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Esse ano já acabou!

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Diz a lenda que o rico trabalha pouco e pobre trabalha muito. Nesta lógica somos ricos, muito ricos. O consumo precisa mesmo de ricos, de dinheiro para consumir produtos e serviços. Somos ricos! Duzentos e dois milhões de ricos.

Na verdade a cada dezoito segundos aumenta em mais um o número de brasileiros, segundo o IBGE, então, mais um rico está disponível no mercado a cada 18 segundos.

Afirmo que somos ricos, dado o modo requintado e despreocupado como lidamos com o dia-a-dia dos compromissos, enquanto o mundo gira; o Brasil para.

Durante a copa a população brasileira aumentou em quase uma Nova Friburgo, mais precisamente em 144 mil brasileiros a mais para comer, vestir, ser medicado, mover-se, sujar, receber seguro desemprego… porque convenhamos a economia não cresce neste ritmo. Nada acontece de bom neste ritmo.

Vejamos 2014. O ano que começou em março, dado o “atraso” do carnaval, seguido por um abril recoberto de feriados e um maio pré-Copa. O que dizer de junho e julho? Seguem no ritmo da seleção brasileira, uma verdadeira pelada. E o que esperar do segundo semestre? Eleições, final de mandatos, festas de final de ano! O que esperar?

A economia rateia, derrapa, estaciona, recua! 17% a menos de crescimento no índice da ANFAVEA, um dos melhores termômetros da economia de um país (o desenvolvimento da indústria automobilística).

O empresariado está imprensado com os altos custos do emprego e comercialização, e pouca produtividade e nenhuma política de desenvolvimento.

Como o mercado consumidor consegue suportar tamanha inércia!? O marketing tem limites no impulso ao consumo! Marketing não é mágica, é estratégia. Liberação de crédito e surtos de redução de IPI (tudo o que país tem feito) funcionam por algum tempo, são táticos e não estratégicos, pois não são estruturantes.

Qualquer empresa que já baixou preço para fazer caixa descobriu que em pouco tempo que essa redução não estrutura consumo, apenas adia o verdadeiro problema de não possuir mecanismos consistentes de venda. Conceitualmente vale o mesmo para o país, estado, município.

Profissionais liberais, empregadores e todos que dependem de tempo de consumo estão imprensados num ritmo de país rico, recoberto de feriados, eleições, eventos culturais e esportivos. Seguimos apoiado sobre um gramado cujas as placas estão soltas, frágil e feio de campo de várzea.

O ano não só não começou ainda, como já acabou! 2014 já era para muitos segmentos. Segmentos que empregam, que investem, que ditam ritmo de crescimento e entusiasmam e orientam grandes investimentos.

A cultura corrupta do país para a economia no pré-campanha. Paralelo a isso, os grandes blocos de capital do país não investirão neste final de mandato e nem no inicio do próximo, até sentirem a que veio o novo governo.

Assim 2014 já acabou e 2015 já começa trôpego. Mas seguimos ricos, podemos esperar, esperar o Brasil ser o país do futuro. O Governo federal teme que os efeitos da surra vergonhosa que tomamos contra a Alemanha traga perdas eleitorais e tenta se descolar da pífia campanha da seleção. Até o momento o esforço do governo federal permanece com o foco em seu próprio umbigo e cuida para que ele saia ileso, ainda que isso custe bem mais que os 26 bilhões de reais já gastos no mundial.

Mas não se preocupem, somos todos ricos, e quem precisa deste dinheiro todo? Que diferença faz um ano a mais, ou um ano a menos? Que venha 2016…. Ah… tem olimpíadas! Glup!

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunicação.”

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