Arquivo para categoria: Uncategorized

Velhos problemas, novas soluções.

Art 668 - Velhos problemas

 

 

Tempos de crise parece sempre o momento certo para quem, mesmo no fundo do poço, consegue virar o jogo.

Vou contar a seguir uma história real e muito, muito interessante, que descreve a capacidade de enxergar em si, os outros, e de ver um problema comum de uma forma incomum, espero que sirva de inspiração, diante de tantos problemas que voltam a rondar nossas vidas e negócios.

Era uma vez três jovens que estavam sem dinheiro para pagar o aluguel e havia um grande evento na cidade, sendo assim a rede hoteleira estava lotada, e resolveram alugar cômodos da casa, como: cozinha, quarto dos fundos, a sala da casa. Enfim, fazer dinheiro.

Na virada de uma noite, surgiu uma versão rascunhada de um site, capaz de ofertar um colchão de ar, uma cama e café da manhã.

A expectativa dos jovens era conseguir outros três jovens que se sujeitassem a repousar sobre colchões infláveis em cômodos nada convencionais de uma casa, mas não foi o que aconteceu. Seus hóspedes foram um indiano, uma senhora de meia idade e um pai de família.

De um engano veio a constatação de que o mercado era muito maior que eles supunham e que as oportunidades estavam muito além do que fora limitado pela necessidade imediata.

Iniciaram a corrida a investidores anjos e conseguiram levantar dinheiro na quantidade necessária para montar um site que hoje é considerado a 19ª empresa mais inovadora do mundo e vale hoje um bilhão de dólares no mercado, a cidade era São Francisco e a empresa a AirBnB.

O site Airbnb (air, bed and breakfast ou colchão inflável, cama e café da manhã) é líder absoluto no mercado de locação por temporada e através dele é possível alugar parte de um lugar, ou todo o lugar, e ainda lugares inesperados como iglus, castelos, casa na árvore e suítes em aviões, barcos ou trens. Outra possibilidade é alugar um celular, por exemplo, junto com o quarto que escolheu no país que quer ir.

Presente em mais de 190 países e mais de 30mil cidades o negócio não apenas reinventou o conceito de hospedagem (sou usuário tanto como locador como locatário), mas fortaleceu um segmento de imenso crescimento que é o de economia compartilhada, onde bens e serviços passam a ser utilizados por muitos, fracionando sua posse e seu uso, permitindo que quem tem, ganhe dinheiro e quem usa, possa usufruir de algo que não quer ter permanentemente ou não pode possuir em tempo intergral.

A economia compartilhada ou consumo colaborativo está em franco crescimento, setores já sentem o peso do processo. Carros, motos, serviços, alimentos e, é claro, moradia são apenas exemplos de um caminho que parece sem volta, aonde se respeita mais os recursos finitos e amplia-se, e muito, a otimização e uso de bens e serviços.

Assim reforça-se a tese de que o importante é como vemos as soluções, não como vemos os problemas. Nada mais antigo do que ficar sem dinheiro para o aluguel. Uma nova forma de resolver velhos problemas é o único caminho para gerar novas e melhores oportunidades.

Se a crise bater a sua porta, confira, serão os mesmos velhos problemas, que exigirão novas soluções.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Álcool na mídia.

Art 667 - Álcool na mídia

 

 

Somos um país sem de muitas nacionalidades. Orbitando entre o Zimbábue e a Dinamarca, seguimos confusos, ou talvez até bêbados, com os contrastes entre legislação, mercado e consumo.

A Procuradoria Geral da República tentou, e perdeu, restringir a propaganda de cerveja e vinho na mídia, como acontece com bebidas de maior teor alcoólico. As bebidas com até 13 graus permanecem com liberação de propaganda a qualquer horário, incluindo a faixa entre seis da manhã até às nove da noite.

As bebidas de maior graduação têm diversas restrições de comunicação, como associar a bebida ao esporte, à saúde, condução de veículos e restrições horárias, por exemplo.

Mantida a liberação, nossos filhos, aqueles ainda crianças e adolescentes, continuam podendo, entre um desenho e outro, ou entre um filme e outro, ter contato com as cervejas e suas promessas subliminares de corpos sarados, mulheres espetaculares e muitos amigos.

A construção dos estereótipos, sempre tão bem utilizadas na publicidade, e tão mais ainda necessária quando o assunto é cerveja, é um prato cheio, ou melhor, um copo cheio na criação do mito e no reforço do mesmo, de que cerveja é o melhor meio de fazer amigos e ser feliz.

A publicidade vive dos estereótipos, que constroem modelos que são facilmente entendidos por quem a assiste e de forma evidente, mas não acintosa, cria mitos e consequentemente consegue que tais modelos de comportamentos sejam perpetuados.

De preço baixo, e culturalmente muito difundida, a cerveja ainda gira muito dinheiro e atende a muitos interesses quer sejam sociais ou econômicos. A cultura do boteco, do happy hour e do pileque que não faz mal, reforçam o álcool na juventude, no trânsito e em tantos outros lugares.

A guerra ao fumo mostrou sua eficiência e provou junto o valor da publicidade como fator determinante na geração de padrões de comportamento. Fumantes novos hoje são exceção, e ex-fumantes das antigas são regra, e a publicidade foi fundamental nesta mudança de cultura, comportamento e modelos.

Muito melhor que caçar motoristas nas ruas, quase sempre à noite, em blitz de lei seca, seria desencorajar o consumo de bebida através da restrição da publicidade explicita e da aceitação social que toda esta liberdade publicitária permite. Afinal se bebo cerveja na praia ainda de manhã, que mal há em fazer isso à tarde e também à noite?!

O álcool pode continuar fazendo parte de nossa cultura, e se posso expressar claramente minha opinião, faço votos, mas precisa ser uma decisão cada vez mais de adulto e cada vez mais restrita a ambientes, horários e momentos. A permissão de propaganda de cerveja em horários sabidamente dominados por crianças e adolescentes é algo que pode ser muito covarde.

A publicidade tem muito mais efeito que se imagina, e quase sempre é construída com pitadas de verdades existentes e pitadas de verdades que se deseja, e pouco a pouco vai ganhando representação em um comportamento. Mas a publicidade também é a representação de uma sociedade, de seus valores e preferências, claramente não caberia mesmo ao STF julgar a questão, mas sim a sociedade ter discutido o tema, mas pouco se falou disso, afinal, quem poderia trazer o assunto a discussão, ainda tem boa parte de suas contas pagas pelo álcool. Saúde!

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

 

Pais culpados, filhos mimados.

Businessman With a Pacifier and Bib --- Image by © Robin Bartholick/Corbis

Businessman With a Pacifier and Bib — Image by © Robin Bartholick/Corbis

 

Vivemos uma ciranda aonde cada vez mais precisamos trabalhar, porque as possibilidades de consumo cada vez mais se ampliam. Diante do aumento de coisas possíveis para serem compradas, maiores são nossos desejos, e quanto mais desejos, mais dinheiro precisamos, e na busca por mais dinheiro, menos tempo temos para usufruir daquilo que desejamos e de quem desejamos. Assim, filhos são adiados em tempo e em acesso, e por serem cada vez menos presentes, pais entregam cada vez mais presentes, para serem cada vez mais aceitos mais mimos são entregues, é uma troca por um tempo indisponível.

Vivemos a contra mão do LP. Somos um disco girando cada vez com mais rotação, cada vez mais rápido, com repertório cada vez menor e de pior qualidade. Repetimos uma música monótona que cantam por todos os lados, uma música que ajuda a vender livros, palestras, construir frases prontas, ideias para massa. É claro, numa sociedade que se interessa em massificar tudo, porque vende muito mais desta forma, meu filho, seu filho, e qualquer filho virou grão no pacote de farinha, virou produto de prateleira, virou commodities.

Deixá-lo ser feliz, dizem, todo o tempo, insistem. Crie-o para ser criativo, livre… Numa sociedade que cultua e venera jogador de futebol, cantor de música pop, traficante e sonha em ser político para encher a burra de roubar, não, obrigado. Algo me diz que esse padrão de massa está errado, e que não serve para nada que não seja criar massa, massa de manobra, massa de prateleira.

Longe das prateleiras e de olho nos nichos, quanto mais procuro pessoas que decidem, que ganham mais, quanto mais trabalho com grandes empresas, mais continuo vendo o bom e velho perfil de pessoas capazes, dedicadas e que sabem que um dia depois do outro é o único modo ainda capaz de pavimentar algo consistente.

Sem canções libertadoras, sem pegadas vitimizadoras, sem conversa de prateleira. Sem mimos, culpas e colos. Muito se fala da nova economia, que os jovens querem ter prazer no trabalho, que é preciso dar espaço… Isso não tem nada a ver com mimar, com indisciplina e vida fácil. Prazer é busca do ser humano sempre, mas acreditar que isso é possível todo o tempo, só mesmo nos livros e palestras.

De olho na chamada nova economia, vamos a alguns símbolos, ao seu inicio: Microsoft com Bill Gates, ou nos tempos de hoje, com Facebook através de seu fundador, Mark Zuckerberg ambos, são ex-alunos de Harvard. Vamos a Sergey Brin e Larry Page, os senhores Google, eles se conheceram no curso de doutorado de Stanford, tudo bem você dirá que aqui é diferente, vamos a Jorge Paulo Lemann, sócio da B2W, que é sócio do Submarino, Americanas, Shop Time, Sou Barato, Banco Garantia, Inbev, Burger King Brasil etc. formado na escola Americana do Rio, altamente tradicional e exigente, e é claro, em Harvard.

As conversas cheias de frases prontas, sonorizadas pelo rap da “coitadinha da criança”, vendem bem mais que livros e palestras, ajudam a vender também canais de exclusivos de TV, videogames e moda para quem não tem dinheiro, não tem palmadas, broncas nem qualquer responsabilidade, o mercado infantil prospera e o mercado futuro desaba. Crianças se tornaram seres frágeis, cheias de vontade e de desejos. O mercado agradece. Colo e culpa nunca ajudou tanto a economia presente.

Estamos educando gerações que já estouraram o alfabeto, com seus Xs, Ys e Zs, gerações cada vez mais fracas e despreparadas, cada vez mais iludidas com a linda ideia de que a vida imita o Facebook, aonde tudo é alegria. Ninguém mais aprendeu a lidar com frustração, contrariedade e obrigação.

O mercado vai ampliar em oferta, os filhos vão querem cada vez mais, o mercado vai sugerir cada vez mais, caberá aos pais decidirem se terão seus filhos em prateleiras ou em seus colos, ou se finalmente porão, seus filhos e filhas, sobre o chão para caminharem sozinhos sem culpa, sem colo, sem mimo, mas sob seu amoroso e preocupado olhar e tutela.

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

O Mundo não está ficando gay, mas sim chato.

Art 665 - O Mundo não está ficando gay

 

Na última sexta o Facebook resolveu celebrar mais uma conquista dos direitos civis nos Estados Unidos com um aplicativo que coloria os perfis. Acho uma conquista importante no quesito ao respeito e defesa dos direitos civis, mas eu não vou colorir meu perfil.

Nitidamente a maior parte dos perfis pintados não compreendia a natureza da conquista, fazia isso porque é legal ser descolado, porque vivemos num mundo que não se pode mais ter a própria opinião, mas tão somente a opinião que esperam que tenhamos.

A comunicação vem cada vez mais definindo comportamentos, de forma discreta e maciça, padrões são cada vez mais celebrados, padrões que não refletem quem somos individualmente, mas quem deveríamos ser coletivamente, ou, principalmente, alguém capaz de cultivar novos comportamentos e assim comprar novos produtos e serviços, sejam eles físicos, culturais, gastronômicos, sociais etc.

Nessa briga por novos mercados, mercados formados por massas igualadas e manobráveis, é inegável que crianças, adolescentes e jovens são mais suscetíveis a essas pressões.

Diante disso, crianças estão cada vez mais vulneráveis à mídia e os adultos cada vez mais chatos, sonsos e cínicos.

O sexo, e suas muitas derivações, virou mais do que o tema da vez, virou tema de vez. Excesso de visibilidade, excesso de exposição, excesso de detalhamento. O que era educação sexual está virando falta de educação! Deixou de ser uma decisão e valor do indivíduo para cair na prateleira de consumo, com muitas versões e possibilidades.

É curioso, como coisas comuns viraram problemas e problemas viraram coisas comuns.

O sexo foi banalizado, que outrora era convento, matança, desonra… Na outra ponta a implicância na escola foi nivelada ao status bullyng, a cantada no trabalho virou assédio sexual, o chefe exigente agora assedia moralmente…

Bullyng é algo muito grave, mas muito diferente de uma perturbação de criança. Quantas pessoas se conheceram no trabalho e se casaram, era um tempo aonde nem tudo era assédio sexual. Quem trabalha há anos e que não já tomou uns belos puxões de orelha e nem por isso está frequentando tribunais e psicólogos. As piadas hoje são sussurradas, porque são politicamente incorretas e qual a graça do politicamente correto? Aliás, política e incorreto é pleonasmo… Ops, isso é uma piada.

O que falar do meio ambiente, aliás, agora é ambiente, “meio” pega mal. Todos somos preocupados com o meio ambiente, a mídia massacra quem não for, mas pick-ups e viagens de avião, que despejam muito CO2 na atmosfera, são vendidas aos milhares. Produtos descartáveis inundam prateleiras e coleções de estações guarda-roupas. Na fila do banco todos querem ter mais de 65 anos, mas nos consultórios de cirurgiões plásticos todos querem ter 20. Mundo complicado!

Consumimos produtos sem conhecer a origem, sem saber se tem trabalho escravo, trabalho sub-humano, matéria-prima extraída ou manipulada de forma irregular, mas postamos na rede social (dá muito menos trabalho que ir às ruas) pelo fim do trabalho infantil e a favor dos ursos pandas e baleias.

O mundo anda muito estranho, são tantos comportamentos contraditórios, o consumo nos empurra a ter cada vez mais, e a natureza tão nossa amiga, em redes sociais e nas conversas entre amigos, clama por cada vez menos. Mas o que importa? Cada vez mais colorimos perfis, cada vez mais repetimos a opinião dos outros, e num mundo aonde os adultos usam apenas a opinião dos outros, às crianças não restará nenhuma, exceto a que a mídia produzir, ora colorida, ora preta e branca, mas sempre, sempre chata, morna e que atenda a interesses bem maiores.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Concorrência é um saco!

Art 664 - Concorrência é um saco

 

Diz a lenda que concorrente bom é concorrente morto. Quando se estuda uma matriz de consumidores, há um tipo solitário que fica com alto desempenho no quesito fidelidade apesar de baixíssima performance no item satisfação. Esse personagem de história de terror é o chamado consumidor Refém. Ele vive deste jeito, triste e em retidão, por conta de fatores que quase sempre se baseiam em contratos com multas pesadas ou monopólios, mas também pode ser concessões ou ritos práticos. Todos os meses em muitas agências de lotérica ou bancárias empoleiram-se clientes do serviço pagamento, como se pagar não fosse por si só um maltrato, é preciso entregar-se a 40, 60 minutos de fila, todos os meses. Revistados, preteridos, entalados em portas giratórias, tudo para pagar uma conta ou receber uma aposentadoria. Mês a pós mês o mesmo rito. Todos os meses, a quem receba uma fatura aonde paga por água e esgoto, e por vezes recebe água e ar. O que dizer da telefonia fixa? Experimente um problema, e você descobrirá que para começar a reclamar, já será necessário esperar uma hora, o que já é motivo de sobra para outra reclamação. O que dizer de um negócio aonde você submeta seus clientes a um único dia de marcação no mês, por um único processo, o telefônico, por exemplo, e o subjulga a uma maratona de tons de ocupado que culminam com um atendente indiferente, doutrinado por seu líder, que informa que agora só no dia primeiro do próximo mês você poderá tentar uma consulta para daqui a três meses. Imagine um mundo sem concorrência e com contratos que obrigue seu consumidor a pagar por um serviço que custe quatro meses de trabalho de seu cliente e que quando o desafortunado for consumir, tenha avisos espalhados, por todo o atendimento, lembrando-o que desacatar um funcionário seu, pode resultar na prisão do cliente mal atendido. Ah mundo dos sonhos, voltar a dormir como uma criança, sem preocupações com a satisfação do meu cliente! Realmente o mundo perfeito existe, num mundo sem concorrentes, e cheio de superpoderes e superintendentes, há tantos outros serviços aonde não há escolhas, alternativas ou esperança. No mundo real, feito por nós mortais, seria impossível prosperar ignorando o conforto de nossos clientes e submetendo-os a rituais mensais de espera, desconforto e detectores de metais. Fico imaginando o que seriam de empresas num mercado de livre concorrência que pudessem não entregar sempre o prometido e entregar às vezes o que jamais foi pedido nem desejado. Quais as chances de uma empresa não estar pronta a evitar reclamações e também a ouvi-las? Teria essa empresa chances reais de prosperar? Qual boutique, loja, lojinha, ou mesmo uma simples carrocinha de cachorro-quente não sonharia em trabalhar mal e segui em paz. Imagina a carrocinha poder entregar uma salsicha pequena, cobrar por uma grande e ninguém poder reclamar? Imagine-a com um cartaz: reclamar da salsicha dá cadeia! É… um mundo sem concorrência ou com contratos unilaterais cria um mundo dos deuses a quem vende e um inferno a quem compra. A cultura do marketing, ou seja, orientada a clientes, ainda é muito incipiente e muito concentrada na iniciativa privada e em mercados de alta concorrência. Por mais que o marketing foque em resultado, ele compreende que a salvação se dá por um bom relacionamento com seu cliente. Ao que tudo indica a natureza humana, tão evidente na natureza dos negócios, ainda permanece focada apenas em si, ignorando qualquer outra necessidade, qualquer outro ator envolvido no processo. Parece que nossa natureza é composta mesmo por dois seres, Yin e Yang, bem e mal, sapo e príncipe, comprador e vendedor, e nesta mesma lógica, queremos ser vendedores num mundo de monopólios e comprar num mundo de livre concorrência. A julgar a rentabilidade dos monopólios e as altas concentrações do capital, parece que seremos todos escravos de um mundo sem concorrência. “Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Limonada e oportunidades.

Art 656 - Limonada e Oportunidade

 

Crise é igual ao conceito de concorrente. Melhor sem, mas já que existe, tiramos proveito. Limonada é a palavra de ordem, afinal se o horizonte são limões, que façamos limonada.

A primeira característica de uma crise, que pode ser muito vantajosa, é peneirar o mercado. Só os fortes, os mais bem adaptados saem saudáveis de uma crise, ou ao menos vivos. Os lentos, os frágeis e ultrapassados tendem a morrer. Outra grande característica de uma crise é a mudança de status quo, ou seja, o que deu certo até agora, pode ser que não dê mais, isso permite oxigenação do mercado, novas mentalidades, mais bem adaptadas à nova e mutante situação.

Portanto acredite, seu negócio pode estar ameaçado ou com uma grande oportunidade pela frente. Seu concorrente pode ser seu algoz ou finalmente vai sucumbir frente a essas dificuldades, deixando tudo limpo para o próximo ciclo de crescimento que deve recomeçar em um ano e meio ou dois.

De cara o que conseguimos ver é como uma crise modifica o mercado gerando alegria de outros mercados que prosperam na crise. Transporte público se amplia na crise. A falta de dinheiro que banque o combustível nosso de cada dia, empurra multidões a mais para dentro de ônibus já lotados click this link now. Venda de consórcio prospera, na mesma perspectiva. Com a alta dos juros a taxa de administração, relativamente, abaixa e torna um produto ruim, “menos ruim”.

Deste modo é preciso entender que o mercado não acaba, ele migra, muda, modifica e se ajusta, sempre se ajusta.

Viagens ao exterior serão fortemente prejudicadas pela alta do dólar, mas viagens no Brasil tenderão a crescer. Férias de final de ano serão no Brasil para quem ia ao exterior, e serão no próprio estado para quem ia para outro estado, o que é ótimo para o mercado interno do turismo. Novos clientes, portanto, serão conhecidos, talvez clientes um tanto frustrados, é verdade, mas clientes.

Claro que há uma imensidão de problemas nisso tudo, e que muito do que estamos passando e vamos passar é consequência de uma péssima administração motivada por objetivos eleitoreiros e que poderiam ter sido evitados, mas se o que nos restou foram limões e roubalheira, que façamos limonada e pensemos 10 vezes antes de reeleger qualquer um que fez parte de tudo isso.

O mercado está se reorganizando, o consumidor está reaprendendo a consumir, reescrevendo sua lista de prioridades e interesses. Quem fez um bom trabalho de fidelização durante os bons ventos tem mais chance de ser guardado na nova lista de prioridades durante o mormaço. Marcas de maior força no mercado terão maior lembrança e maior desejo e preferência. Quem tem dinheiro em caixa, poderá anunciar numa relação custo x beneficio melhor agora. Se não por melhores preços, por um momento de mídia mais limpa e menos concorrida. Pode ser a hora de ser um ícone de desejo, quando a maré virar, multidões virão em busca de sua marca, produto ou serviço.

O consumidor em mudança migrará de mercado, penetrando em novas searas e conhecendo e experimentando novos produtos e marcas, por força de um orçamento menor ou nova vizinhança, novos percursos. O mercado de autoestima tende a crescer, diante de ausência de prosperidade na própria vida, um banho de autoestima pode compensar altas doses de frustração. Lembre-se. Haverá oportunidades!

O fato é que não gostamos de mudanças, em especial mudanças que tiram de nós, conquistas, mas mudanças trazem oportunidades, e oportunidades são um futuro por escrever. Portanto peguemos os limões e a caneta, e vamos escrever um futuro melhor do que andam planejando para nós, regado a uma doce limonada.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

Problema nunca foi problema!

Art 651 - Problema nao eh problema

 

 

 

Vender água para quem tem sede é fácil, e definitivamente 2015 e 2016 não serão anos fáceis, portanto vender o que é difícil será o grande desafio, aliás, vender não será apenas o desafio, mas receber.

O fato é que vender aquilo que, aos olhos de um mortal comum, seria invendável está cheio de casos por aí. Sim, acredite. Há dezenas de coisas que compramos ou almejamos comprar que não são, nem de longe, algo que fora de um contexto cultural, habitual ou excepcional, estaria em nossa prioridade ou mesmo lista de compras.

Em última instância, pagamos sabendo que teremos medo, dor, arriscamos nossa vida metaforicamente ou realmente, e pagamos! Em outras situações pagamos não pelo risco, mas nos submetemos a essas injúrias, ou seja, nos submetemos à dor, ao medo, ao risco de morrer, tudo em nome de um beneficio que nossa cultura valoriza ou nós realmente acreditamos ser produtivo.

Escalada, voo livre, montanha russa, trem fantasma, depilação, cirurgia estética, refrigerante são exemplos de comportamentos que assumimos o compromisso de pagar, experimentar e reverberar porque há valor associado a eles (quase sempre cultural), porque de alguma forma há um reconhecimento ou um benefício que supera os problemas vinculados ao item, ou simplesmente porque estamos inercialmente acostumados a utilizá-los.

Quando saltei, a primeira vez, de paraquedas, lembro-me de meus pensamentos contundentemente me questionando, sob o vão que me separava de onde aparentemente nunca deveria ter saído e daquela frágil asa que me apoiava, me questionava sobre quais razões existiam para que eu tivesse acordado decidido a me jogar de um avião a 3 km de altura do chão e aceitar o risco de uma mochilinha nas costas abrir ou não. E a resposta veio na forma de superar meu medo de altura, de viver o que ainda defino como “a melhor coisa que se pode fazer vestido”, e sobre quantas pessoas desta ou de gerações passadas gostariam de ter vivido isso e não puderam, quer seja por oportunidade, dinheiro ou tecnologia. O fato é que os benefícios geraram uma cegueira momentânea no processo decisivo e anularam os problemas ou simplesmente os superaram, no resumo os custo (financeiro e/ou operacional foi menor que o benefício).

O mesmo acontece com tantos outros serviços que consumimos. Uma cirurgia estética, por exemplo, aos olhos de quem a faz, supera de longe os riscos cirúrgicos e custos intrínsecos ao procedimento. Levar milhares de agulhadas e ter sua pele marcada para sempre parece ser pouco para quem consegue deixar em sua pele uma marca de suas crenças, tatuando-se.

2015 e 2016 serão anos de vender benefícios como não se faz há muitos anos. A redução do capital circulante e da disposição de gastar o pouco que se tem ou o que se terá, vai exigir uma estratégia capaz de retornar ao consumidor benefícios muito maiores que a eventual paz alcançada pela segurança do dinheiro guardado ou da compra de um produto concorrente. A disputa pelo dinheiro vai alcançar níveis mais competitivos e privilegiar estratégias que destaquem suas qualidades ainda mais, ou anulando as dificuldades ou cegando tal peso no processo decisivo. É preciso não limitar-se aos problemas do produto ou serviço, mas focar e valorizar as qualidades possíveis de se ofertar ao seu consumidor, e lembre-se, 2015 e 2016 não será hora de se jogar não, mas é bom ter um paraquedas se o avião começar a cair.

 

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

2015 vai ser difícil…

<img class="aligncenter wp-image-4021 size-full" src="http://targetcomunica cheap generic viagra.com.br/wp-content/uploads/2015/01/inndignados-governo-povo-impostos-indiretos-e1421926132562.jpg” alt=”inndignados-governo-povo-impostos-indiretos” width=”365″ height=”250″ />



O cenário que não era bom aos poucos vai ficando pior. O governo mantendo a teoria de problema dele é problema seu, ao invés de realizar os ajustes fiscais que deveriam incluir a redução de gastos e o sufoco da corrupção, optou por frear consumo e ampliar impostos, desta forma, você agora é mais sócio do que nunca nesta armadilha presidencial.
No consumo isso vai esbarrar em perda de poder de compra e consequente redução do compraremos, empresas com dificuldades financeiras tendem a ter seu cenário agravado e a perfeita e profissional gestão será imprescindível. Consumidores enrolados estarão ainda mais enrolados. De uma forma ou de outra 2015 e 2016 serão anos de uma realidade difícil e que poderá ser um divisor de águas para muitas empresas e pessoas, pois navegar com vento é fácil, difícil é no mormaço ou tempestade! Veem os raios!?
Outro imenso risco é o aumento da inadimplência, pois o brasileiro não é o cara mais organizado sob o ponto de vista financeiro, não é um poupador, e nem o mais controlado quando o assunto é comprar. Assim vender pode não ser difícil, mas receber pode ser uma tarefa árdua. Leis que vitimizam o consumidor e transformam o empresário em único responsável pelo processo da venda ameaçam constantemente a saúde financeira das empresas e sobrecarregam os bons pagadores, que assumem compulsoriamente o custo de quem não paga. Este ano o consumidor poderá gerar imensa dificuldade em pagar, visto que está habituado há anos a comprar ininterruptamente.
O crédito está mais caro e não é momentâneo, mas sim uma tendência, financiar será cada vez mais proibitivo, assim comprar itens de grande valor será tarefa mais difícil e uma oportunidade para quem tiver reservas. Alguns segmentos tendem a ter forte queda e outros, pequena redução. Mas o cenário, não se engane, é de redução.
O emprego é outra ponta importante que ameaça o consumo. Com queda nas vendas e no consumo, o emprego reduz, a vaga adia, a promoção esfria. Um cenário mais difícil traz uma grande inversão no processo do emprego e qualificação voltada a resultado e produtividade são diferenciais indispensáveis. O trabalhador que já tem dívidas pode ter problemas se perder o emprego, então a palavra de ordem é não se endividar.
A publicidade e as ações de promoção devem crescer, e muito, afim de disputar os poucos bolsos e os raros reais disponíveis, e as ofertas também devem se tornar cada vez mais tentadoras, mas o cenário é de fato complicado, pois os custos do país só aumentam e a pressão dos importados permanece alta.
A indústria nacional ainda é pouco competitiva tanto em produtividade como em custos diretos e indiretos. O empresário que não fez reservas nos tempos mais fartos que se viveu (e que duraram artificialmente mais, para garantir uma reeleição) terá sérios problemas para se ajustar nestes tempos de mais impostos, menos crédito e menos vendas.
Ano novo, novos tempos. 2015 não é o fim dos tempos, mas certamente definirá novos tempos, mas tão pouco será tempo suficiente para por em ordem as consequências de problemas que ainda não foram sequer tratados. O governo arrecada muito, gasta mal, a corrupção fica com a maior parte e o contribuinte que também é consumidor paga toda a conta. Enquanto o país não cuidar de gastar menos e honestamente, não aprender a investir de forma certa arrecadando menos, nosso consumo continuará a pagar propina, nossa comida pagará o déficit da Petrobrás, nossos serviços sustentará quem mama no governo e nosso trabalho servirá para pagar impostos. Não sei se cabe, mas feliz ano novo!

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunica.

Estética mortal

Art 642 - Estética mortal

 

 

Vivemos sob a ditadura do consumo e sobre o totalitarismo da beleza. Nada é mais difundido, exigido ou mais massacrante do que a necessidade de beleza e suas consequências. A busca de um padrão estético que não é seu ou meu, mas de terceiros, é a grande caminhada de nossa humanidade e maratona é ter dinheiro para comprar tudo isso.

A cada semana novos e escandalosos casos de mortes ou problemas sérios, sejam eles em mesas improvisadas de cirurgia com falsos especialistas, em prontos-socorros, com produtos de uso industrial, sem prescrição, sem liberação da Anvisa ou em doses absurdas acontecem. Os problemas não param, alcançam dietas milagrosas, bulimia e outros tantos horrores como os de ordem psicológica, tudo porque nossa sociedade cultua a estética acima de qualquer outro valor.

Inteligência, bondade, honestidade, saúde… nada é mais potente que beleza. Assim nossa sociedade constrói os heróis sempre bonitos, eles sempre ficam com a mocinha, o bonito é quem anuncia o produto, é quem ganha a torcida ou acaba sempre com o final feliz nos filmes. Até, quando o jornal mostra que um bonito morreu, o coro do “que pena” se fortalece.

Esse é o maior de todos os bullyings, o maior racismo vigente, o maior preconceito de todos. Nossas crianças estão sendo massacradas por propagandas que exigem estética, que semeiam que as oportunidades só acontecem para as bonitas, para roupas que só vestem “gostosas” e “sarados” e por brinquedos como “Barbies magrelas” focados em cosmética e autoimagem.

Nada contra magrelas ou gorduchas, o que está errado é criar um conceito que iguala a todos num único saco de gatos e nos promove a serem estéticos e não mentais, espirituais, sentimentais etc. Este truque faz com que todos corram buscando esta estética e jamais acharam, mas muito dinheiro vai rolar e o mercado precisa disso.

Na sociedade das selfies aonde por nada todos se autofotografam e disputam elogios estéticos a indústria da beleza determina e sentencia a todos a pertencer a um dos dois e opostos grupos: egocêntricos bonitos e o resto.

A beleza de ter sua própria idade virou vergonha e meninas de 10 anos já acreditam que são imperfeitas (o que é fato, afinal todos somos) e acreditam ainda que isso é uma maldição, acreditam estar marcadas para jamais serem amadas, desejadas, queridas porque seus seios são maiores ou menores, suas coxas são mais ou menos, ou seus cabelos têm ou não tem, e seus espelhos só mostram defeitos e a competitividade com a colega de sala, a menina da revista e amiga da mãe só a frustra e transborda e sobrepõe a amizade e a esperança.

Enganar a idade, enganar a genética, enganar a si, vamos enganando a vida, seu propósito, e nos esquecemos que estética não permite enganar a morte.

As pessoas parecem tão preocupadas com a imagem que tem de si que esquecem ou simplesmente já não importa a imagem que projetam para os outros. A beleza é ótima para os negócios, mas não para as pessoas.

Aprecio o belo, mas não consigo concordar com uma sociedade que promove a beleza acima da boa vontade, educação, conhecimento, honestidade etc. e não acredito que é a beleza pela beleza, mas sim que é a beleza como negócio.

Pessoas morrem em nome da beleza, quando o que há de mais belo é viver. Pessoas passam a vida em busca de uma beleza de si e esquecem que a beleza está em viver a vida. Pessoas dedicam mais dinheiro e tempo à beleza que ao espírito, a família ou ao conhecimento… e ainda dizem que a mídia não tem poder…inocentes!

Claro que a mídia potencializa o Narciso que mora e vive dentro de nós, mas esse instinto tem que ser vencido pela fantástica experiência que é viver. Neste fim de ano, espero que mais pessoas projetem para o próximo ano metas para si, para sua saúde, para coisas, itens ou serviços, que sejam, para tudo que faz de nós conteúdo, menos foco naquilo que faz de nós embalagem, e sobre tudo que não morram em nome de uma estética duvidosa e impessoal. Espero que em 2015 as pessoas lembrem que morrer é feio e beleza é algo pessoal, é de cada um.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunica.

 

 

v

Slogan – Eu quero um pra viver!

mapa de marcas

 

Parafraseando Cazuza em ideologia: “slogan eu quero um pra viver”. Slogan é uma frase de efeito que busca sintetizar a essência daquilo que uma empresa faz ou promete entregar, ou ao menos espera que você aceite e deseje. Esta palavra é oriunda da expressão usada por clãs no passado para inspirarem seus combatentes em suas guerras. O fato é que a guerra mudou pouco nestes muitos milhares de anos que se passaram, os soldados continuam morrendo e os generais fazendo os acordos.

De volta ao presente, é cada vez mais comum vermos muitas empresas adotarem slogans em inglês. Grandes exércitos de marcas e produtos adotam um conceito de uso mundial da marca, cada vez mais marcas estão unificando seus slogans para e no mundo, não mais para o país onde esta comunicação está sendo veiculada.

A Nike anos atrás adotou o “Just do it” e começou a usar para todo lado. Aos poucos novas marcas estão fazendo o mesmo. Marcas de carro, que presumem ter um nível melhor de consumidores, apostam cada vez mais em slogans em inglês e usam cada vez mais em todos os seus materiais, sejam eles TV, folheteria ou jornal.

Como brasileiro não tenho nenhuma vocação ufanista, acho que buscar em cada cultura o que ela tem de melhor, é uma sabedoria, assim não acho errado o uso de expressões ou palavras em outros idiomas, fato inclusive comum em diversos lugares do mundo, mas num país aonde não se fala a língua materna direito, tem gente demais querendo falar inglês.

O fato é que quase todas as cabeças que comandam os pés que calçam os Nikes não fazem ideia do que significa o “Just do it”, a enorme maioria de pessoas que usam roupa da moda escrita em inglês não faz ideia do que exibem em suas camisetas. Como especialista em marketing, tenho o hábito de questionar e analisar decisões de consumo, e já peguei muita gente boa com camisas que contrariam seus próprios valores.

O que se conclui, de modo geral, é que a comunicação não acontece apenas pelas palavras, através de seus significados objetivos, mas pela representação que ostenta, e aí sim, nossa cultura tupiniquim, vocacionada para idolatrar os estrangeiros desenvolvidos (vamos combinar não somos igualmente gentis com os sul-americanos como somos com europeus e norte-americanos) aceitamos docemente qualquer bobagem escrita em inglês, qualquer slogan em inglês. Soa chique escrever music, mas música fica bobo. Webstore fica show, mas loja de internet fica cafonérrimo. Esteja preparado para ser ridicularizado para chamar seu tablet de tablete, por exemplo.

O fato é que as grandes marcas definiram sua estratégia global de comunicação mirando uma padronização e acertaram numa cultura que venera o estrangeiro, que entende que, mesmo sem entender, parece bem melhor deste jeito.

Os reflexos são alunos e mais alunos estudando inglês; mesmo que muitos jamais vão precisar do idioma e muitos outros jamais vão aprender. Fórmulas mágicas que prometem resultado em 12 ou 18 meses, estão espalhadas por todo lado. A cultura do urgente alcançou o ensino. Ensino formal também, aonde escolas ditas tradicionais agora vendem conceito de bilíngues mesmo sem apresentar qualquer conteúdo formal em inglês (fato obrigatório para ser bilíngue).

O desespero é que boa parte destes seguem sem saber português, sua língua materna, não entendem, não interpretam, não escrevem e não leem. O que dizer da universal matemática? Dividir é um mistério e percentual é algo inexplicável. Seguem sem estudar lógica ou filosofia que podem resultar em oportunidades muito mais importantes para formação de uma pessoa, de pessoas que sejam novamente capazes de duvidar de slogans e construir seus próprios lemas, de lutar suas próprias guerras, de escolherem seus próprios clãs.

O processo de “idiotização” interessa ao consumo e estamos perdendo essa batalha. O conceito vai à exata direção do “Just do it”. Não pergunte, não questione, não duvide: Just do it!

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

2017 - Desenvolvido por TargetComunica© - Todos os Direitos Reservados