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A verdade das mentiras que vivemos.

Art 638 - A verdade das mentiras que vivemos

 

Existiu um homem que adorava música clássica e pintura, que conseguiu reverter à hiperinflação a no máximo 25% ao ano, que quando jovem pensou em seguir a carreira artística, e que diminuiu o desemprego de seis milhões a 900 mil pessoas. Essas são frases de um comercial de TV. Enquanto tais frases eram ditas, a câmera em zoom out mostrava que este homem era Hitler e assinava: é possível contar um monte de mentiras falando apenas a verdade. Este premiadíssimo comercial da Folha de São Paulo talvez exemplifique de forma contundente e única a verdade das mentiras que vivemos ou a mentira das verdades que vivemos, ainda não sei bem ao certo.

A cada 19 segundos a população brasileira aumenta em um cidadão, um a cada quatro brasileiros vive de bolsa família, então a cada um minuto e dezesseis segundos temos mais um dependente financeiro, e mais três financiadores de bolsa família. Vivemos numa verdade que resulta em um crescimento populacional maior que nosso produto interno bruto, o que significa que a riqueza aqui produzida precisa ser dividida ao invés de multiplicada.

Vivemos uma epidemia de dependência financeira, num país de tamanho potencial o que falta não é oportunidade, mas mentalidade que almeje prosperidade e poder público capaz de provocar melhorias.

Se nossa população cresce a taxas maiores do que a nossa economia temos menos dinheiro para cada pessoa, assim nossa economia desenha um padrão incapaz de gerar riquezas e cada vez mais viciado em um modelo político, e não econômico ou social. Neste modelo sentenciamos 3/4 das novas gerações a trabalharem cada vez mais e ganharem cada vez menos e 1/4 a não trabalharem nada para ganharem um pouco, e o que assusta muito, o que lhes parece suficiente.

O custo de produtos, serviços e emprego precisará continuar crescendo para financiar essa dependência política, ampliando a incapacidade do estado de financiar saúde, educação, segurança e prosperidade, e empurrando em duplicidade ao mercado consumidor o custo de querer algo mais. Empresários e empregados precisam financiar o política que não oportuniza mercado consumidor e financiar suas próprias necessidades e desejos.

Nosso modelo eleitoral garante que o marketing tenha destaque maior que plataformas políticas, não discutimos um futuro produtivo, mas um futuro ameaçado. O marketing político usa de sua capacidade de ecoar em mentes mais frágeis seus transmissores potentes de demagogia e temor, e assim neurônios desnutridos vibram no tom da dependência, sem qualquer projeto de desenvolvimento humano ou econômico, mas apenas capaz de perpetuar um partido.

Com estratégias baseada em medo e contrainformação o marketing político mina a economia e garante pra si o voto num país aonde pensar é desestimulado e mentiras são construídas por verdades parciais ou, simplesmente, por mentiras descaradas.

Mentir no palanque ou no debate não causa dano ou responsabilidade. A permissão de propagar ideias é perigosamente confundida com falta de caráter, e sob a proteção da democracia o interesse próprio se esconde em promessas e temores falsos.

Mentimos para o guarda para evitar a multa, mentimos para o professor para não perder o ponto, mentimos para o chefe para manter o bônus, mentimos para o eleitor para conseguir o voto.

Enquanto vivermos de mentiras a verdade de nossa economia, o mercado de consumo e sua potência capaz de empregar, desenvolver e transformar estarão permanentemente sob ameaça. Nosso futuro está sendo construído numa base que mistura muitas verdades que montam uma grande mentira, e com grandes mentiras que formam uma realidade que não deveria ser verdade.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

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