Arquivo para o mês: fevereiro, 2015

Mídia e Marketing.

 

Art 648 - Midia e drogas

 

A mídia é o quarto poder, não necessariamente em ordem valor. Sua capacidade de preservar ou expor os agentes públicos ou privados em determinados lugares do mundo ou da história dá a ela a posição líder em diversos momentos. Não à toa a mídia é imediatamente cerceada no caso de um governo ditador, afinal manter a opinião pública ou do público que assiste passivamente o mundo girar é determinante para fazê-lo ir a velocidade e direção adequadas aos interesses do poder.

Dois fatos curiosos na mídia chamaram a atenção nas últimas semanas. A visibilidade dada ao Estado Islâmico, com suas atrocidades e recrutamento. Não que o que eles façam não importe ou não impacte sobre todos nós, mas pelo fato de exibirem as imagens tão inadequadas e tão desejadas pelo próprio Estado Islâmico e pela imensa visibilidade dada aos jovens recrutados. Tudo que eles querem é que o mundo assista as estas cenas bárbaras e os jovens desejam é essa notoriedade, assim o que a mídia faz é exatamente reproduzir e propagar tudo isso. Desta forma a dedicação da mídia em cobrir o que é bruto, selvagem, chocante é a motivação para a perpetuação da maldade e da covardia ou para o êxodo de jovens que já chega a 3mil europeus. Claro que seria também covarde culpar a mídia de forma unilateral, ela sempre exibe o que o público quer ver, saborear…

Outro fato curioso que a mídia andou saboreando foi a execução de brasileiros na indonésia. No Brasil morrem diariamente mais de 90 brasileiros por morte violenta, em sua maioria por tiros, tiros mais covardes, sem julgamento e sem glamour de uma viagem internacional. A mas dá a um camarada, que resolve ficar rico da noite para o dia, viajando para um país aonde sabidamente tem leis absolutamente duras contra o tráfico de drogas (porque não quer que suas crianças e jovens pobres se matem ou morram por causa da diversão de jovens e adultos ricos), é pego, julgado e condenado e a mídia o trata como vítima. Não foi uma decisão de impulso, foi algo altamente premeditado, havia riscos e eram conhecidos.

A mídia deu tanta visibilidade a isso que chegou a gerar um incidente diplomático, uma vez que a nossa presidente se recusou a receber as credenciais do novo embaixador da Indonésia no Brasil e agora a Indonésia ameaça não comprar mais os aviões da Embraer, um dos poucos bolsões de excelência neste país, tudo porque um traficante foi preso, julgado e será executado, como tantos outros já foram na Indonésia.

Será que é certo movimentar tanto esforço por quem voluntariamente entope sua prancha de surf de drogas e pega um avião? Será que certo ignorar tantos que por absoluto descaso das políticas públicas tem seus filhos forcados a flertar com o tráfico em favelas e comunidades aonde o poder público não entra, ou seria melhor dizer, não dropa, toma caixote e afoga-se!?

O fato é que a mídia está sempre escolhendo o assunto do momento e quem assiste parece ficar sempre passivamente recebendo o menu de assuntos, sem medir interesses e sem medir a moral, a ética, a lógica e outros parâmetros por onde o pensamento deveria ser construído e reconstruído.

O fato é que o pensamento não interessa a mídia em geral e principalmente aos outros três poderes, assim temas superfulos ou contraditórios poderão ser escolhidos a esmo e transformados em relevantes; assuntos desconexos com nossa realidade se tornam importantes e os realmente importantes se aproximam do desconexo. Enquanto falamos de superficialidades o que importa segue sem solução, enquanto assistimos e reapresentamos o mar manchado de sangue, o mal se repetirá e seguiremos emprestando atenção a este mal, enquanto traficantes disfarçados de surfistas posam de vítimas, seguem morrendo uma legião de anônimos e desamparados sem prancha de surf e sem passaporte.

Quem acredita que a mídia representa sempre a opinião pública, precisa entender que via de regra ela cria e dirige a opinião do público.

Muita informação que circula por aí vem com interesses específicos e duvidar disso fortalece a prática de uma mídia desfocada, acreditar em tudo que se vê, ouve ou lê é continuarmos comprando droga a achando que só o traficante está errado.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunica.

 

 

 

Pão, Circo e Samba.

Art 647 -Carnaval no mercado

 

O carnaval é um espetáculo. Indiscutivelmente uma festa que passa por nossa cultura, nossa alegria, nossa maneira de viver.

O carnaval é a nossa Las Vegas, é uma Disneylândia de gente grande com roupa pequena, bem tropicalizada. É o momento em que tudo é alegria, tudo é mágico e tudo tem brilho, luz e vida.

Mas o carnaval atende, e bem, a uma repetida, antiga e ainda, eficiente prática: a de distrair a todos sobre o que realmente está a nossa volta.

Roma sempre usou o pão e o circo para manter os súditos dos Césares distraídos e felizes, e sua eficácia é indiscutível, pois só isso explica que dois mil anos depois o estado permaneça incompetente, ausente em tantas áreas básicas e obrigatórias, mas sempre com verbas disponíveis para o carnaval, e outras lonas e luzes.

Milhares de prefeituras têm suas escolas e saúde, o mais básico de tudo, absolutamente abaixo do nível mínimo aceitável, mas têm em suas festas momentos de riqueza e esplendor. É uma grande distração para o contribuinte ou como prefiro pensar: consumidor.

O estado trata seu consumidor como pais irresponsáveis fazem com seus filhos, com filhos sem futuro. Enchem, a cada um de nós, de balas e biscoitos, nos deixam jogar bola, dormir tarde e não nos obriga a estudar.

Somos consumidores que recebemos apenas o que faz de hoje um bom dia, mas nada que permita que o amanhã possa ser melhor.

Nesta política de pão e circo, o carnaval se traveste de picadeiro, e ao terminar de foliões nos fantasiamos em palhaços, mais precisamente em Pierrôs: pobres, choramingando, vestido por sacos de farinha e vítima das piadas. Que se entenda, folião é a nossa fantasia em todo carnaval, porque somos o resto do ano Pierrôs, sem colombina, traídos por arlequins no melhor estilo da Commedia dellArte, marcada sempre pelos improvisos.

Nesta política superficial focada em distrair quem não critica, e iludir quem tem bom senso, nosso mercado de consumo retrai, o empreendedor perde, o planejamento sofre e o futuro samba, literalmente.

De sexta-feira a quarta-feira o Brasil que produz para. O Brasil que sonha, dorme acordado e o Brasil que consome acordará mais pobre, menos consumidor e menos capaz de alcançar seu futuro.

Para um ano que ainda não começou muita coisa já mudou. Mudou em promessas de uma recente eleição, mudou no nível dos reservatórios, na constância da luz.

Para quem vende caixa d’água, para um ano que ainda não começou, ele promete riqueza, para quem vende bomba de alta pressão, reza para o carnaval não terminar.

Entre caixas d’águas cheias e vazias, o pão vai rolar, ainda que com pouca água na massa ou mesmo um pouco cru, já que o forno elétrico anda desligando mais cedo, mas quem se importa de verdade, esta semana tem circo…É carnaval!

 

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunica.

 

Darwin é seu cliente!

Art 646 -Darwin é seu cliente

Não é mais forte. Não é o mais inteligente. Mas, somente o mais bem adaptado que sobrevive.
Neste ritmo 2015 será um grande seletor de espécies na indústria, comércio e serviço. Seu consumidor embora não tenha barba grande, nem jeitão de cientista, tem grande poder de mutação e uma natureza bem agressiva quando assunto é selecionar o que lhe interessa.
Comumente em consultoria ouço clientes dizendo que não é compreendido por seus consumidores, a má notícia é que jamais seremos. Quem compra, não compreende a si mesmo, por vezes, e nunca, a quem vende. É da prerrogativa de quem compra olhar com distinção ao seu próprio umbigo e com descaso a quem vende.
2015 começa com as despesas de sempre, adicionado ao racionamento de água, sobretarifa de energia, aumento dos combustíveis, aumento de impostos em diversos segmentos como bebidas, cosméticos e combustíveis (novamente), rombo nas contas públicas e nenhuma vontade de gastar melhor o seu suado dinheiro arrecadado nos impostos, assim seu negócio, emprego e oportunidade estão ameaçados e precisam se adaptar.
Gestão, relacionamento com cliente, fornecedores, recall de marca, capacidade de ofertar ao tempo certo, ao preço adequado, no lugar preferido, o item desejado com o servido esperado é sua grande chance de não ter um ano ruim.
Estamos só. Sem planejamento macro que ajude, sem uma economia forte. Quem tem a companhia de seus clientes fieis, viverá o ano melhor, quem não os tem, é bom buscar isso rápido, e vale ainda uma figa para economia mundial seguir bem, pois se o mundo espirrar teremos pneumonia, sem sequer médicos cubanos para nos tratar.
A palavra de ordem não é inovação, não é tradição, mas sim adaptação. Vamos precisar nos adaptar. Adaptar não é mudar sua essência, mas pode ser, adaptar não é mudar de cliente, mas pode ser, adaptar não mudar o resultado, mas pode ser. O que dificilmente acontecerá em 2015, será a sua capacidade ou mesmo possibilidade de manter tudo como estava.
O consumidor vai mudar mais que o normal, pois seu cinto está sendo apertado pelo governo, seus desejos impulsionados pela publicidade e sua autoestima derrubada, afinal andar para trás não alegra ninguém. Neste cenário prevalecerá a natureza mutante do consumidor. Uns vão deixar de comprar picanha, mas manterão o churrasco com carnes menos nobres, outros deixarão de comprar roupa para manter sua picanha, e haverá aqueles que cancelarão o churrasco para comprar a roupa. Mas não se engane, inevitavelmente, há quem perderá o poder de fazer churrasco e comprar roupa, pois sem emprego tudo fica impossível.
Adapte sua empresa, seja ela qual for, a 2015 ou corra o risco de não estar disponível em 2016. É sabido que não se alcança o progresso sem mudança, mas neste caso pode ser que a mudança seja apenas para regular o tamanho do seu regresso.
Imagino Darwin vendo tudo isso, coçando sua imensa barba sugeriria: Adapte-se a este novo mundo. Ainda que não seja para ganhar asas que seja ao menos para não perder seus pés, porque o seu chão já tiraram.

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunica.”

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