Arquivo para o mês: março, 2015

Problema nunca foi problema!

Art 651 - Problema nao eh problema

 

 

 

Vender água para quem tem sede é fácil, e definitivamente 2015 e 2016 não serão anos fáceis, portanto vender o que é difícil será o grande desafio, aliás, vender não será apenas o desafio, mas receber.

O fato é que vender aquilo que, aos olhos de um mortal comum, seria invendável está cheio de casos por aí. Sim, acredite. Há dezenas de coisas que compramos ou almejamos comprar que não são, nem de longe, algo que fora de um contexto cultural, habitual ou excepcional, estaria em nossa prioridade ou mesmo lista de compras.

Em última instância, pagamos sabendo que teremos medo, dor, arriscamos nossa vida metaforicamente ou realmente, e pagamos! Em outras situações pagamos não pelo risco, mas nos submetemos a essas injúrias, ou seja, nos submetemos à dor, ao medo, ao risco de morrer, tudo em nome de um beneficio que nossa cultura valoriza ou nós realmente acreditamos ser produtivo.

Escalada, voo livre, montanha russa, trem fantasma, depilação, cirurgia estética, refrigerante são exemplos de comportamentos que assumimos o compromisso de pagar, experimentar e reverberar porque há valor associado a eles (quase sempre cultural), porque de alguma forma há um reconhecimento ou um benefício que supera os problemas vinculados ao item, ou simplesmente porque estamos inercialmente acostumados a utilizá-los.

Quando saltei, a primeira vez, de paraquedas, lembro-me de meus pensamentos contundentemente me questionando, sob o vão que me separava de onde aparentemente nunca deveria ter saído e daquela frágil asa que me apoiava, me questionava sobre quais razões existiam para que eu tivesse acordado decidido a me jogar de um avião a 3 km de altura do chão e aceitar o risco de uma mochilinha nas costas abrir ou não. E a resposta veio na forma de superar meu medo de altura, de viver o que ainda defino como “a melhor coisa que se pode fazer vestido”, e sobre quantas pessoas desta ou de gerações passadas gostariam de ter vivido isso e não puderam, quer seja por oportunidade, dinheiro ou tecnologia. O fato é que os benefícios geraram uma cegueira momentânea no processo decisivo e anularam os problemas ou simplesmente os superaram, no resumo os custo (financeiro e/ou operacional foi menor que o benefício).

O mesmo acontece com tantos outros serviços que consumimos. Uma cirurgia estética, por exemplo, aos olhos de quem a faz, supera de longe os riscos cirúrgicos e custos intrínsecos ao procedimento. Levar milhares de agulhadas e ter sua pele marcada para sempre parece ser pouco para quem consegue deixar em sua pele uma marca de suas crenças, tatuando-se.

2015 e 2016 serão anos de vender benefícios como não se faz há muitos anos. A redução do capital circulante e da disposição de gastar o pouco que se tem ou o que se terá, vai exigir uma estratégia capaz de retornar ao consumidor benefícios muito maiores que a eventual paz alcançada pela segurança do dinheiro guardado ou da compra de um produto concorrente. A disputa pelo dinheiro vai alcançar níveis mais competitivos e privilegiar estratégias que destaquem suas qualidades ainda mais, ou anulando as dificuldades ou cegando tal peso no processo decisivo. É preciso não limitar-se aos problemas do produto ou serviço, mas focar e valorizar as qualidades possíveis de se ofertar ao seu consumidor, e lembre-se, 2015 e 2016 não será hora de se jogar não, mas é bom ter um paraquedas se o avião começar a cair.

 

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

O complicado é que é melhor!

 

Art 650 - O complicado eh melhor
Normalmente quando alguém é perguntado sobre o que é melhor: fazer algo simples ou algo complicado? Ouço sempre a resposta: Simples! A resposta vem em tom entusiasmado e convicto. Todos querem um lugar ao sol, com filtro solar, água de coco e mar calmo.

O grande problema do simples, do fácil, do básico é que qualquer um, dotado ou não de neurônios funcionais, comprometido ou não, é capaz de realizar, e aí, o óbvio vira barato, pois o critério de escolha de quem realizará tal tarefa óbvia é o preço.

Nesta lógica, empresas, prestadores de serviço, colaboradores todos querem apenas fazer o que é simples, ficando uma imensa lacuna no mercado de quem resolva o que é complicado.

Sou um apreciador de vinho, nenhum enólogo, mas gosto de vinho, e por diversas vezes tentei comprar vinho em lojas por aqui, sempre escolhendo e solicitando entrega, e sempre ouvi de três lojas que a entrega é complicada, pois existem riscos, assim, assumo que desisti, achei uma empresa que ama o complicado e faz dele algo simples. Compro pela internet com preços por vezes mais baixos e com entrega em 7 dias na minha casa, com direito a brinde e dicas de consumo. Como uma cidade tão pequena e segura, comparada às cidades de porte semelhante ou de porte maior, pode considerar a entrega algo difícil? É inércia do simples, do óbvio. Erra quem acha que é custo, pois processos que se originam no cliente, são puro investimento, além de ser diferenciação da concorrência.

Considerando a possibilidade de que você, leitor, gosta, simpatiza, aprecia e se interessa em ganhar dinheiro, é preciso dedicar-se ao complexo, ao difícil, ao risco, ao improvável e, principalmente, desenvolver formas de torná-lo simples e rentável. O óbvio não pode mais ser reinventado, além de possível de ser executado por qualquer um, não há mais como ganhar dinheiro com o óbvio.

Vencida a crença de que não é possível prosperar na simplicidade, o caminho para prosperar é aquele que se choca e se vive com a dificuldade! Assim, clientes exigentes são excelentes, lideranças e mercados exigentes também, pois nestes há a chance de fazer algo que ninguém mais pode fazer, ou de uma forma que ninguém mais pode realizar, ou num prazo que ninguém mais pode executar e num preço (mais alto) que todos desejariam realizar.

A criação de valor é um caminho inquestionável para isso. Tal valor pode ser intrínseco a marca, a emoção, a vivência, a crença, ou simplesmente a execução!

Assusta-me toda vez que alguém que vende algo, fabrica algo, serve algo diz que não pode fazer diferente, ao invés de apegar-se a oportunidade e precificar de forma diferente e aproximar-se de forma marcante do seu cliente. A insistência no simples que já é simples é persistir no pouco dinheiro vocacionado a nenhum.

Sempre que algo tange ao comparável, o critério de desempate é diretamente relacionado a preço, se faço a mesma coisa, da mesma forma (aos olhos do cliente, sem gerar valor a ele), meu cliente escolherá por preço, e quem vende preço, não ganha dinheiro, não é capaz de inovar, melhorar, prosperar…

Da próxima vez que alguém falar, ou mesmo que você pressentir, que há algo difícil a ser realizado, grite e assuma pra si, pense em quanto estará se diferenciando e quanto de dinheiro isso pode trazer, o complicado sempre será melhor!

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

Me arruma um emprego aí?

 

Art 649 - Me arruma um emprego aí

 

O Brasil promete mais um pífio crescimento, bem abaixo da necessidade mínima capaz de manter o crescimento vegetativo da população, ou seja, o número total de brasileiros aumenta em ritmo superior ao crescimento do país (ano após ano) e isso leva ao consequente aumento do desemprego. Desde 2002 o governo mudou o índice de desemprego no país e só considera quem procura emprego como um desempregado, ignorando a legião de pessoas sem esperança ou vivendo de renda suplementar como bolsa qualquer coisa.

A conta do problema é simples, a cada ano a população segue crescendo a taxas próximas a 2% e a economia flertando com zero por cento.

O excesso de mão de obra altera as forças no mercado, assim cada vez mais a pressão sobre quarentões é maior, ou seja, a experiência é substituída por mão de obra mais barata e por vezes mais disposta. A pressão se agrava com a idade, cinquentões e sessentões sofrem ainda mais com isso, principalmente com leis trabalhistas que punem o emprego e oneram a contratação.

Dentro desta matriz familiar, pais sem emprego reduzem o horizonte de seus filhos, e isso sacrifica não apenas o hoje, mas o amanhã também. Numa estrutura aonde filhos saem de casa cada vez mais tarde e aonde avós são cada vez mais elos que sustentam famílias, a perda do emprego pune mais que uma geração.

Os modelos de negócios espremem cada vez mais os níveis hierárquicos nas empresas, obrigando aos profissionais a alçarem novas funções sem níveis intermediários os quais ensinam e treinam. Este mesmo modelo segue também reduzindo a quantidade de pessoas. Assim cada vez mais existem menos pessoas, que trabalham mais e ganham menos. Sem muitos níveis e sem muitas pessoas, quem está dentro cada vez mais corre o risco de estar fora, pois errar é cada vez menos aceitável e cada vez mais provável.

A redução do emprego e da renda traz alterações no mercado, desde o nível de poupança, ao perfil de consumo. Tudo muda. Quem fabrica, vende, anuncia, presta serviço precisa cada vez mais estar atento às mudanças no comportamento do cliente, no seu modo de escolha, pagamento, local de entrega etc.

A crise do emprego está só começando, sem uma intervenção do governo federal, o dólar no curto prazo continuará subindo e isso irá ampliar o aumento de preços, e consequentemente reduzindo consumo; este se debruçará sobre o mercado e quando se vende menos, sabidamente, se emprega menos, e numa espiral viciada, quanto menos se emprega, menos se vende…

O emprego está entrando em crise. Entender isso significa que muitos consumidores estão e vão mudar seus hábitos de consumo, deixando para amanhã o que poderia comprar hoje, vislumbrando a possibilidade de riscos, e ao fazerem isso antecipam os problemas, e numa profecia autorrealizadora, o consumo cai, a inflação sobe e o emprego diminui.

2015 será um ano diferente. Um ano que promete peneirar quem fica e quem sai, quem prospera e quem diminui. 2015 já começou e, seus problemas e oportunidades estão se apresentando, enquanto não conhecemos toda sua complexidade, segue a sugestão: cuide do seu emprego.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

Meio ambiente é um erro!

 

Art 648 - Meio Ambiente e mercado

 

Muito se fala sobre proteger bichinhos e plantinhas, o “meio ambiente” cada vez mais ganha notoriedade e pessoas e empresas cada vez mais esbarram em permissões e relatórios ambientais. Que fique claro: é indispensável proteger bichinhos, plantinhas e sistemas ambientais, mas igualmente é indispensável, proteger a vida e a economia, geradora de riqueza, saúde e educação, entre ela, a ambiental.

A visão ainda é de meio ambiente, ou seja, não se vê ainda o ambiente como um todo, que inclui numa mesma arca (tipo de Noé) bichos, plantas, pessoas, sistemas econômicos e a própria cultura, e é preciso tempo para alterá-la.

Todo grande projeto inclui hoje um RIMA, relatório de impacto ambiental, sempre focado no impacto sobre flora e fauna, quase nunca o mesmo trata um severo e importante dano ambiental: o ser humano. Os projetos quase sempre são vitimas do dos relatórios que pensam pouco em compensações e limitam o desenvolvimento sem considerar que pessoas empobrecidas e/ou famintas são um grande dano ao ambiente.

A visão de meio ambiente parece colocar em uma metade bichos e plantas e na outra metade as pessoas. É preciso uma visão mais holística, mais 360 graus e compreender que perpetuar as espécies, e isso inclui micos, samambaias e pessoas, é o caminho, aliás o único caminho.

É fato que o planeta sem o homem é mais bonito, e o homem sem o planeta não é nada, então que fique claro que preservar é indispensável, mas desenvolver também é.

Temos em nosso vizinho o COMPERJ, projeto que prometia grande desenvolvimento econômico e social, e trouxe uma legião de empreendedores, trabalhadores, sonhadores e oportunistas e como um castelo de cartas, foi destruído e reinventado deixando a míngua muitas pessoas, projetos e sonhos, e literalmente deixando filhos, periferia e pobreza no rastro de seu nascimento e morte. Muitos que vieram com o sonho de enriquecer, rondam a periferia sem dinheiro para voltar para casa ou abraçar novo sonho… Uma visão mais completa deveria tratar isso também. Temos micos protegidos e sonhos “micados”…

Grandes projetos não definem políticas para as pessoas. Ainda se pensa o meio ambiente, meio no sentido de metade, e não de modo. Os grandes projetos deveriam dar conta e exigências nos quesitos ligados, não somente ao saneamento básico, coleta de lixo, fauna e flora, mas também hospitais, escolas, distritos comerciais, habitação e planos de desenvolvimento social e econômico, exigindo inclusive lastros financeiros, evitando irresponsabilidades como essa do COMPERJ.

Durante a história de nossos ancestrais a visão unilateral do homem causou imensa perda à fauna e flora, e agora a legislação visa corrigir todos os danos com leis fortes e necessárias, mas com o mesmo erro que conduziu o homem até hoje – a unilateralidade. Agora focada no meio ambiente frente ao desenvolvimento econômico sildenafil citrate generic. É preciso equilíbrio, o mercado não consegue se adaptar tão rapidamente a mudanças tão profundas e consumidores, empreendedores perdem e consequentemente o meio ambiente também. É indispensável vermos tudo como um só ambiente: plantas, bichos, pessoas, mercados e cultura. Todos precisam ceder e encontrar harmonia. Não tem outro meio, não cabe mais meio. Agora é tudo ou nada!

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

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