Arquivo para o mês: novembro, 2014

Pose de rico, vida de pobre!

Art 640 - Pose de rico

 

Feriado é tudo de bom. Os feriados funcionam como quebras de rotina e, é indiscutível o aspecto de que sejam muito bons para diversos segmentos diferentes, como turismo, gastronomia, automóveis e até o consumo tem bons momentos de venda, mas será mesmo um bom negócio para todos?

A primeira coisa depende de qual seja seu destino turístico, pois enquanto alguns destinos lotam, outros ficam as moscas, assim seu restaurante pode não vender nada. O segundo aspecto é questionar quem paga a conta, pois para cada dia não trabalhado alguém ou “alguéns” pagam a conta.

Com leis trabalhistas antiquadas que oneram o empregador, feriados impactam sobremaneira no custo de se ter um trabalhador, visto que este recebe e não trabalha. Tal custo é repassado na diminuição do valor deste trabalhador, no aumento do custo do produto/serviço ou ainda na redução da capacidade de investimento do negócio. Nos Estados Unidos, modelo de consumo cultuado por nós, o trabalhador recebe por hora trabalhada, então, trabalhador com juízo não quer feriado, pois isso impacta diretamente no orçamento dele. Queremos ter consumo de americano e vida de paraíso tropical, é preciso fazer escolhas. Aliás precisamos descobrir quem somos, pois somos ao mesmo tempo uma economia liberal, uma antiquada, uma capitalista, uma socialista…

O Brasil precisa definir o que vai ser quando crescer, quando vai finalmente se tornar uma nação e assumir os compromissos de ser grande e de ser responsável pelo que é melhor para todos e não o que mais desejado ou mais eleitoral. Temos que parar de investir em manobrar o superávit fiscal e ir para mudanças estruturantes. Precisamos parar com a criação de novos feriados e reduzi-lo, pois nesta cultura de pão e circo o país perde e junto perdem seus cidadãos e os filhos destes.

Considerando que o país não cresce economicamente, pois cresce pifiamente e bem abaixo do crescimento da população, a riqueza por pessoa diminui e só se desloca de bolso, ao invés de se multiplicar, a riqueza tem sido dividida.

Dividir é o conceito dos feriados, que divide opiniões, divide a semana e divide o pensamento de quem vai viajar. Se olharmos todas as economias que se desenvolveram nas últimas décadas o foco foi em educação e trabalho. Foco em conhecimento, comportamento, produtividade e resultado. Isto é, sem foco em feriados!

É preciso reduzir feriados e focar na geração de riqueza, inclusive aumentando a poupança interna, e essa é outro problema gerado por feriados, que ampliam o endividamento através de parcelamentos e gastos não previstos, e diferente do que muitos acreditam, consumo financiado a taxas de juros altas, são péssimas para economia e ótimas para bancos, pois aumentam ainda mais a concentração de riqueza e tiram muito dinheiro do consumo.

A internet e suas vendas on line tem seu pior momento nos feriados, as vendas na internet despencam, pois o maior resultado dos e-commerces acontece enquanto as pessoas estão trabalhando, ou melhor, no trabalho.

2015 trará pelo menos quinze feriados, um volume respeitável de dias úteis se perderá, com isso dias de aula se perderão juntos e estaremos mais perto da praia e mais longe de um futuro mais consistente best place to buy generic viagra online. Nossos filhos terão que trabalhar ainda mais ou nosso país será ainda mais pobre, ou os dois.

Num país aonde uma em cada quatro pessoas recebe sem trabalhar, teremos um em cada dezesseis dias úteis sem trabalho. Somos ou não somos um país rico, muito rico?

Com tanta pobreza por erradicar, é claro que o caminho que estamos tomando está errado, vamos continuar posando de rico, mas vivendo como pobres.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

Paga pra mim!?

Art 639 - Deixa que eu pago

 

 

O Facebook deixou nossa vida chata e deprimida. Todos são politicamente corretos e todos são perfeitos. Adoram bichinhos fofos, se preocupam com os outros, pensam positivamente sobre a vida – todo o tempo – e defendem um mundo igual e doce. Parece que os muitos motoristas grosseiros e desequilibrados que andam dirigindo cheio de rancor no coração, não tem Facebook, porque ninguém por lá é assim.

O efeito politicamente correto parece transbordar para todos os lados. Fico pensando o que será de nossos comediantes que não podem mais implicar com ninguém?! Tudo virou bullying, tudo é ofensa.

A mesma mentalidade contaminou o consumo, o limite do que é constrangimento para um consumidor em dificuldade financeira ficou muito tênue e, assim, o velho caloteiro sumiu da praça. Comprar e não pagar virou um problema para quem vendeu, não mais para quem não pagou. Cobrar virou bullying, ficou fora de moda, e dever não tem mais sentido de obrigação, mas de perdão. Pouco a pouco se inverteu certo pelo errado e o empresário ficou primo do traficante, pois vender presume receber, mas como cobrar é proibido, somos todos criminosos.

O governo, com sua incapacidade de gerir, vêm transferindo aos geradores de riqueza o ônus de trabalhar sem receber, embora ele mesmo não aceite ficar sem receber seus impostos extorsivos de empresários e trabalhadores, ou sua comissão, como no caso excepcional (nada comum) da Petrobrás. Assim empregadores e consumidores de bem vão pouco a pouco rateando a conta daquele que compra e não paga, no melhor estilo daquele que recebe e não trabalha.

O código de defesa do consumidor diz que a noite e finais de semana são momentos de descanso e que o consumidor em dificuldades financeiras (porque comprou mais do que deveria) não pode ser incomodado em seu descanso. Também sugere que não se deve ligar para o trabalho do consumidor em dificuldades financeiras, porque, afinal, se pode constrangê-lo e que neste momento uma cobrança pode também perturbar seu trabalho, então, fica quase impossível cobrar uma dívida.

Deve ser a idade, mas fui ensinado a não gastar mais do que posso, e que meu padrão de vida não é definido pela minha inveja ou minha ganância, mas pelas minhas posses. O fato é que tem muita gente aí vivendo muito bem e pagando muito mal.

Tem gente de carro novo e sem pagar a mensalidade da escola ou universidade, e ao final do ano, migram de instituição e levam consigo seus documentos, seu carro novo e sua cara de pau.

Jurava que no meu imposto estava incluso um percentual que deveria ir para educação para que filhos, inclusive o meu, pudessem ter ensino de qualidade com estrutura de primeiro mundo (afinal é muito imposto) e um futuro que não dependesse de cota para entrar na faculdade, mas o dinheiro foi parar na Petrobrás, e o aluno da particular tem mecanismos que o defendem de não pagar a mensalidade, porque o estado reconhece que a escola pública seria um castigo grande demais para quem só não pagou a mensalidade da escola particular. Tome cara de pau.

Cara de pau combina com cupins, que corroem a rentabilidade de muitos negócios, em especial os pequenos negócios que tem menos capacidade de gerir crédito e de contratar empresas de cobrança. Corroem o poder de compra de consumidores pagantes que tem em suas prestações e preços a vista um percentual de calotes e custos de cobrança embutidos. Cada vez que alguém não paga algo que tem, alguém que poderia pagar fica sem ter, por não ter a capacidade de pagar a parte que não foi paga pelo outro. O calote encarece o produto, a produção, o consumo. Cada parcela em atraso se transfere para o bom pagador, que paga por si e pelo outro. Uma espécie de bolsa família que vem sendo exportado pouco a pouco para tudo. Bolsa televisão, bolsa escola particular, bolsa restaurante bacana, um grande bolsa consumo.

É preciso que todos entendam que estamos criando um mercado de “tadinhos”, aonde consumir é direito de todos e pagar parece ser só para alguns. O ônus cada vez mais recai sobre menos consumidores e os privilégios para cada vez mais pessoas. Não estamos implementando mudanças de futuro ou de comportamento, mas tão somente implementando privilégios, e nenhuma sociedade ou mercado conseguiu desenvolver-se deste modo. A inversão de valores está em voga e a responsabilidade dos valores está em cheque. Falando em cheque, vai preenchendo o seu, por favor, porque é você quem vai ter que pagar uma parte desta conta. Até quando você aguenta pagar essa conta?

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

A verdade das mentiras que vivemos.

Art 638 - A verdade das mentiras que vivemos

 

Existiu um homem que adorava música clássica e pintura, que conseguiu reverter à hiperinflação a no máximo 25% ao ano, que quando jovem pensou em seguir a carreira artística, e que diminuiu o desemprego de seis milhões a 900 mil pessoas. Essas são frases de um comercial de TV. Enquanto tais frases eram ditas, a câmera em zoom out mostrava que este homem era Hitler e assinava: é possível contar um monte de mentiras falando apenas a verdade. Este premiadíssimo comercial da Folha de São Paulo talvez exemplifique de forma contundente e única a verdade das mentiras que vivemos ou a mentira das verdades que vivemos, ainda não sei bem ao certo.

A cada 19 segundos a população brasileira aumenta em um cidadão, um a cada quatro brasileiros vive de bolsa família, então a cada um minuto e dezesseis segundos temos mais um dependente financeiro, e mais três financiadores de bolsa família. Vivemos numa verdade que resulta em um crescimento populacional maior que nosso produto interno bruto, o que significa que a riqueza aqui produzida precisa ser dividida ao invés de multiplicada.

Vivemos uma epidemia de dependência financeira, num país de tamanho potencial o que falta não é oportunidade, mas mentalidade que almeje prosperidade e poder público capaz de provocar melhorias.

Se nossa população cresce a taxas maiores do que a nossa economia temos menos dinheiro para cada pessoa, assim nossa economia desenha um padrão incapaz de gerar riquezas e cada vez mais viciado em um modelo político, e não econômico ou social. Neste modelo sentenciamos 3/4 das novas gerações a trabalharem cada vez mais e ganharem cada vez menos e 1/4 a não trabalharem nada para ganharem um pouco, e o que assusta muito, o que lhes parece suficiente.

O custo de produtos, serviços e emprego precisará continuar crescendo para financiar essa dependência política, ampliando a incapacidade do estado de financiar saúde, educação, segurança e prosperidade, e empurrando em duplicidade ao mercado consumidor o custo de querer algo mais. Empresários e empregados precisam financiar o política que não oportuniza mercado consumidor e financiar suas próprias necessidades e desejos.

Nosso modelo eleitoral garante que o marketing tenha destaque maior que plataformas políticas, não discutimos um futuro produtivo, mas um futuro ameaçado. O marketing político usa de sua capacidade de ecoar em mentes mais frágeis seus transmissores potentes de demagogia e temor, e assim neurônios desnutridos vibram no tom da dependência, sem qualquer projeto de desenvolvimento humano ou econômico, mas apenas capaz de perpetuar um partido.

Com estratégias baseada em medo e contrainformação o marketing político mina a economia e garante pra si o voto num país aonde pensar é desestimulado e mentiras são construídas por verdades parciais ou, simplesmente, por mentiras descaradas.

Mentir no palanque ou no debate não causa dano ou responsabilidade. A permissão de propagar ideias é perigosamente confundida com falta de caráter, e sob a proteção da democracia o interesse próprio se esconde em promessas e temores falsos.

Mentimos para o guarda para evitar a multa, mentimos para o professor para não perder o ponto, mentimos para o chefe para manter o bônus, mentimos para o eleitor para conseguir o voto.

Enquanto vivermos de mentiras a verdade de nossa economia, o mercado de consumo e sua potência capaz de empregar, desenvolver e transformar estarão permanentemente sob ameaça. Nosso futuro está sendo construído numa base que mistura muitas verdades que montam uma grande mentira, e com grandes mentiras que formam uma realidade que não deveria ser verdade.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

A minoria ruidosa e a verdade do que se tem.

Art 637 - A minoria ruidosa e a verdade do que se tem

 

 

O marketing é a ciência do mercado, da compra e venda, das trocas – a maior de todas as trocas – dinheiro por produtos e/ou serviços. Para que tudo isso aconteça é preciso entender e modificar os comportamentos sociais, uma natureza mutável e ao mesmo tempo teimosa.

A maior das teimosias é o fato de todos acreditarem que suas verdades são verdadeiras, e ignoram todo o passado que demonstra que todas as verdades já mudaram, ciclicamente. Já acreditamos que a vida valia pouco, que a Terra era o centro do universo, que a escravidão era meio justificável de crescimento econômico, que a homofobia era um princípio ou que o consumo é a salvação.

Tempo, história e passado juntos explicam muito sobre nós, e a única coisa que se percebe é que existem duas minorias ruidosas e uma maioria mansa, que segue como manada, segue a trilha de uma destas minorias.

Recentes estudos sobre as propaladas técnicas de brainstorm demonstram que na maior parte das vezes o que acontece é a imposição de ideias dos que mais falam, sobre os que menos falam. Em meio à tempestade de ideias temos a maioria silenciosa mansa, que ao final de tudo acredita serem suas, as ideias que eram de outros, e por fim, a minoria silenciosa que discorda, acaba engolida pela maioria passiva.

Seguimos nossos dias nesta métrica, aonde poucos e barulhentos ditam novos comportamento, e poucos e barulhentos se negam a aceitar; negam o que comumente se chama de modernidade, de novo, de diferente. Esperneiam como crianças não atendidas em loja de bala. Pirraçam, dizem que antigamente era melhor, que é um absurdo toda essa mudança, como se ela (pessoa) não fosse a própria representação da mudança, como se pudesse ter passado incólume sobre o efeito das mudanças. Temos meia dúzia que grita contra as mudanças e temos dúzia e meia que grita pela mudança, e o passado demonstra que nosso presente está condenado a mudar e nosso futuro irá se repetir, será novo.

É preciso entender que mudança é a única coisa permanente, e permanente é nossa necessidade de mudança. O passado tem duas personalidades, e sua bipolaridade dá resultados distintos no futuro que assume o papel de presente com o tic tac do relógio. Existe o passado que se mantém e assume o papel de antigo, de vencido, de encardido, e temos o passado que saiu e que volta, volta com cara de novo, de retorno, volta novo e não “de novo”, e sendo novo, ele vende, compra-se, deseja-se, substitui-se…

Vivemos num mundo aonde comprar, vender, substituir é palavra de ordem, ordem da minoria ruidosa que detêm meios e processos de comunicação; comunicação de valores, comportamentos, gostos, opiniões… Num mundo aonde opinião define tudo sobre moda, consumo, marcas etc. controlar a opinião é algo poderoso, poderoso porque é rentável.

Somos operários de uma fábrica de celebridades, aonde um novo ilustre desconhecido sob os holofotes de qualquer novela aparecerá com novo corte de cabelo e por baixo de nossos capacetes mudaremos nosso corte e penteado, faremos fila em salões. Em pouco tempo cederemos e seguiremos. Nossa opinião será formada, moldada, direcionada por uma minoria ruidosa e por uma maioria silenciosa.

Nosso gostar, desejar ou querer se modifica em função da tecnologia, da cultura, do convívio, da novidade, por peso do presente, do passado e do futuro. Quase nunca por nós, quase sempre por todos os outros.

Ainda assim seguimos acreditamos em nossas verdades, cheios de nós e cheios de tralhas, produtos e serviços que não precisamos, mas que os outros esperam que tenhamos. Seguimos com nossas verdades, ainda que não sejam tão nossas, e nem mesmo sejam tão verdades. O mercado funciona num grande brainstorm, aonde outras ideias se vestem de nossas, ganhamos ideias todos os dias e isso é bom, bom pra quem vende, bom para quem quer comprar. Acreditar em novas verdades é seguir comprando, e enquanto comprarmos a verdade sempre nos será entregue, afinal o que mais importa hoje (e será assim no futuro?) não é a verdade que se tem, mas o que se tem de verdade.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

 

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