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Convite pro circo.

Art 672 - Convite pro circo

 

O Governo pretende atochar mais aumentos de impostos e definir novos decretos capazes de fazer com que nós paguemos mais uma vez a conta do que eles gastam e roubam.
Consegue ouvir os autofalantes gritando?! Respeitável público. Você está sendo convidado para o maior espetáculo de safadeza do mundo. O circo do Planalto!
Tem atirador de mala, domador de deputado, senador equilibrista, ministro amestrado, muita pizza e, é claro, nós – os palhaços.
Neste circo, somos muito mal tratados, somos consumidores de um prestador de serviços chamado governo, monopolista, incompetente, de caráter duvidoso e bem folgado.
A cada prestação de serviço nos deparamos com a péssima qualidade de entrega, falhas no prazo, erros nos requisitos e alto custo de realização.
Neste circo, o espetáculo não tem hora para começar, acaba rápido, a tenda está furada, a luz não funciona e o leão, ah o leão, vive solto mordendo os palhaços.
O circo, sem previa licença nossa, muda o espetáculo, contrata amigos acima do preço, vende os bichos abaixo do preço, despede o mágico e não alimenta o leão. Nós palhaços, ao final do pífio espetáculo, pagamos pelo ingresso dos convidados a um preço sempre mais alto que o anunciado e sempre ameaçados pelo leão.
Mais que um circo, é um circo dos horrores.
Mês após mês é assim que o governo nos trata, como consumidores reféns, que não podem escolher outro prestador de serviço. Zombam, abusam, prometem e não cumprem nada do que foi acordado no contrato de execução do serviço.
Somos palhaços sem alegria, somos pierrôs que choram enquanto a plateia e o dono do circo riem e a Colombina é violentada por fraudes, interesses próprios e quadrilhas.
Quando poderemos fazer de nossas urnas nosso código de defesa do consumidor, que exija dos eleitos o cumprimento das promessas de campanha e puna todas as promessas não realizadas?!
Quando esse circo terá de fato sua luz acessa e seja capaz de iluminar uma saída?
Estou farto, e imagino que cada brasileiro que faz sua parte, paga seu imposto e não rouba do estado, esteja igualmente farto, de ser obrigado a ir às urnas e ter o melhor interesse do país vencido pelo interesse de cada um que é beneficiado por promessas falsas e benefícios pessoais.
Somos compradores compulsórios de um serviço ruim, fadado a piorar, enquanto o fornecedor puder escolher quanto custa, quando entrega, como entrega e quanto pagamos. Não somos consumidores, não somos sequer cidadãos, somos apenas palhaços fadados a pagar por um espetáculo ruim.

 

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

Mascarando o resultado

Art 670 - Pensamento de Marketing

 

Uma das funções da escola deveria ser educar e ensinar, mas tem escola por aí fazendo bem diferente disso.

A busca incessante de por um bom ranking na escala do ENEM tem feito as escolas cada vez mais manobrarem seus resultados.

Pais desavisados estão sendo iludidos por uma jogada relativamente simples e bem antiga. Criando mais que um CNPJ, escolas separam na inscrição seus bons alunos dos alunos comuns. Desta forma é possível ranquear com seus bons alunos e alunos convidados ou patrocinados, de outras instituições, que gozam de bolsa intergral, para simplesmente ajudar na pontuação.   Desta forma os bons alunos são inscritos sob um cadastro e os alunos mortais em outro, consegue-se assim disfarçar todos sob um mesmo nome fantasia, parecendo todos farinha do mesmo saco, mas os tratamentos e desempenhos são muito distintos.

Deste modo os alunos de alta performance estão valendo mais no mercado, como celebridades e esportistas de primeira linha, e sob o orgulho dos pais ainda não entenderam que podem capitalizar sobre isso.

Pelo visto a visão de mercado não é ensinada na escola, mas praticada pela maioria delas.

Num mundo aonde se compra o que se percebe e pouco vale o que realmente é, para algumas escolas investir na imagem e na comunicação anda sendo mais funcional do que investir em professores e método.

 

 “Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Erro novo ou erro de novo?

Businesswoman covering her face with angry mask

 

Empreender é arriscar-se. Empreender é verbo, é adjetivo, não é pronome possessivo. Pensar e agir de forma empreendedora é para todos, tenha negócio ou não, empreender é fundamental, mas ser um empreendedor não.

Erra quem pensa que empreender é abrir um negócio próprio ou que empreender e sucesso andam sempre junto. Apesar de ser mania nacional ter seu próprio negócio, não ter chefe, fazer o que está afim, tudo isso está muito longe de significar empreender.

São recorrentes, e muitos, os erros na fábula do empreender. O mais primitivo de todos é a motivação. Quase todos abrem um negócio focado em não ter chefe, não ser mandado por ninguém. De fato não podemos mesmo ser mandado por ninguém, mas sim mandado por todos. Todos os clientes… Quem faz o que quer, não é empreendedor, é um louco apenas.

O segundo erro comum é o momento, ou seja, quase todos empreendem quando sua vida de funcionário não vai bem. Após ser mandado embora, após não conseguir recolocação etc. Empreender necessita planejar, empreender é mais que consequência, é principio. Empreender quase sempre está ligado a um processo de gestação e não de aborto.

Chegamos ao terceiro mito, do mundo dos sonhos do empreender, que é comportamental. Não tem hora, não tem dia, não tem descanso, não tem lucro (no início) e não tem nosso dinheiro. O dinheiro da empresa não é do empreendedor, embora o inverso seja verdade.

Se o empreendedor espera ter seu negócio para começar a empreender, pode ser muito traumático e aumentar muito as possibilidades de fracasso. Empreender é um modo de pensar, agir, é um comportamento que deve ser praticado bem antes de se iniciar seu negócio, e independente de se ter um negócio.

Empreender exige preparo, exige comportamentos contraditórios. É preciso ousar, mas é preciso planejar. É preciso jogar-se no escuro e é preciso ver o que se está fazendo. É preciso arriscar e evitar o erro, mas sabendo que não arriscar é o maior dos erros.

Errar é condição de empreender, errar é deparar-se com o novo e decidir. Novos negócios surgem todos os dias porque alguém resolveu fazer o novo aonde outros tantos viram o erro apenas. Empresas ocupadas no mercado quase sempre não conseguem ver as oportunidades, empresas quase sempre muito acostumadas ao sucesso não se arriscam muito, e isso leva a substituição dos players, tão comum no mercado.

A máxima recorrente de jogar-se de peito aberto não é empreender, é apenas se vulnerabilizar, empreender exige foco, mas com visão panorâmica, mas o erro é uma sombra permanente.

O mito propagado do empreender reforça comportamentos de espera, justificando que quando tiverem um negócio trabalharão mais sérios, mais tempo, de forma mais responsável. Muitos prometem que assumirão riscos, pensarão estrategicamente, preverão consequências.

Não é possível esperar para empreender, não é necessário ter seu negócio para empreender, não é razoável acreditar em prosperar sem empreender.

Muitos não empreendem em suas vidas por medo de errar, e cometem sem saber o mesmo e mais antigo erro, o de errar de novo, para não errar com o novo.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Herrar* é humano, não corporativo.

Art 662 - Errar é humano

 

A criação do serviço de atendimento ao consumidor, o famoso SAC, institucionalizou o erro, dilatou a aceitação com problemas e empurrou o consumidor para a vala da gravação que não diz, mas pensa: “você é muito importante para nós, mas não o bastante para nossa empresa por mais atendentes aqui no teleatendimento e principalmente melhores em nossas lojas…”

Consumidores ganharam poder (menos do que acreditam) e esbravejam através de SACs cada vez mais difundidos, inclusive através de serviços que servem para você reclamar do próprio SAC, as chamadas Ouvidorias.

Dá pra reclamar pelo telefone, pelo Facebook, Twitter, por sites especializados em reclamação, enfim, canal pra reclamar não falta, então o que falta?

Falta às empresas foco em evitar problema, falta reduzir a aceitação diante da terrível aceitação de que errar é mais que humano, virou corporativo.

Claro que erros vão acontecer, mas não vejo as empresas de modo geral, imbuídas da fé de que isso precisa de menos aceitação e mais solução.

Será que parte do investimento destinado ao SAC não poderia ser melhor empregado em treinamento, seleção e capacitação de pessoas que consigam lidar com problemas de forma mais eficiente, gerenciando o dano antes que ele assuma proporções imensas?

É comum você ter um problema que está acontecendo e aciona o canal de reclamação, e os tratamentos são simultâneos e totalmente distintos. Você está na fila do banco reclamando pelo Twitter enquanto o atendente virtual se preocupa em saber o que acontece, o atendimento físico ignora você. Ou enquanto faz uma compra por site e o atendimento virtual da loja não resolve, o atendimento virtual do SAC quer resolver… mesma empresa, sério?

Porque não colocam as pessoas do SAC nas lojas? Porque não disseminam a cultura pela empresa? Até quando vamos ter só um departamento da empresa preocupado com o cliente?

A sensação que fica é essa imensa distorção de que apenas um pequeno e não tão seleto time está focado em atender ao cliente, todo o resto está ali para gerar erros silenciosos.

E quantas vezes sentimos no SAC a cultura de minimizar o dano, ou seja, não existe uma visão de conversão de cliente aborrecido em cliente apaixonado, pelo contrário, se o consumidor não tiver uma boa autoestima, sai convencido pelo atendimento que ele, consumidor, estava errado desde o início e que a empresa é muito legal em ouvi-lo.

E a imensa legião que não reclama, mas se aborrece e, quando pode, não volta? Qual é o maior custo para uma empresa? Evitar o erro ou desperdiçar (neste caso puro desperdício) milhões em comunicação para um cliente ser recebido por um atendente especializado em errar?

O que percebo são empresas orientadas a atender apenas quem reclama, focadas somente, e tão somente, a acreditar que apenas parte dos problemas reclamados são reais e empresas que insistem em não medir satisfação.

Nas diversas vezes que realizamos ações de cliente oculto, ou seja, visitando o ponto de venda e gerando relatos da experiência de compra, ou nas ainda mais raras aplicações de focal groups, que geram debates orientados com consumidores sobre a relação com a marca, compra, atendimento etc. desdobram-se imensas coleções de informações valiosas sobre o que acontece de fato no ponto de venda, mas a tímida utilização destes mecanismos ainda retrata uma forte cultura de acreditar que tudo vai bem.

O erro é da natureza humana, mas as empresas precisam estar, enquanto processos, acima dos erros, para que jamais estejam acima das pessoas que compram e permitem sua perpetuação enquanto empresa. Aceitar o erro corporativo pode ser o maior de todos os erros de uma corporação.

(*Errar é sem H, o titulo foi um erro deliberado!)

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Amarre suas botas!

 

Art 661 - Amarre suas botas

 

Diz a lenda que um economista e um especialista em marketing andavam pela floresta e se depararam com um terrível urso pardo. Faminto com sues 2,4 metros, garras enormes, cara de poucos amigos e muita, muita fome.

O economista, achando que entendia de tudo, começou a falar:

– Não temos chances. Ele é mais veloz do que nós, mais forte do que nós, mais feroz do que nós…

Enquanto o economista iniciava sua ode ao fim dos tempos, o especialista em marketing agachou-se e começou a amarrar suas botas, e o economista continuou:

– Um urso pode alcançar 48 km/h por mais de 400 metros e um velocista na sua melhor forma chega aos 44 km/h por apenas 20 metros. Você acha que tem chances contra esse urso? Ele vai despedaça-lo!

O especialista em marketing, muito calmamente, ergueu-se, fitou o economista nos olhos e disse em tom calmo e confiante:

-Não preciso correr mais que o urso, basta eu correr mais do que você!

E partiu… Desde então não se teve mais notícias do economista, e em defesa do urso, ele passa bem apesar disso! Um perfeito Final feliz!

 

Há um urso a solta! Um urso feio, traiçoeiro, provavelmente de nome Dilma. Economistas, pessimistas, e toda uma leva de especialistas em crises acreditam que é o fim dos tempos, apregoam que seu cliente vai sumir e sua empresa vai quebrar, mas asseguro que cada um que não mover-se para longe deste urso, o quanto antes, será o próximo jantar.

Inovar, comunicar, aproximar-se de clientes e fornecedores são requisitos básicos para um bom ajuste nestes tempos difíceis.

Nos bons tempos, os ventos são sempre favoráveis e constantes, o mar é calmo e o céu é claro, mas não forma bons marinheiros.

A estratégia de focar em fazer melhor que os demais é bem mais funcional do que a estratégia de focar na crise. Olhar as oportunidades de curto prazo, planejar o mínimo, reduzir despesas e otimizar investimentos também ajudará a definir quem fica e quem sai do mercado. Sacar o que guardou nos tempos de vaca gorda são iniciativas fundamentais, quem não guardou, quem entendeu que tudo era lucro e tudo podia virar dividendo, está pagando o preço alto da compra de capital de giro no país dos juros alto.

O momento também é hora de colher. Quem construiu um relacionamento com seu consumidor, um relacionamento honesto, vai passar bem mais confortável agora, pois é natural que haja movimentações de consumidores e clientes em busca de alternativas que pareçam mais vantajosas (não mais baratas apenas). Empresas com boa reputação tendem a manter e até ganhar clientes, enquanto empresas sentadas sobre o conforto de ventos constantes e/ou que tinham preços acima do que entregavam, preços oportunistas, vão perder clientes e sofrer bem mais.

O urso está à solta, o momento é de correr, não mais do que o urso, mas sempre mais que os outros.

O foco agora não é pensar no ano, mas no “inverno”, momento que esse urso há de hibernar, mantenha-se vivo e correndo é a dinâmica. Recuse-se a virar almoço de urso, e viva e sobreviva para poder usufruir de um mercado renovado, com concorrentes melhores e clientes mais capazes de distinguir boas empresas. Mas esteja certo, qualquer um que paralisar, ou subir em árvores, vai virar almoço de urso… e ele é feio, traiçoeiro, provavelmente de nome Dilma…

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Orgulho de servir

Art 660 - Orgulho de servir

 

 

Vivemos em uma sociedade de consumo, assim, aonde há consumo, há quem consuma. E para cada um que consome, há no mínimo um que sirva. Nesta matemática, se as pessoas não tiverem prazer e felicidade em servir, teremos uma legião de infelizes. A pergunta é: teremos ou temos?

Servir é atender, é satisfazer, é permitir que o processo de obtenção do objeto ou do serviço tenha êxito, não apenas em sua consequência, mas também em sua causa, ou seja, o processo que permite deter ou usufruir de tal bem ou serviço é tão ou mais importante que o próprio bem ou serviço.

Vivemos numa sociedade aonde muitos parecem crer que servir é feio, desonroso ou hierarquicamente inferior, mas vamos aos fatos: feio e desonroso é fazer, qualquer que seja sua função, mal feito. Feio é um presidente da república ir para TV e mentir descaradamente que não sabia de nada que acontecia em sua base comprada governista ou em sua principal estatal. Não há nada de feio em ser o melhor vendedor, o melhor professor, o melhor lixeiro, o melhor enfermeiro.

Vivemos com uma inversão de valores que confunde o próprio mercado. Muita gente querendo ganhar muito e trabalhar mal, muita gente criticando os outros e olhando pouco para si, muita gente querendo ser bem servida e prestando um serviço ruim.

Onde está o prazer e o orgulho de servir? Alguns vão responder que estão escondidos atrás de salários ruins e pouca perspectiva, e eu pergunto: trabalhar mal vai, de fato, permitir alguma mudança em sua vida ou na empresa que trabalha? Matar o prazer de servir abrirá portas para uma nova vida melhor?

Servir bem, mais que um ato de consciência, é um ato de inteligência.

Até quando as pessoas vão continuar insistindo que cabe aos outros mudarem suas próprias vidas? Até quando quem serve vai insistir em fazer isso com complexo ou frustração?

Já fui um pouco de cada coisa. Já fui garçom, vendedor de loja de shopping e de rua, carregador de equipamento de som, DJ… já trabalhei em banco, comércio, transportadora, indústria, empresa de tecnologia e o que sempre fui, em qualquer que fosse o meu trabalho, foi orgulhoso de fazer o que fazia. Não que isso espelhasse conformação ou promessa de passar o resto de minha vida desempenhando tal função, mas enquanto exercia a função, buscava fazer dela a melhor função, com o melhor desempenho, e todas elas traziam em comum o entendimento que ali estava para servir. Eu amo servir.

Vendedores, políticos, motoristas, garçons, médicos, jardineiros, somos todos profissionais, exercendo funções que existem e só existem para servir, quer seja a seus consumidores, clientes, pacientes, eleitores. Somos todos serviçais.

Precisamos romper com o ranço e peso da palavra serviçal e redimensionarmos nossa capacidade e prazer em servir.

Ter um cliente saindo do restaurante encantado com o serviço, com a comida, com a experiência naquele restaurante. Ter um consumidor encantado com a qualidade de atendimento de um vendedor que passa pelo approach, sondagem, informações sobre o produto, pagamento, garantias e termina, momentaneamente, no acompanhamento até a porta da loja, é sim, motivo de orgulho para o chef, garçom, vendedor, caixa, equipe.

Servir é preceito de qualquer bom profissional, e o prazer e o orgulho do que se faz são sentimentos obrigatórios para qualquer função. Quem não sabe servir, não valoriza quem lhe serve, a quem serve, o que faz e nem mesmo quem é.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

Sapo cansado!

Art 659 - Sapo cansado

 

O que faz o sapo pular, diz a lenda, é a necessidade. Cara gordinha, jeito folgado, perna cumprida, fica ali sentadão, por horas, em torno da luz, esperando um inseto dar mole…

Personagem comum aos contos de fada, sapos viram príncipes e alucinam princesas, os sapos estão por aí, cansados de serem negligenciados, pior, cansados de serem tratados como sapos.

Cada vez que uma crise se anuncia, renovam-se as esperanças, dentro de mim, que esse monte de sapo espalhado por nossas lojas, empresas e repartições públicas pulem. Pulem pra fora na direção exata de empresas que consigam vê-los como príncipes.

A crise tem o poder de transformar sapos em príncipes e príncipes em sapos, ou seja, a crise inverte valores que jamais deveriam ter sido invertidos, vendedores voltam a ser vendedores, e consumidores, voltam a ser príncipes.

É claro e evidente que não são todas as lojas, vendedores e marcas que olham e creem que consumidores são como sapos cansados, mas vamos combinar, estes estão por toda parte.

Vendedores, processos, sites, procedimentos, pessoas, ainda tem muita coisa o que melhorar e se vivermos em estado de desenvolvimento, seremos sempre vítimas de nossa própria arrogância, achando que prosperamos por mérito e não por inércia do mercado.

É indiscutível que muitos negócios, pessoas, sites e ven-de-do-res obtém crescimento por pura inércia mercadológica ou ausência de concorrência, ou ainda por pertencerem a uma marca nacional mais forte que a gestão local ou a um domínio mais inteligente que a ergonomia do site, e é claro, um produto melhor que o intermediário de venda.

Tudo isso ainda termina em bons resultados, quando o universo sopra à favor, mas quando o universo conspira negativamente ou vento sopra contra, aí, tudo muda…

A crise tem o poder de higienizar o mercado, a crise vai afetar mais fortemente todos os despreparados, os que não gostam do que faz, os que se veem acima de quem é atendido,  os que têm arrogância acima do cérebro, coração ou atitude, e a processos que tratem consumidores como mais um.

A crise apaga luzes e empurra naturalmente mais sapos para menos postes.

Na crise o dinheiro ganha valor, o que faz com que consumidores se sintam com mais valor e consequentemente exijam ser mais valorizados. Processos, pessoas e marcas precisam olhar para dentro e buscar respostas sobre o que elas estão fazendo no caminho de perpetuar um conceito aonde o consumidor ganhe destaque e posicione-se acima de qualquer outro valor, inclusive, lucro de curto prazo.

Lojas ainda insistem em olhar para consumidores como mais um. Mesmo diante da milésima venda da empresa, a centésima venda do vendedor, é preciso atentar que esta pode ser a primeira compra do cliente, ou ainda pior, a terceira ou quarta do cliente, momento em que o cliente já tem maior segurança e parâmetros para lidar e, principalmente, reagir à má venda.

Vendedores, processos e marcas precisam cuidar do acolhimento do comprador e parar de acreditar que o consumidor pertence a eles. Consumidores são entidades livres, etéreas, que não podem ser presos, confinados, apenas atraídos. Eles sobrevoam e jamais pousam, assim cabe a nós agradá-los, jamais agarrá-los.

Cadastros insuportáveis em lojas e sites, ao invés de conversas de sondagem ainda marcam o que deveria ser um “seja bem vindo”, e assim consumidores são tratados como sapos ao invés de príncipes.

Quem ainda acredita que no conto de fadas o sapo que recebe o beijo é o vendedor ou a empresa, ainda não entendeu nada. Nos que vendemos temos por principio, fé e prazer beijar sapos e transformá-los em príncipes, reis…vossa alteza é, e sempre será, o consumidor e nada como uma crise para fazer o sapo pular, de loja em loja, de marca em marca, de vendedor em vendedor em busca de beijos…prepare seu batom, o sapo está pulando e cada vez mais.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Sedução e mercado.

Art 658 - Mercado sedutor

 

Lingerie é sedução. Sedução para quem vê, veste, fabrica e vende. Cada um, seduzido ao seu modo, a lingerie parece ser o sonho de consumo de muitos, e talvez exemplifique como poucos, muitas das nossas essências humanas.

No mundo da sedução há (ou pode haver) prazer, frustração, competição, envolvimento, egoísmo, cooperação, exibição, voyerismo, entrega, amor, ódio e tantos outros sentimentos que se confundem e se esbarram em meio a corpos suados e expectativas de desempenho… mais ou menos como o complexo mercado da lingerie.

Deste modo há quem sonhe com a riqueza, quem torça para o tropeço alheio, há quem se dedique, há quem inveje, há luxuria, há fracasso…

Fevests a partes, o dia a dia das confecções ainda precisa melhorar muito, aliás, o dia a dia dos clusters ainda precisa evoluir muito por aqui. Em feiras, eventos, festivais e tantas outras boas iniciativas que acontecem em nossa cidade, ainda tem uma turma, e das grandes, que fica de fora, torcendo pelo fracasso e/ou se aproveitando de forma “esperta” de toda a inércia gerada por quem coloca dinheiro e a cara nas ações.

Moralmente duvidoso e mentalmente contraditório, tal postura demonstra o egoísmo e o estreito limite da cooperação e pensamento. Se para uma boa relação a cumplicidade e a paixão são necessárias,  para desenvolvermos o mercado não é diferente.

Isso acontece no polo de metal-mecânico, na lingerie, na gastronomia, no turismo e aonde mais se olhar de perto… A minoria realizadora é perseguida e pressionada pela maioria inerte que resmunga e se aproveita.

Empresas dedicam-se a capturar clientes, mão de obra, modelos de negócios, fornecedores de seus pares, ocupam-se tanto em prejudicar que não lhes sobra tempo para crescer, aprender, melhorar.

Diz o ditado que concorrente bom é concorrente morto, em uma versão que consegue entender que o mercado é segmentado, e nos é impossível cobrir todo o mercado, mesmo no limitado senso de um mesmo segmento, a versão acabada diz: concorrente bom é concorrente conhecido, parceiro, alinhado e qualificado. Concorrente o qual faz conta, não canibaliza o mercado, informa boas práticas ao mercado e tira, assim, poder do fornecedor ou cliente.

Qualquer iniciante em estratégia sabe o quanto o poder de barganha de fornecedores e compradores pode tirar de uma empresa.

Centrais de compras, de treinamento, de venda, alinhamentos de comunicação que fortaleçam o polo, mais eventos e festivais, desenvolvimento do conceito de polo e tantas outras iniciativas que exijam alinhamento são soluções poderosas para um mundo aonde cada vez mais o poder migra de indústrias e varejos, para alcançar compradores e consumidores.

A inventividade precisa transcender produtos e alcançar a gestão, assim como o sexo precisa alcançar o amor! Feiras, festivais, eventos e qualquer outra iniciativa, que gere centros de consumo e alinhamento de um setor, são iniciativas louváveis, necessárias e indispensáveis, mas acreditar que tão somente isso irá resolver nossa estratégia de longo prazo, é pura miopia, se não, cegueira.

Temos que parar de passar a mão no concorrente, aproveitando-se, e iniciar um processo de dar as mãos, cooperando. Novos polos de tudo, de qualquer coisa, de todas as coisas, surgem a cada dia, e o futuro não está garantido, nossa cidade ainda depende e dependerá por muito tempo de nossos clusters.

Podemos nos comportar como aproveitadores, podemos nos entender como apoiadores, ou podemos nos tornar, de fato, um time, aonde todos ganhamos, porque juntos, não somente somos mais fortes, somos imbatíveis.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Fevest – crise ou criação?

Art 656 - Fevest sem crise

 

Curioso como o mundo trama pela derrocada. Muitas vozes se levantam para reverberar problemas, poucas para solução e quase nenhuma alardeia as boas novas.

Num mercado com crise, mudanças são naturais, reorganização de modelos até então estáticos são imprescindíveis, e vender é tão necessário como sempre.

Como vender se há uma crise? É claro que Dilma e os 40 mensalões atrapalham muito nossa vida, e que tudo podia ser diferente, mas a pergunta persiste, como vender!?

Se o mercado de lenço vai crescer com tanto choro, é sinal que novas e muitas oportunidades vão se escancarar no mercado, buscar novos formatos é mais do que adequado, é imperativo.

Se para quem vende o mercado muda, para quem compra também, então feiras de negócios são sim uma ótima oportunidade de novos compradores conhecerem novos vendedores, mas se engana que o simples fato de estar no lugar certo, na hora certa, resolve.

Fato, feiras de negócios podem prosperar num mercado em mudança e quem estiver nelas também, mas é preciso criar alternativas. É preciso entender que as pressões que residem na indústria são nascidas nas pressões que cercam o comércio, assim gerar novas possibilidades para o comércio, gera vendas na indústria. Criatividade e investimento em possibilidades são indispensáveis.

A importância do polo de moda íntima para nossa cidade é de imensa relevância, qualquer movimento, seja ele verbal ou não, contrário ao seu sucesso deveria ser motivo de vergonha e banimento.

Muitas cadeias produtivas se beneficiam com a Fevest. Confeccionistas, suprimentos de enorme abrangência como: máquinas, linhas, bojos, lacinhos etc. Fornecedores outros como fotógrafos, agências, hotéis, restaurantes, comércio, táxis, costureiras etc generic sildenafil. Numa cidade aonde a economia nunca aponta novos caminhos, não podemos dispor de nossos clusters como confecção, metal mecânica, gastronomia, hotelaria…

Outro mérito do SINDVEST repousa no modelo criado e implementado por ele, faz anos, aonde padronizou stands e trouxe enorme conforto ao confeccionista, reduzindo drasticamente o custo (na verdade permitiu uma ação real de investimento ao participante) e elevou a competição entre os expositores a suas próprias condições, como produto, preço, prazo e não mais aos artifícios de stands monumentais aonde o foco do que se vendia se disfarçava e se perdia diante do que se ostentava.

Não consigo entender empresários olharem para a crise e se imobilizarem, assumirem uma posição do velho leão da montanha que resmungava sem parar: “oh vida, oh azar!”. Não existe momento mais propicio à exposição, à criação, à inovação do que a crise. Não existe iniciativa mais acertada do que estar diante do mercado e tornar-se alvo de seus olhares e necessidades. Se o mercado venderá menos calcinhas, conjuntos ou sutiãs importa, mas pode importar menos se a sua empresa vender tanto ou mais do antes, e não há melhor caminho para cumprir tal profecia do que jogar-se diante do mercado com criatividade e coragem.

Investir em visibilidade, em possibilidades é o único antídoto a uma crise, e não mover-se nesta direção é trazer para si a crise, é se autoinstitucionalizar em crise.

Talvez na verdade seja isso. Talvez o pessimismo que move tantas vozes tenha tomado mais que suas gargantas, tenha tomado seus corações e mentes, e a crise esteja dentro destes. Impedindo a criatividade e a coragem que fez de empresários, empresários!

Tudo que sei e que vejo é que o mercado que muda, sempre escancara oportunidades. E a pergunta “como vender?” se responde com iniciativa e criatividade; diante de crises e oportunidades é preciso fazer diferente, mais e melhor. Fazer parte da mudança é a única possibilidade de estar próximo das oportunidades e longe dos problemas.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

O marketing é preconceituoso

Art 655 - O marketing é preconceituoso

 

Nada melhor para os negócios do que um pouco de preconceito. Preconceito ajuda a criar claramente ideias e posições sobre pessoas, grupos, targets…

Não há nada mais errado do que acreditar que somos todos iguais. Somos, para o consumo, todos diferentes, quando muito,  parecidos, mas em muitos momentos grupos totalmente diferentes e quanto mais diferentes, melhor para as estratégias de comunicação baseadas em nicho ou diferenciação, aquelas que se focam em partes, segmentos e grupos.

Não se espante, caro leitor, com a ideia de preconceito. Preconceito não é achar que um é melhor que o outro, isso se chama ignorância, presunção, soberba. Preconceito é uma predefinição a cerca de um grupo, algo que nos ajuda a definir comportamentos, respostas de vendas e resultados de mercado.

Acreditar que somos iguais é desperdiçar oportunidades de mercado que podem ser culturais, de produto, de serviço ou de marca. Grifes de skate e surf giram muito dinheiro, exatamente, porque insistem em fazer de seus usuários, fãs, e os tratam como diferentes de todo o resto da sociedade, apostando num conceito de estilo de vida e de pensamento contrário ao vigente. Pura encenação, não cabe discutir agora, mas que rende muito dinheiro é fato!

Acreditar que negros são iguais e outros grupos étnicos é desperdiçar oportunidades de produtos segmentados aos cabelos e pele negra, por exemplo. Acreditar que crianças são iguais a jovens ou adolescentes é ignorar uma gama de oportunidades que atingem não apenas as crianças com brinquedos, canais de TV e artigos em geral, mas as mães e avós babões que compram dezenas de produtos e serviços, em especial para o primeiro filho e neto, respectivamente.

Na criação de estratégias de mercado, é fundamental conseguirmos agrupar perfis em fatos que possam torna-los semelhantes, assim definir o conceito de quem nos interessa e como atingi-los. Quanto antes esses conceitos possam ser definidos melhores, e portanto o preconceito é ótimo para os negócios.

Agrupar, dividir, reagrupar, separar, juntar é um exercício fundamental para que as estratégias de marketing possa direcionar informações de forma precisa e, portanto, mais barata e mais  rápida.

Quando a propaganda fala de um detergente, foca principalmente em mulheres, apesar de sabermos que homens compram e usam detergente, mas não convenceria nenhum comprador ou compradora um galã de novela falando de detergente (como se precisasse ser especialista para vender detergente). Quando se quer vender fralda a figura de um pediatra ajuda nisso, e ninguém pensa se ele tem ou não filhos e mais, ninguém usa uma garota de 18 anos para vender fralda, apesar de ser potencialmente possível estar na sua segunda ou terceira gravidez. Tudo isso são demonstrações claras do quanto somos preconceituosos e como as estratégias de marketing reforçam esse modelos mentais ou arquétipos.

O uso de imagens e comportamentos que façam sentidos para nossa sociedade e seu tempo social são indispensáveis para que mais produtos sejam vendidos e, também, melhores vendidos.

Cores, sons, linguagem, aparência, idade, renda, ambiente tudo pode ser convertido em elementos que geram atração ou repulsão em uma comunicação. E acredite, repulsão vende, sempre que quero me distinguir de um grupo, isso vai ajudar muito. Uma música clássica e um funk mudam totalmente o foco da mensagem. Isso é puro preconceito.

Como podemos ver, as decisões de mercado são pautadas não pelo simples processo de com quem queremos falar, mas com quem precisamos e com quem não queremos também.

Entender o processo de construção de uma comunicação e de seus influenciadores e decisores é muito mais complexo e muito mais construído do que parece ser.

Ao que tudo indica o preconceito ainda vai ajudar a vender muito produto, marca e serviços, não apenas porque nós ainda vamos continuar acreditando que somente determinados personagens podem gerar confiança para decidirmos sobre as coisas que queremos, mas também porque nosso próprio preconceito nos fará acreditar que precisamos de determinados produtos, serviços ou marcas.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

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