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Escolhendo o Adversário.

Art 633 - Escolhendo o Adversário

 

Por que o PT bateu tanto em Marina? Sem dúvida alguma, tudo isso ajudou muito Aécio a assumir a segunda posição, é indiscutível esse aspecto, mas até que ponto isso ajudou o PT? Essa é a discussão no marketing político.

Aécio precisou de nervos de aço para suportar o ritmo normal da população em esquecer a comoção do acidente, do então candidato Eduardo Campos, e retornar ao duelo, já sabido e esperado desde o inicio, que seria PT x PSDB ou Dilma versus Aécio.

A queda do avião de Eduardo Campos, ironicamente, deu vida à candidatura de Marina, não somente nesta eleição, mas como liderança política do país pelos próximos anos, próximas eleições e neste segundo turno em especial. O ataque do PT foi muito mais do que uma ação desnecessária ou pessoal, foi sobre tudo estratégica.

Será que o PT errou fazendo ataques? Suas chances eram bem maiores contra Marina, num segundo turno, do que contra Aécio sob o ponto de vista de poder político, então porque o PT fez o que fez? O PT deveria ter deixado o serviço sujo, de bater, para o PSDB, mas não sei se por hábito ou por vingança pessoal, fez o serviço sujo já em primeiro turno e agora a sujeira encardiu.

Marina vinha numa estrutura que não era dela, mas de Eduardo; com partidos que não necessariamente a queriam encabeçando a chapa, com proposta que não eram todas dela, mas da composição, com discursos que foram necessários ajustar na última hora. Ela tinha fragilidades que num segundo turno podiam ser atacadas, porque o PT precipitou tudo isso, essa é a charada?

A resposta reside em “fidelidade”. Certamente fizeram isso por que sabiam que os eleitores do PSDB jamais votariam em Dilma, mas os eleitores de Marina estão mais propensos a votar nela. Assim a escolha de ter Marina fora era a esperança de obter votos a mais num segundo turno. Isso explica a conduta.

O PT desistiu de seguir enaltecendo a si mesmo, dizendo o que fez nos últimos doze anos e prometendo fazer em quatro o que não fez nestes doze, mas desviou-se e muito, e usou parte significativa de seu tempo na TV para atacar seus oponentes, num aparente clássico erro de liderança: atacar o segundo (e terceiro) colocado.

Seus ataques por mais que ameacem ter fechado as portas na aproximação entre eleitores da Marina e PT, entre partidos coligados e PT, o PT fez o que precisava fazer para ter chances de ganhar essa eleição. Seria impossível converter eleitores de Aécio, por isso trazê-lo para o segundo turno era vital para o PT.

Na política partidária tudo se resolve com ministérios, mas com o eleitor, em especial da Marina, que é mais volátil e sofre, como todos os demais eleitores, de memória fraca, o PT aposta na conversão destes para o partido neste segundo turno. Se Marina não se posicionar o PSDB vai precisar de muito mais que propostas e denúncias para levar essa eleição.

Se o PSDB puder, vai usar cada ataque do PT, apesar de seu telhado de vidro, para relembrar os eleitores de Marina, como o PT agrediu Marina, vai mostrar que o PT é vilão e como caberá a ele, Aécio, derrotar a mesmice, a continuidade. O PT já entendeu o grito de mudança e vai prometer mudança, alias segundo turno vai ser de promessas!

O show vai começar agora! Promessas apelativas, compromissos que jamais serão cumpridos, muita imagem de criancinha sendo abraçada, muito pobre sorrindo com dentadura comprada, muito ator disfarçado de empreendedor e trabalhador vão poluir o vídeo do horário político gratuito de televisão.

Num país que ainda tem 14 milhões de analfabetos absolutos (que o PT ajudou a aumentar) e 33 milhões de analfabetos funcionais (incapazes de entender o que lê e principalmente criticar) a linguagem de novela, de show televisivo ainda decide muito mais que propostas consistentes. Entre ataques e encenações o Brasil ainda vai ficar na mão dos marqueteiros das campanhas.

Num país aonde se reelege Tiriricas pelo Brasil a fora e esposas de candidatos fichas sujas nosso Brasil segue rumo ao segundo turno, e até dia 26 de outubro muita água vai correr, seguiremos com a certeza apenas de que o show não pode parar, o fato é que 22 milhões de votos estão voando e o PSDB precisa de metade disso só para empatar. É a outra metade quem vai decidir… Ao que parece o PT escolheu seu adversário, agora, é preciso que o eleitor escolha seu presidente.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.”

 

 

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