Arquivo para o mês: maio, 2015

Orgulho de servir

Art 660 - Orgulho de servir

 

 

Vivemos em uma sociedade de consumo, assim, aonde há consumo, há quem consuma. E para cada um que consome, há no mínimo um que sirva. Nesta matemática, se as pessoas não tiverem prazer e felicidade em servir, teremos uma legião de infelizes. A pergunta é: teremos ou temos?

Servir é atender, é satisfazer, é permitir que o processo de obtenção do objeto ou do serviço tenha êxito, não apenas em sua consequência, mas também em sua causa, ou seja, o processo que permite deter ou usufruir de tal bem ou serviço é tão ou mais importante que o próprio bem ou serviço.

Vivemos numa sociedade aonde muitos parecem crer que servir é feio, desonroso ou hierarquicamente inferior, mas vamos aos fatos: feio e desonroso é fazer, qualquer que seja sua função, mal feito. Feio é um presidente da república ir para TV e mentir descaradamente que não sabia de nada que acontecia em sua base comprada governista ou em sua principal estatal. Não há nada de feio em ser o melhor vendedor, o melhor professor, o melhor lixeiro, o melhor enfermeiro.

Vivemos com uma inversão de valores que confunde o próprio mercado. Muita gente querendo ganhar muito e trabalhar mal, muita gente criticando os outros e olhando pouco para si, muita gente querendo ser bem servida e prestando um serviço ruim.

Onde está o prazer e o orgulho de servir? Alguns vão responder que estão escondidos atrás de salários ruins e pouca perspectiva, e eu pergunto: trabalhar mal vai, de fato, permitir alguma mudança em sua vida ou na empresa que trabalha? Matar o prazer de servir abrirá portas para uma nova vida melhor?

Servir bem, mais que um ato de consciência, é um ato de inteligência.

Até quando as pessoas vão continuar insistindo que cabe aos outros mudarem suas próprias vidas? Até quando quem serve vai insistir em fazer isso com complexo ou frustração?

Já fui um pouco de cada coisa. Já fui garçom, vendedor de loja de shopping e de rua, carregador de equipamento de som, DJ… já trabalhei em banco, comércio, transportadora, indústria, empresa de tecnologia e o que sempre fui, em qualquer que fosse o meu trabalho, foi orgulhoso de fazer o que fazia. Não que isso espelhasse conformação ou promessa de passar o resto de minha vida desempenhando tal função, mas enquanto exercia a função, buscava fazer dela a melhor função, com o melhor desempenho, e todas elas traziam em comum o entendimento que ali estava para servir. Eu amo servir.

Vendedores, políticos, motoristas, garçons, médicos, jardineiros, somos todos profissionais, exercendo funções que existem e só existem para servir, quer seja a seus consumidores, clientes, pacientes, eleitores. Somos todos serviçais.

Precisamos romper com o ranço e peso da palavra serviçal e redimensionarmos nossa capacidade e prazer em servir.

Ter um cliente saindo do restaurante encantado com o serviço, com a comida, com a experiência naquele restaurante. Ter um consumidor encantado com a qualidade de atendimento de um vendedor que passa pelo approach, sondagem, informações sobre o produto, pagamento, garantias e termina, momentaneamente, no acompanhamento até a porta da loja, é sim, motivo de orgulho para o chef, garçom, vendedor, caixa, equipe.

Servir é preceito de qualquer bom profissional, e o prazer e o orgulho do que se faz são sentimentos obrigatórios para qualquer função. Quem não sabe servir, não valoriza quem lhe serve, a quem serve, o que faz e nem mesmo quem é.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

Sapo cansado!

Art 659 - Sapo cansado

 

O que faz o sapo pular, diz a lenda, é a necessidade. Cara gordinha, jeito folgado, perna cumprida, fica ali sentadão, por horas, em torno da luz, esperando um inseto dar mole…

Personagem comum aos contos de fada, sapos viram príncipes e alucinam princesas, os sapos estão por aí, cansados de serem negligenciados, pior, cansados de serem tratados como sapos.

Cada vez que uma crise se anuncia, renovam-se as esperanças, dentro de mim, que esse monte de sapo espalhado por nossas lojas, empresas e repartições públicas pulem. Pulem pra fora na direção exata de empresas que consigam vê-los como príncipes.

A crise tem o poder de transformar sapos em príncipes e príncipes em sapos, ou seja, a crise inverte valores que jamais deveriam ter sido invertidos, vendedores voltam a ser vendedores, e consumidores, voltam a ser príncipes.

É claro e evidente que não são todas as lojas, vendedores e marcas que olham e creem que consumidores são como sapos cansados, mas vamos combinar, estes estão por toda parte.

Vendedores, processos, sites, procedimentos, pessoas, ainda tem muita coisa o que melhorar e se vivermos em estado de desenvolvimento, seremos sempre vítimas de nossa própria arrogância, achando que prosperamos por mérito e não por inércia do mercado.

É indiscutível que muitos negócios, pessoas, sites e ven-de-do-res obtém crescimento por pura inércia mercadológica ou ausência de concorrência, ou ainda por pertencerem a uma marca nacional mais forte que a gestão local ou a um domínio mais inteligente que a ergonomia do site, e é claro, um produto melhor que o intermediário de venda.

Tudo isso ainda termina em bons resultados, quando o universo sopra à favor, mas quando o universo conspira negativamente ou vento sopra contra, aí, tudo muda…

A crise tem o poder de higienizar o mercado, a crise vai afetar mais fortemente todos os despreparados, os que não gostam do que faz, os que se veem acima de quem é atendido,  os que têm arrogância acima do cérebro, coração ou atitude, e a processos que tratem consumidores como mais um.

A crise apaga luzes e empurra naturalmente mais sapos para menos postes.

Na crise o dinheiro ganha valor, o que faz com que consumidores se sintam com mais valor e consequentemente exijam ser mais valorizados. Processos, pessoas e marcas precisam olhar para dentro e buscar respostas sobre o que elas estão fazendo no caminho de perpetuar um conceito aonde o consumidor ganhe destaque e posicione-se acima de qualquer outro valor, inclusive, lucro de curto prazo.

Lojas ainda insistem em olhar para consumidores como mais um. Mesmo diante da milésima venda da empresa, a centésima venda do vendedor, é preciso atentar que esta pode ser a primeira compra do cliente, ou ainda pior, a terceira ou quarta do cliente, momento em que o cliente já tem maior segurança e parâmetros para lidar e, principalmente, reagir à má venda.

Vendedores, processos e marcas precisam cuidar do acolhimento do comprador e parar de acreditar que o consumidor pertence a eles. Consumidores são entidades livres, etéreas, que não podem ser presos, confinados, apenas atraídos. Eles sobrevoam e jamais pousam, assim cabe a nós agradá-los, jamais agarrá-los.

Cadastros insuportáveis em lojas e sites, ao invés de conversas de sondagem ainda marcam o que deveria ser um “seja bem vindo”, e assim consumidores são tratados como sapos ao invés de príncipes.

Quem ainda acredita que no conto de fadas o sapo que recebe o beijo é o vendedor ou a empresa, ainda não entendeu nada. Nos que vendemos temos por principio, fé e prazer beijar sapos e transformá-los em príncipes, reis…vossa alteza é, e sempre será, o consumidor e nada como uma crise para fazer o sapo pular, de loja em loja, de marca em marca, de vendedor em vendedor em busca de beijos…prepare seu batom, o sapo está pulando e cada vez mais.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Sedução e mercado.

Art 658 - Mercado sedutor

 

Lingerie é sedução. Sedução para quem vê, veste, fabrica e vende. Cada um, seduzido ao seu modo, a lingerie parece ser o sonho de consumo de muitos, e talvez exemplifique como poucos, muitas das nossas essências humanas.

No mundo da sedução há (ou pode haver) prazer, frustração, competição, envolvimento, egoísmo, cooperação, exibição, voyerismo, entrega, amor, ódio e tantos outros sentimentos que se confundem e se esbarram em meio a corpos suados e expectativas de desempenho… mais ou menos como o complexo mercado da lingerie.

Deste modo há quem sonhe com a riqueza, quem torça para o tropeço alheio, há quem se dedique, há quem inveje, há luxuria, há fracasso…

Fevests a partes, o dia a dia das confecções ainda precisa melhorar muito, aliás, o dia a dia dos clusters ainda precisa evoluir muito por aqui. Em feiras, eventos, festivais e tantas outras boas iniciativas que acontecem em nossa cidade, ainda tem uma turma, e das grandes, que fica de fora, torcendo pelo fracasso e/ou se aproveitando de forma “esperta” de toda a inércia gerada por quem coloca dinheiro e a cara nas ações.

Moralmente duvidoso e mentalmente contraditório, tal postura demonstra o egoísmo e o estreito limite da cooperação e pensamento. Se para uma boa relação a cumplicidade e a paixão são necessárias,  para desenvolvermos o mercado não é diferente.

Isso acontece no polo de metal-mecânico, na lingerie, na gastronomia, no turismo e aonde mais se olhar de perto… A minoria realizadora é perseguida e pressionada pela maioria inerte que resmunga e se aproveita.

Empresas dedicam-se a capturar clientes, mão de obra, modelos de negócios, fornecedores de seus pares, ocupam-se tanto em prejudicar que não lhes sobra tempo para crescer, aprender, melhorar.

Diz o ditado que concorrente bom é concorrente morto, em uma versão que consegue entender que o mercado é segmentado, e nos é impossível cobrir todo o mercado, mesmo no limitado senso de um mesmo segmento, a versão acabada diz: concorrente bom é concorrente conhecido, parceiro, alinhado e qualificado. Concorrente o qual faz conta, não canibaliza o mercado, informa boas práticas ao mercado e tira, assim, poder do fornecedor ou cliente.

Qualquer iniciante em estratégia sabe o quanto o poder de barganha de fornecedores e compradores pode tirar de uma empresa.

Centrais de compras, de treinamento, de venda, alinhamentos de comunicação que fortaleçam o polo, mais eventos e festivais, desenvolvimento do conceito de polo e tantas outras iniciativas que exijam alinhamento são soluções poderosas para um mundo aonde cada vez mais o poder migra de indústrias e varejos, para alcançar compradores e consumidores.

A inventividade precisa transcender produtos e alcançar a gestão, assim como o sexo precisa alcançar o amor! Feiras, festivais, eventos e qualquer outra iniciativa, que gere centros de consumo e alinhamento de um setor, são iniciativas louváveis, necessárias e indispensáveis, mas acreditar que tão somente isso irá resolver nossa estratégia de longo prazo, é pura miopia, se não, cegueira.

Temos que parar de passar a mão no concorrente, aproveitando-se, e iniciar um processo de dar as mãos, cooperando. Novos polos de tudo, de qualquer coisa, de todas as coisas, surgem a cada dia, e o futuro não está garantido, nossa cidade ainda depende e dependerá por muito tempo de nossos clusters.

Podemos nos comportar como aproveitadores, podemos nos entender como apoiadores, ou podemos nos tornar, de fato, um time, aonde todos ganhamos, porque juntos, não somente somos mais fortes, somos imbatíveis.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Fevest – crise ou criação?

Art 656 - Fevest sem crise

 

Curioso como o mundo trama pela derrocada. Muitas vozes se levantam para reverberar problemas, poucas para solução e quase nenhuma alardeia as boas novas.

Num mercado com crise, mudanças são naturais, reorganização de modelos até então estáticos são imprescindíveis, e vender é tão necessário como sempre.

Como vender se há uma crise? É claro que Dilma e os 40 mensalões atrapalham muito nossa vida, e que tudo podia ser diferente, mas a pergunta persiste, como vender!?

Se o mercado de lenço vai crescer com tanto choro, é sinal que novas e muitas oportunidades vão se escancarar no mercado, buscar novos formatos é mais do que adequado, é imperativo.

Se para quem vende o mercado muda, para quem compra também, então feiras de negócios são sim uma ótima oportunidade de novos compradores conhecerem novos vendedores, mas se engana que o simples fato de estar no lugar certo, na hora certa, resolve.

Fato, feiras de negócios podem prosperar num mercado em mudança e quem estiver nelas também, mas é preciso criar alternativas. É preciso entender que as pressões que residem na indústria são nascidas nas pressões que cercam o comércio, assim gerar novas possibilidades para o comércio, gera vendas na indústria. Criatividade e investimento em possibilidades são indispensáveis.

A importância do polo de moda íntima para nossa cidade é de imensa relevância, qualquer movimento, seja ele verbal ou não, contrário ao seu sucesso deveria ser motivo de vergonha e banimento.

Muitas cadeias produtivas se beneficiam com a Fevest. Confeccionistas, suprimentos de enorme abrangência como: máquinas, linhas, bojos, lacinhos etc. Fornecedores outros como fotógrafos, agências, hotéis, restaurantes, comércio, táxis, costureiras etc generic sildenafil. Numa cidade aonde a economia nunca aponta novos caminhos, não podemos dispor de nossos clusters como confecção, metal mecânica, gastronomia, hotelaria…

Outro mérito do SINDVEST repousa no modelo criado e implementado por ele, faz anos, aonde padronizou stands e trouxe enorme conforto ao confeccionista, reduzindo drasticamente o custo (na verdade permitiu uma ação real de investimento ao participante) e elevou a competição entre os expositores a suas próprias condições, como produto, preço, prazo e não mais aos artifícios de stands monumentais aonde o foco do que se vendia se disfarçava e se perdia diante do que se ostentava.

Não consigo entender empresários olharem para a crise e se imobilizarem, assumirem uma posição do velho leão da montanha que resmungava sem parar: “oh vida, oh azar!”. Não existe momento mais propicio à exposição, à criação, à inovação do que a crise. Não existe iniciativa mais acertada do que estar diante do mercado e tornar-se alvo de seus olhares e necessidades. Se o mercado venderá menos calcinhas, conjuntos ou sutiãs importa, mas pode importar menos se a sua empresa vender tanto ou mais do antes, e não há melhor caminho para cumprir tal profecia do que jogar-se diante do mercado com criatividade e coragem.

Investir em visibilidade, em possibilidades é o único antídoto a uma crise, e não mover-se nesta direção é trazer para si a crise, é se autoinstitucionalizar em crise.

Talvez na verdade seja isso. Talvez o pessimismo que move tantas vozes tenha tomado mais que suas gargantas, tenha tomado seus corações e mentes, e a crise esteja dentro destes. Impedindo a criatividade e a coragem que fez de empresários, empresários!

Tudo que sei e que vejo é que o mercado que muda, sempre escancara oportunidades. E a pergunta “como vender?” se responde com iniciativa e criatividade; diante de crises e oportunidades é preciso fazer diferente, mais e melhor. Fazer parte da mudança é a única possibilidade de estar próximo das oportunidades e longe dos problemas.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

2017 - Desenvolvido por TargetComunica© - Todos os Direitos Reservados