Arquivo para o mês: junho, 2014

Mala publicidad es buena publicidad (Falem mal, mas falem de mim)

sob-nova-direcao

Claro que quem inventou essa frase tinha um problema sério de distúrbio de personalidade e não entendia patavina de marketing.

Ser lembrado de forma negativa não é nem de longe uma boa estratégia de lembrança, exceto se seus planos incluírem reclusão e afastamento.

Lembranças negativas geram o que chamamos de demanda negativa, ou seja, um comportamento aonde o consumidor pode chegar ao ponto de pagar mais (pelo concorrente) só para não ter que consumir determinado produto, serviço ou marca, tamanha a má experiência do coitado com esta.

Vemos isso com frequência em               estabelecimentos comerciais rotulados com faixas escritas “sob nova direção”, buscando desesperadamente clientes que lhe deem uma segunda chance.

Propaganda ruim é a prova que propaganda funciona. Deixe uma notícia ruim vazar e verá o efeito devastador da comunicação. A Unilever com seu Ades que foi encontrado no mercado com resíduos de soda cáustica em março do ano passado (2013) até hoje não conseguiu sequer retornar aos níveis de vendas do passado.

Falar mal é muito ruim. O silêncio é muito melhor que a má notícia.

Nesta lógica, uma copa do mundo traz muita visibilidade, muita exposição e muita necessidade de se falar sobre o tema, e consequentemente expõe muitos telhados de vidro. E é o que não falta por aqui.

Numa articulação, nunca vista antes neste país, ao menos desde o período democrático, o Brasil está internamente tendo suas mazelas suprimidas, a mega conta dos estádios está fora da mídia, os improvisos existentes sonegados, reportagens sobre dificuldades de acesso e filas descomunais minimizadas, parece que o Brasil é um paraíso, só coisa boa, não houve assaltos, sequestros, roubos a banco, nada! Natal quase sucumbiu as chuvas e não se fala disso. Mas se engana quem pensa que o mundo compra noticia brasileira. A imprensa estrangeira está colocando a bola para rolar e não é de hoje, o Brasil do dia-a-dia é noticia lá fora e notícia ruim.

Jornais de reconhecimento mundial, como o americano “The New York Times”, o espanhol “El Pais” e o inglês “The Economist” ou mesmo redes de TV, como a londrina BBC, apontam problemas que passam por escadas de acesso as arquibancadas bambas e pregos expostos em áreas de circulação de torcedores a protestos nas ruas, falam de desvio de verbas e abuso de poder do narcotráfico, a lista é imensa e ruim.

Falam sobre a concentração de capital, e quem achava que ia lucrar com a Copa descobriu que o dinheiro permanece concentrado na mão de quem já tinha muito dinheiro e que vender cachorro quente coco gelado na praia não vai mudar a vida de ninguém.

Nosso país está tendo sua realidade trabalhada de forma cuidadosa internamente, mas a imprensa mundial está se divertindo com os problemas que acontecem por aqui. A corrupção, que aqui parece não acontecer, tem sido notícia recorrente lá fora, problemas de infraestrutura e sociais também, tudo isso causa imenso desgaste a imagem do país e transcende de longe o desgaste político do governo.

Em meio às vaias da abertura da copa, há quem acredite que o governo se viu desconvidado a sua própria festa, mas a verdadeira festa aconteceu nas obras dos estádios e de infraestrutura ao redor destes, e quem não foi convidado foi o contribuinte! Parece que nada mais importa para quem já usufruiu de todo potencial desta copa. Parece que a riqueza gerada foi tanta que o desdobramento político ou de imagem, quer seja do partido ou do país, agora ou no futuro, pouco ou nada mais importa.

E o que preocupa é que para o brasileiro médio o que realmente importa é que o Brasil seja campeão, de preferência contra a Argentina. Parece que enquanto nossos governantes pensam grande, nosso povo pensa pequeno, achando que é grande tarefa ganhar de um país que cabe em uma das cinco regiões do nosso país, e que, portanto tem uma probabilidade muito menor de ter bons jogadores, um país que sofre como nós na economia, é achincalhado pelo poder público como nós, e tem no futebol toda a sua esperança.

Parece que o negócio aqui é falar mal do Messi, enquanto isso Dilma sai do foco. Vai Neymar faz gol, porque o povo quer é falar bem de você, faz porque o poder já sabe que falar mal dele não é bom pros negócios.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunicação.”

O Brasil entrou em campo

Brazil Soccer WCup Brazil Mexico

Nesta terça-feira vi muito mais que a seleção em campo, vi o Brasil.

Não num sentido emocional, mas funcional. Vi a falta de pegada, vi o individualismo, vi o excesso de autoestima superando o conjunto, vi a tática comandando a estratégia, vi o brasileiro ser mal tratado, vi o México (com todo respeito) ser comparado ao Brasil, vi o Brasil achar que empate é bom resultado.

Vivemos no empate a tantos anos que parece que é mesmo um bom resultado. PIB ridículo e o governo achando que isso é bom para o empresário, para o lojista, para o empregado.

O espelhamento do comportamento estatal encarnou nas camisas amarelas. Em alguns momentos tinha a sensação, ao ver o Brasil tocando bola sem pressa e sem responsabilidade na sua própria linha intermediária, de que o placar era de 4×0 e já estávamos campeões. Mas não. Estávamos em casa, empatando, tomando sufoco e se tomássemos um gol, poderia representar nossa desclassificação. Parece nossa economia e políticas públicas, que não se preocupam em ensinar a pescar, contenta-se em distribuir peixes comprados caros com o dinheiro de quem pesca, e fica sempre sem dinheiro para fazer escolas, hospitais e geração de emprego, as únicas soluções capazes de salvar quem não tem peixe e os filhos destes.

É o Brasil quem toca a bola de lado, quem recua para o goleiro, é o nosso país quem faz isso todo o tempo em todo campo.

Cada vez que nosso goleiro pegava a bola e rifava num chute descontrolado para o meio de campo, sentia o governo agindo, sem direção, sem objetivo, sem estratégia. Veja que o jogo estava marcado há muito tempo, o adversário era um time conhecido, o que nossa seleção demonstrou ontem foi a absoluta falta de planejamento, tal qual nosso estado, nosso poder, nosso comando. Rifando bolas, seguimos com uma economia que não cresce e políticas públicas que não sustentam. A vida toda ouvi que o Brasil era o país do futuro, o futuro chegou, passou e o Brasil toca a bola de lado. O empate é bom resultado.

O que falar da marcação de saída de bola? Ela representa toda a infraestrutura, não é bonito de se ver, não faz gol, mas ela dá base para que o ataque possa ter posse de bola e oportunidades, sem marcação o adversário fica mais à vontade, e mais em casa. Assim seguimos, pontes bonitas sobre rios poluídos porque faltam redes de esgoto, leis maravilhosas e educação ruim, ninguém cumpre, ninguém respeita, a lei não pega! Não fazemos marcação, porque a gente não lembra em quem votou, ninguém tem um atacante para marcar, todo mundo só quer fazer gol!

Cada vez que via Neymar arrancar via o excesso de autoestima do brasileiro pulsar. Sou brasileiro e não desisto nunca. Teimo e fracasso! Planejar, trocar passes é para os fracos! Cabelo super bem penteado e chuteira desamarrada. Joga muito, não há dúvidas, mas vimos o melhor do mundo ser abafado na véspera, Cristiano Ronaldo foi anulado com três marcadores em cima dele. Neymar deixou um, dois, três para trás, mas sempre parava no quarto. A falta de filosofia de conjunto, grupo, equipe está ali representada. Como vejo também as dificuldades do dia-a-dia impostas a quem tem iniciativa em nosso Brasil. O mercado se arrasta e depende absolutamente da ação individual do empresário. Não existe coordenação, não existe bate bola, tem que arrancar e partir, mas quase sempre esbarra na burocracia, nas leis trabalhistas antigas e demagogia do poder público que tira competitividade e poder da economia e concentra no político, na política. Trabalhamos para o governo, enquanto os países que prosperam é o governo quem trabalham para os cidadãos.

Cidadãos, aqui representados pelos nossos torcedores, dispostos em cadeiras caríssimas no estádio, construído com nossos impostos a preços superfaturados, e do milhões em cadeiras simples pelo nosso Brasil foram desrespeitados a cada passe errado, a cada bico dado pelo goleiro, a cada chute para fora, a cada falta para parar uma jogada, a cada bola para o lado ou para trás.

A falta de estratégia foi tamanha que quem deveria reger o conjunto olhava e não sabia bem o que fazer, em determinado momento, mesmo sob o calor do nordeste vestiu seu casaco na esperança de que um amuleto pudesse nos salvar. Precisamos de bem mais do que um amuleto ou muleta, precisamos de comando, de estratégia e de planejamento. Nosso país precisa disso.

Me senti brasileiro durante 90 minutos, não um torcedor, mas um cidadão. Desrespeitado por 12 profissionais muito bem pagos e muito menos interessados no resultado do que eu mesmo.

Uma copa do Mundo dura 4 anos, uma eleição também. Se for para escolher, eu escolho perder a Copa…

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunicação.”

 

Batendo uma bolinha

Art 615 - Batendo uma bolinha

Enquanto todos os países sede tiveram crescimento do PIB no ano da Copa (exceto Itália em 1990) o Brasil segue na contra mão com redução do PIB. Nossa cambaleante economia segue chutando para fora apesar de realizar investimentos desnecessários em estádios e indispensáveis em infraestrutura.

Assim apesar da injeção de dinheiro público e privado em aeroportos, estádios, hotéis etc. a Copa em nosso Brasil não mostrou ainda ao que veio. O banco mundial revisou nossa meta de PIB e já expulsou um ponto percentual no placar que já era quase um empate de zero a zero.

O comércio temático, que trabalha em cima de datas promocionais, mudando todo seu portfólio de acordo com o tema da época – volta às aulas, copa do mundo, páscoa, dia das crianças etc. – não faturou o esperado e em véspera de copa tenta uma liquidação aqui outra ali para não ficar estocado de verde e amarelo e torce para ter prorrogação pra ver se vende pelo menos o necessário para não ter prejuízo.

Bares e restaurantes tendem a faturar com os jogos e tentam reprogramar o dia dos namorados para a véspera em nome de um atendimento melhor e ampliação do faturamento. As vitrines ficaram mais verdes e amarelas do que vermelhas e ao que parece teremos mais chopp do que vinho, mais corneta do que batom, mais camisa do Brasil que lingerie neste dia 12 de junho.

O setor da mídia com direitos de transmissão fatura alto com Copa do mundo, com espaços comerciais lotados, enquanto os demais canais perdem em audiência e preferência.

O intervalo está até chato, com todos falando da mesma coisa, gritos de gol ecoam, mas as vendas não goleiam. O mercado está em treino, o gramado da paisagem é verde, mas o cenário não. O jogo não começa pra nossa economia e já estamos a quinze dias do segundo semestre.

Bolas fora, a Copa do mundo também traz histeria. Aliás, a mídia nos deixa histéricos. Não se consegue mais falar de outro assunto, de repente nos vemos todos obrigados a saber do noivado do jogador A, da capoeira do jogador B, da alimentação da seleção C, enquanto isso a bolsa ministro, uma ajudinha para o alto escalão do governo federal assistir aos jogos da Copa segue em relativo silêncio, e a massa não lembra se quer de quem é o vice-presidente do Brasil, e ignora que este acaba de revender o apoio do seu partido PMDB ao PT nas próximas eleições.

A mídia que parece ser sempre monotarefa, evidentemente assume seu papel de entreter, e elege a Copa do Mundo como único assunto relevante, e goste você ou não de futebol, e aconteça ou não outros fatos mais significativos, a pauta Copa tem seu lugar definido. Nesta estratégia a massa segue conduzida e até os mais céticos se veem vestidos de verde e amarelo de bandeira na mão.

A bola no campo vai começar a rolar hoje, mas a bola murcha da nossa economia segue sem embalo e sem fazer gol. Tomara que a Copa acabe logo, pois este carnaval fora de época é toda a distração que o poder precisa. O pão e circo da Roma antiga viraram futebol e cerveja do Brasil moderno. Não mudou muito em dois mil anos. Em ano de eleição cada gol de Neymar e Fred pode se tornar um belo gol contra a atenção que o Brasil precisa.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunicação.”

Copa de muito dinheiro!

Art 614- Copa do dinheiro

A Copa do Mundo da FIFA 2014 é nome registrado e de uso proibido, exceto por patrocinadores. Qualquer um que se aventure em usar tal expressão sem ser oficialmente credenciado a isso corre riscos milionários, de multas milionárias. Afinal tudo em uma Copa é milionário. Só em transmissão dos jogos a estimativa é que se alcance 130 milhões de reais.

Vender produtos do Fuleco, o tatu gente boa que tem a cara desta copa (afinal as cidades viraram um monte de buracos, igual ao buraco sem fundo de dinheiro necessário aos estádios), só poderá ser feito em locais devidamente autorizados e longe o bastante dos locais oficiais dos jogos, afinal, os estádios pretendem arrecadar muito dinheiro com a venda de produtos oficiais. E quem inventar de vender falsificações prepare-se para pegar até um ano de cadeia.

A chamada lei da Copa proíbe, por exemplo, que você compre Pepsi no entorno do estádio. Lojas, bares, o que for, que vender Pepsi, terá suas portas cerradas ou a obrigatoriedade de retirar produtos, displays etc. desta marca (por exemplo) de suas geladeiras e prateleiras.

Na última Copa, na África do Sul, uma companhia local teve muito bom humor para driblar a regra. Em um de seus anúncios brincava: A Transportadora Nacional não oficial da “você-sabe-o-que”. Mas quem não tiver tanto senso de humor, é melhor andar bem certinho, tem muita gente de olho nos espertalhões!

Se no campo a publicidade é controlada, engana-se quem pensa que do lado de fora vale tudo, pelo contrário, não vale nada. Usar carro, moto, caminhão, barco, avião, balão ou o que você imaginar com publicidade nas áreas ao redor dos estádios é considerada violação da lei da copa e paga-se com muito dinheiro o perdão. Assim, a Copa do mundo é jogo, jogo para os grandes, muito grandes!

Se você for imenso e mundial, ou melhor, a sua empresa, então poderá estar entre os reis do Olimpo, ou melhor, do campo. Estará no seleto clube dos parceiros da FIFA, nesta edição: Visa, Emirates, Adidas, Sony, Coca-Cola, Hyundai e Kia Motors. Estes participam de perto de todos os eventos e marca FIFA. São os melhores!

Os patrocinadores do evento, com possibilidades únicas e permissão de uso em todo o mundo da marca do evento figuram marcas como Mc Donalds, Continental, Budweiser, Castrol, Johnson & Johnson, Moy Park, Yingli.

Os apoiadores, menos notórios, mas não menos participativos são empresas de grande porte, mas do país sede e com permissão de uso da marca apenas em seu país. Em 2014 são Garoto, Itaú, ApexBrasil, Centauro, Liberty Seguros, Wise Up, Fifa.com – Footbol for Hope.

Os números reais desta majestosa Copa ninguém sabe, afinal a FIFA é uma entidade privada, seus números não são tão fáceis de saber. Mas o que se pode afirmar é que enquanto muitas empresas estão ganhando muito dinheiro e ao que parece também um seleto grupo de políticos e partidos políticos, o comércio de modo geral prevê prejuízos recordes.

Com a atenção voltada para Copa, muito do dia-a-dia do consumo vai ser adiado ou simplesmente vai se perder. Para sentir isso basta ver a data do dia dos namorados, quase não há vitrine e ações promocionais voltadas ao tema, como a data cai no dia da abertura do evento, vai ter muita namorada vestida de verde e amarelo e namorado bêbado gritando Brasil, bem diferente do ritmo normal.

Cabe a nós torcer, seja para ser campeão ou para isso tudo acabar logo. Como todo jogo, há sempre torcidas opostas!

 

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunicação.”

 

 

 

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