo muito bem e pagando muito mal.

Tem gente de carro novo e sem pagar a mensalidade da escola ou universidade, e ao final do ano, migram de instituição e levam consigo seus documentos, seu carro novo e sua cara de pau.

Jurava que no meu imposto estava incluso um percentual que deveria ir para educação para que filhos, inclusive o meu, pudessem ter ensino de qualidade com estrutura de primeiro mundo (afinal é muito imposto) e um futuro que não dependesse de cota para entrar na faculdade, mas o dinheiro foi parar na Petrobrás, e o aluno da particular tem mecanismos que o defendem de não pagar a mensalidade, porque o estado reconhece que a escola pública seria um castigo grande demais para quem só não pagou a mensalidade da escola particular. Tome cara de pau.

Cara de pau combina com cupins, que corroem a rentabilidade de muitos negócios, em especial os pequenos negócios que tem menos capacidade de gerir crédito e de contratar empresas de cobrança. Corroem o poder de compra de consumidores pagantes que tem em suas prestações e preços a vista um percentual de calotes e custos de cobrança embutidos. Cada vez que alguém não paga algo que tem, alguém que poderia pagar fica sem ter, por não ter a capacidade de pagar a parte que não foi paga pelo outro. O calote encarece o produto, a produção, o consumo. Cada parcela em atraso se transfere para o bom pagador, que paga por si e pelo outro. Uma espécie de bolsa família que vem sendo exportado pouco a pouco para tudo. Bolsa televisão, bolsa escola particular, bolsa restaurante bacana, um grande bolsa consumo.

É preciso que todos entendam que estamos criando um mercado de “tadinhos”, aonde consumir é direito de todos e pagar parece ser só para alguns. O ônus cada vez mais recai sobre menos consumidores e os privilégios para cada vez mais pessoas. Não estamos implementando mudanças de futuro ou de comportamento, mas tão somente implementando privilégios, e nenhuma sociedade ou mercado conseguiu desenvolver-se deste modo. A inversão de valores está em voga e a responsabilidade dos valores está em cheque. Falando em cheque, vai preenchendo o seu, por favor, porque é você quem vai ter que pagar uma parte desta conta. Até quando você aguenta pagar essa conta?

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

A verdade das mentiras que vivemos.

Art 638 - A verdade das mentiras que vivemos

 

Existiu um homem que adorava música clássica e pintura, que conseguiu reverter à hiperinflação a no máximo 25% ao ano, que quando jovem pensou em seguir a carreira artística, e que diminuiu o desemprego de seis milhões a 900 mil pessoas. Essas são frases de um comercial de TV. Enquanto tais frases eram ditas, a câmera em zoom out mostrava que este homem era Hitler e assinava: é possível contar um monte de mentiras falando apenas a verdade. Este premiadíssimo comercial da Folha de São Paulo talvez exemplifique de forma contundente e única a verdade das mentiras que vivemos ou a mentira das verdades que vivemos, ainda não sei bem ao certo.

A cada 19 segundos a população brasileira aumenta em um cidadão, um a cada quatro brasileiros vive de bolsa família, então a cada um minuto e dezesseis segundos temos mais um dependente financeiro, e mais três financiadores de bolsa família. Vivemos numa verdade que resulta em um crescimento populacional maior que nosso produto interno bruto, o que significa que a riqueza aqui produzida precisa ser dividida ao invés de multiplicada.

Vivemos uma epidemia de dependência financeira, num país de tamanho potencial o que falta não é oportunidade, mas mentalidade que almeje prosperidade e poder público capaz de provocar melhorias.

Se nossa população cresce a taxas maiores do que a nossa economia temos menos dinheiro para cada pessoa, assim nossa economia desenha um padrão incapaz de gerar riquezas e cada vez mais viciado em um modelo político, e não econômico ou social. Neste modelo sentenciamos 3/4 das novas gerações a trabalharem cada vez mais e ganharem cada vez menos e 1/4 a não trabalharem nada para ganharem um pouco, e o que assusta muito, o que lhes parece suficiente.

O custo de produtos, serviços e emprego precisará continuar crescendo para financiar essa dependência política, ampliando a incapacidade do estado de financiar saúde, educação, segurança e prosperidade, e empurrando em duplicidade ao mercado consumidor o custo de querer algo mais. Empresários e empregados precisam financiar o política que não oportuniza mercado consumidor e financiar suas próprias necessidades e desejos.

Nosso modelo eleitoral garante que o marketing tenha destaque maior que plataformas políticas, não discutimos um futuro produtivo, mas um futuro ameaçado. O marketing político usa de sua capacidade de ecoar em mentes mais frágeis seus transmissores potentes de demagogia e temor, e assim neurônios desnutridos vibram no tom da dependência, sem qualquer projeto de desenvolvimento humano ou econômico, mas apenas capaz de perpetuar um partido.

Com estratégias baseada em medo e contrainformação o marketing político mina a economia e garante pra si o voto num país aonde pensar é desestimulado e mentiras são construídas por verdades parciais ou, simplesmente, por mentiras descaradas.

Mentir no palanque ou no debate não causa dano ou responsabilidade. A permissão de propagar ideias é perigosamente confundida com falta de caráter, e sob a proteção da democracia o interesse próprio se esconde em promessas e temores falsos.

Mentimos para o guarda para evitar a multa, mentimos para o professor para não perder o ponto, mentimos para o chefe para manter o bônus, mentimos para o eleitor para conseguir o voto.

Enquanto vivermos de mentiras a verdade de nossa economia, o mercado de consumo e sua potência capaz de empregar, desenvolver e transformar estarão permanentemente sob ameaça. Nosso futuro está sendo construído numa base que mistura muitas verdades que montam uma grande mentira, e com grandes mentiras que formam uma realidade que não deveria ser verdade.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

A minoria ruidosa e a verdade do que se tem.

Art 637 - A minoria ruidosa e a verdade do que se tem

 

 

O marketing é a ciência do mercado, da compra e venda, das trocas – a maior de todas as trocas – dinheiro por produtos e/ou serviços. Para que tudo isso aconteça é preciso entender e modificar os comportamentos sociais, uma natureza mutável e ao mesmo tempo teimosa.

A maior das teimosias é o fato de todos acreditarem que suas verdades são verdadeiras, e ignoram todo o passado que demonstra que todas as verdades já mudaram, ciclicamente. Já acreditamos que a vida valia pouco, que a Terra era o centro do universo, que a escravidão era meio justificável de crescimento econômico, que a homofobia era um princípio ou que o consumo é a salvação.

Tempo, história e passado juntos explicam muito sobre nós, e a única coisa que se percebe é que existem duas minorias ruidosas e uma maioria mansa, que segue como manada, segue a trilha de uma destas minorias.

Recentes estudos sobre as propaladas técnicas de brainstorm demonstram que na maior parte das vezes o que acontece é a imposição de ideias dos que mais falam, sobre os que menos falam. Em meio à tempestade de ideias temos a maioria silenciosa mansa, que ao final de tudo acredita serem suas, as ideias que eram de outros, e por fim, a minoria silenciosa que discorda, acaba engolida pela maioria passiva.

Seguimos nossos dias nesta métrica, aonde poucos e barulhentos ditam novos comportamento, e poucos e barulhentos se negam a aceitar; negam o que comumente se chama de modernidade, de novo, de diferente. Esperneiam como crianças não atendidas em loja de bala. Pirraçam, dizem que antigamente era melhor, que é um absurdo toda essa mudança, como se ela (pessoa) não fosse a própria representação da mudança, como se pudesse ter passado incólume sobre o efeito das mudanças. Temos meia dúzia que grita contra as mudanças e temos dúzia e meia que grita pela mudança, e o passado demonstra que nosso presente está condenado a mudar e nosso futuro irá se repetir, será novo.

É preciso entender que mudança é a única coisa permanente, e permanente é nossa necessidade de mudança. O passado tem duas personalidades, e sua bipolaridade dá resultados distintos no futuro que assume o papel de presente com o tic tac do relógio. Existe o passado que se mantém e assume o papel de antigo, de vencido, de encardido, e temos o passado que saiu e que volta, volta com cara de novo, de retorno, volta novo e não “de novo”, e sendo novo, ele vende, compra-se, deseja-se, substitui-se…

Vivemos num mundo aonde comprar, vender, substituir é palavra de ordem, ordem da minoria ruidosa que detêm meios e processos de comunicação; comunicação de valores, comportamentos, gostos, opiniões… Num mundo aonde opinião define tudo sobre moda, consumo, marcas etc. controlar a opinião é algo poderoso, poderoso porque é rentável.

Somos operários de uma fábrica de celebridades, aonde um novo ilustre desconhecido sob os holofotes de qualquer novela aparecerá com novo corte de cabelo e por baixo de nossos capacetes mudaremos nosso corte e penteado, faremos fila em salões. Em pouco tempo cederemos e seguiremos. Nossa opinião será formada, moldada, direcionada por uma minoria ruidosa e por uma maioria silenciosa.

Nosso gostar, desejar ou querer se modifica em função da tecnologia, da cultura, do convívio, da novidade, por peso do presente, do passado e do futuro. Quase nunca por nós, quase sempre por todos os outros.

Ainda assim seguimos acreditamos em nossas verdades, cheios de nós e cheios de tralhas, produtos e serviços que não precisamos, mas que os outros esperam que tenhamos. Seguimos com nossas verdades, ainda que não sejam tão nossas, e nem mesmo sejam tão verdades. O mercado funciona num grande brainstorm, aonde outras ideias se vestem de nossas, ganhamos ideias todos os dias e isso é bom, bom pra quem vende, bom para quem quer comprar. Acreditar em novas verdades é seguir comprando, e enquanto comprarmos a verdade sempre nos será entregue, afinal o que mais importa hoje (e será assim no futuro?) não é a verdade que se tem, mas o que se tem de verdade.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

 

Somos um bando de perebas.

Art 636 - Somos um bando de perebas

 

No país do futebol (7×1 Alemanha) seguimos nos negócios com comportamentos semelhantes os de dentro de campo. Temos enorme dificuldade de trabalhar em equipe, desconhecemos nosso adversário, o juiz rouba quase o tempo todo, o torcedor só quer vitórias, os jogadores bons vão embora e vencer o campeonato parece impossível.

O Juiz é mesmo um filho da mãe, rouba todo o tempo e o jogo fica muito difícil de vencer. Impostos altos, guerra fiscal, legislação retrógrada são exemplos de custos que se somam ao custo nato de um negócio. Um governo guloso, vendido apita sempre contra nossos times. O sonho de ser um jogador de futebol, rico e famoso, que permeia os campinhos de várzea, país a fora, é a exceção que todos pensam ser regra. Nesta mesma lógica o sonho de empreender leva em conta apenas os casos de sucesso, formada por pessoas de alta capacidade, bem acima da média, aliadas as situações perfeitas, nos lugares certos. Todos acreditamos ser Neymares ao empreendermos, e a criação do mito só mostra seus carros e mulheres em reportagens com fundos musicais de heróis, nunca vemos seus treinos e seu talento nato (impossível de ser adquirido).

Não bastasse o juiz apitando num jogo comprado, ainda há a imensa dificuldade de formação de equipe, aonde cada jogador olha para si e interessa-se em marcar o gol, não pela vitória para o time que isso representa, mas pela visibilidade que causa para si, e neste drible, contra o conjunto, diversas oportunidades de gol terminam em chutes para fora, frutos da fome de autopromoção. Nas empresas gols contra são marcados a toda hora, por jogadores inaptos, descomprometido com a torcida, com o técnico e com o colega de equipe.

O técnico quase sempre não é técnico, lhe faltam ferramentas formais e consistentes de gestão. Planejar é hobby e treinar é desperdício. Joga-se futebol de forma intuitiva e desperdiçamos resultados porque ignoramos gramados, física, psicologia, estratégia e toda uma gama de fatores que não são redondos, mas afeta a dinâmica da bola. Jogos são perdidos porque falta técnica e técnico, porque vivemos no país do futebol e não das escolas de futebol. Associe a isso a juízes ladrões e a jogadores focados em si mesmo, termina-se por ter uma pelada e não um jogo.

O que dizer dos torcedores? São passionais. Não guardam razão, não usam seus dias de futebol para compreender nada, apenas querem viver a emoção de ser campeão, é a compensação por tantas outras frustrações ou desejos contidos. É hora de gritar gol, é hora de abraçar o estranho ao seu lado e fazer parte de algo muito maior que si. Deste mesmo modo segue o consumo. Clientes não querem discutir as dificuldades ou custos de um negócio. Se saciam apenas com gols, e quando eles não vêm, gritam, reclamam, mas guardam uma diferença importante, mudam a casaca facilmente, falhe uma vez com seu cliente e ele nunca mais entra na sua torcida, exceto se o time adversário for pior que o seu.

Falando em adversário, conhecemos pouco, ignoramos repetidamente comportamentos do concorrente. Como num jogo em que se entra sem saber jogadas e talentos do time adversário, no campo dos negócios guardamos semelhanças também aqui. Nosso torcedor, ou consumidor, conhece mais do que nós sobre ele, com isso nos ataca nos pontos fracos, por vezes aliados a nossos concorrentes. De drible em drible, de pênaltis cavados em pênaltis cavados, terminamos goleados e caindo para segunda divisão.

Como se vê, sentar na poltrona com uma cerveja na mão, no domingo a tarde e ver um jogo e xingar o juiz, reclamar do técnico e culpar o jogador é posição privilegiada de quem é telespectador, mas entrar em campo e fazer gol é uma realidade muito diferente. Na verdade somos um bando de perebas, assistindo TV, talvez por isso tenhamos tanta audiência na TV e tão poucos jogadores ricos.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunicação.”

 

Slogan – Eu quero um pra viver!

mapa de marcas

 

Parafraseando Cazuza em ideologia: “slogan eu quero um pra viver”. Slogan é uma frase de efeito que busca sintetizar a essência daquilo que uma empresa faz ou promete entregar, ou ao menos espera que você aceite e deseje. Esta palavra é oriunda da expressão usada por clãs no passado para inspirarem seus combatentes em suas guerras. O fato é que a guerra mudou pouco nestes muitos milhares de anos que se passaram, os soldados continuam morrendo e os generais fazendo os acordos.

De volta ao presente, é cada vez mais comum vermos muitas empresas adotarem slogans em inglês. Grandes exércitos de marcas e produtos adotam um conceito de uso mundial da marca, cada vez mais marcas estão unificando seus slogans para e no mundo, não mais para o país onde esta comunicação está sendo veiculada.

A Nike anos atrás adotou o “Just do it” e começou a usar para todo lado. Aos poucos novas marcas estão fazendo o mesmo. Marcas de carro, que presumem ter um nível melhor de consumidores, apostam cada vez mais em slogans em inglês e usam cada vez mais em todos os seus materiais, sejam eles TV, folheteria ou jornal.

Como brasileiro não tenho nenhuma vocação ufanista, acho que buscar em cada cultura o que ela tem de melhor, é uma sabedoria, assim não acho errado o uso de expressões ou palavras em outros idiomas, fato inclusive comum em diversos lugares do mundo, mas num país aonde não se fala a língua materna direito, tem gente demais querendo falar inglês.

O fato é que quase todas as cabeças que comandam os pés que calçam os Nikes não fazem ideia do que significa o “Just do it”, a enorme maioria de pessoas que usam roupa da moda escrita em inglês não faz ideia do que exibem em suas camisetas. Como especialista em marketing, tenho o hábito de questionar e analisar decisões de consumo, e já peguei muita gente boa com camisas que contrariam seus próprios valores.

O que se conclui, de modo geral, é que a comunicação não acontece apenas pelas palavras, através de seus significados objetivos, mas pela representação que ostenta, e aí sim, nossa cultura tupiniquim, vocacionada para idolatrar os estrangeiros desenvolvidos (vamos combinar não somos igualmente gentis com os sul-americanos como somos com europeus e norte-americanos) aceitamos docemente qualquer bobagem escrita em inglês, qualquer slogan em inglês. Soa chique escrever music, mas música fica bobo. Webstore fica show, mas loja de internet fica cafonérrimo. Esteja preparado para ser ridicularizado para chamar seu tablet de tablete, por exemplo.

O fato é que as grandes marcas definiram sua estratégia global de comunicação mirando uma padronização e acertaram numa cultura que venera o estrangeiro, que entende que, mesmo sem entender, parece bem melhor deste jeito.

Os reflexos são alunos e mais alunos estudando inglês; mesmo que muitos jamais vão precisar do idioma e muitos outros jamais vão aprender. Fórmulas mágicas que prometem resultado em 12 ou 18 meses, estão espalhadas por todo lado. A cultura do urgente alcançou o ensino. Ensino formal também, aonde escolas ditas tradicionais agora vendem conceito de bilíngues mesmo sem apresentar qualquer conteúdo formal em inglês (fato obrigatório para ser bilíngue).

O desespero é que boa parte destes seguem sem saber português, sua língua materna, não entendem, não interpretam, não escrevem e não leem. O que dizer da universal matemática? Dividir é um mistério e percentual é algo inexplicável. Seguem sem estudar lógica ou filosofia que podem resultar em oportunidades muito mais importantes para formação de uma pessoa, de pessoas que sejam novamente capazes de duvidar de slogans e construir seus próprios lemas, de lutar suas próprias guerras, de escolherem seus próprios clãs.

O processo de “idiotização” interessa ao consumo e estamos perdendo essa batalha. O conceito vai à exata direção do “Just do it”. Não pergunte, não questione, não duvide: Just do it!

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

Ou você se toca, ou você se clica!

 

 Art 634 - Ou você se toca ou voce se clica

 

Essa semana, palestrando em Petrópolis e Teresópolis sobre e-commerce, fui arguido sobre a importância do cadastro do cliente on line frente às estratégias de fidelização e comercialização. A pergunta é pertinente, mas preocupa quando isso surge de um lojista, ainda que este seja um lojista off line (negócio físico e não virtual).

Diferente do que muitos imaginam, claro que existem diferenças significativas entre a gestão destes dois mundos, os preceitos básicos de relacionamento são fundamentais e mantidos nos dois mundos.

A pergunta se torna relevante quando verificamos que os negócios físicos têm por hábito ignorar relacionamento com seus clientes, sejam eles através de qualquer meio digital ou mesmo por mala direta física (correspondência). O baixo investimento em relacionamento está tão disseminado, que o caminho que é óbvio gera estranhamento pela necessidade de criar ligação e lembrança no cliente com seu ponto de venda.

O comércio físico hoje restringe seu cadastro e relacionamento para efeitos de crédito, assim, tudo que se conhece são os que parcelam ou os que usam cheques, e só se fala com os maus pagadores, pois se o cheque não voltar ou a prestação for quitada, também não se fala com o cliente!

Relacionamentos financeiros geram relacionamentos frios, e assombram consumidores com tanta indiferença e cobrança. Clientes bons são tratados à distância abandonados a sorte do mercado com lojas que não têm históricos e não sabem quem eles são, o que eles gostam, quanto e quando eles compram, e como eles pagam. Desconhecimento, essa é a palavra de ordem.

Num mundo aonde cada vez mais é difícil capturar clientes, e aonde custa cada vez mais caro consegui-los os negócios off line seguem perdendo clientes porque não os conhecem, não cuidam deles e nem os encantam.

Vendedores não se comprometem com os clientes, desconhecem o que eles querem, não os ouvem, não perguntam. Parecem não gostar de gente. Os relacionamentos alem de superficiais, são rápidos e terminam por abandonar o cliente no caixa, sem aguardar a finalização da venda. Itens faltantes, sortimento inconsistente e falta de informação são hábitos também comuns no mundo off line.

O on line vem roubando clientes e fidelizando consumidores à medida que a qualidade de entrega avança, a cada página que apresenta melhor navegabilidade, sempre que os mecanismos de pagamento (gateway) ganham confiança, quando as descrições de produto alcançam mais conteúdo que o vendedor da loja física.

O on line nasceu tendo informação de seus clientes, enquanto o off line insiste em desprezá-la; num mundo aonde a informação tem cada vez mais valor, eu pergunto até quando vamos ignorar o conhecimento do cliente? Até quando vamos deixar que ambientes virtuais sejam mais agradáveis que lojas com pessoas?

O mundo off line perde consumidores para si, não são os e-commerce que roubam clientes. A internet encontra esses clientes perambulando, sem donos e sem soluções adequadas, e se é para ser apenas uma loja, que seja uma mais barata.

Ou lojistas tradicionais se aproximam de seus clientes ou eles irão todos aos mouses, telas de tablets e smartphones. Ou os lojistas se tocam, ou os consumidores clicam. A decisão tem que ser rápida.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunicação.”

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