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Marketing Político: tempo de Kinder Ovo!

Art 626 - Marketing Político

 

Essa semana em entrevista ao programa Cidade Real, na TV Zoom, fui sabatinado por telespectadores sobre os efeitos do marketing político no processo das eleições.

É curioso como tudo referente ao marketing assume certa áurea de pecado, como se o marketing não fosse coisa do bem e ao mesmo tempo fosse capaz de resolver tudo sozinho, ou seja, pudesse resolver todas as mazelas dos candidatos e transformá-los em deuses.

Nem tanto ao céu, nem tanto a terra. O marketing tem sim o poder de melhorar uma história, a capacidade de alterar percepções, de emocionar, convencer, de assustar…mas tudo isso acontece não porque o marketing é mágico, mas porque nós somos fracos, persuadíveis e altamente voláteis.

Se nas prateleiras embalagens, cores, letras e preço fazem a diferença no apelo de venda, sorrisos, promessas, óculos e roupa faz diferença no que ouvimos de um candidato. A palavra “ouvimos” foi cuidadosamente escolhida na frase anterior, porque quase sempre não importa o que se diz, mas aquilo que se ouve. A primeira impressão é marcante, determinante e de grande efeito de memória. Por isso produtos investem tanto em embalagem, design e cores, por isso políticos se assessoram para definir fotos, roupas, sorrisos.

As técnicas de marketing fazem com as pessoas o que a contabilidade faz com os números, o que o artista faz com as tintas, o que o escritor faz com as palavras. Reescreve, organiza, informa, mas também pode mascarar, esconder, ocultar. Tudo depende de quem vê, de quem lê, de quem aprecia, muito mais do que de quem faz!

Enquanto a legislação eleitoral permitir que megaproduções cinematográficas possam ser usadas, enquanto o eleitor se anular e portar-se como telespectador, o show continuará acontecendo. Nossa necessidade de ouvir histórias, de nos vermos, empaticamente, contido nelas é determinante na escolha dos caminhos que constroem um candidato e sua plataforma.

No dia que o eleitor médio não tiver seu filho beijado por um candidato e não se magoar com isso, candidatos finalmente pararão com essa mania cínica de beijar crianças e velhinhos. O mesmo vale para as buchadas de bode e cachacinhas. Vamos combinar eles estão muito mais para Loiras e modelos, mignon e champagne.

O marketing não cria valores, ele os representa, os envoca, os destaca, os alinha. A sociedade reage aos estímulos que recebe, e somente estímulos desta sociedade são capazes de gerar reação. Assim o marketing é o efeito, nunca a causa. O marketing investe cuidadosamente em entender quais propostas tem ressonância nas caixas cranianas – sejam elas ocas ou recheadas – e conforme o público alvo ajusta a tonalidade e o compasso. Contrabaixos exigem caixas de ressonâncias grandes, capazes de ecoar graves, e violinos pequenas, adequadas aos agudos. Nesta métrica e cadência o discurso se ajusta, modulando ao que se quer ouvir.

A política no país do futuro ainda é um jogo da massa. Focada naqueles que não têm nada, e que sempre esperam que finalmente algo mude. Promessas infelizmente não dão cadeia neste país então, eleições são um esporte de promessas, aceitas por uma multidão composta, em sua grande parte, de pessoas sem capacidade crítica, incapazes de duvidar e focadas em seu próprio umbigo.

Culpar o marketing é dizer que o produto pulou para dentro do seu carrinho de supermercado. Ou que as compras vieram para sua bolsa na loja a sua revelia. A verdade é que cada povo tem o político que merece. Tiriricas e Josés Dirceus ainda terão muito espaço, enquanto as pessoas derem mais valor ao profissional de marketing do que a escola, o professor e a ética.

Vivemos em tempos de kinder Ovo, aonde o brinquedo é melhor que o chocolate. Rindo e famintos, assim caminhamos: me parece carnaval, copa do mundo…eleições generic for viagra. é tudo ovo da mesma galinha.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunicação.”

 

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