Visão 720 graus.

Art 652 - Visao sistemica

 

Ver é olhar à frente, enxergar é olhar para os lados e vislumbrar é olhar em todas as direções.

O profissional e empresa deste tempo precisa ter a capacidade de ver e se ver como alguém completo, capaz de reconhecer suas qualidades e seus defeitos, suas aptidões e suas limitações, potencializar tudo que tem de positivo e investir na redução de qualquer dano causado por vertentes negativas.

O mito de que ser bom, muito bom, em uma única direção é capaz de garantir prosperidade, é um grande erro. Todos conhecemos empresas e pessoas de grande aptidão unidirecional que seguem patinando e perdendo espaço para pessoas mais medianas, mais equilibradas. Quase todos que seguem focados em sua única qualidade e seguem apostando ser o suficiente, seguem num resultado de subsistência e de adiamento de prosperidade.

A verdadeira prosperidade advém da capacidade de deter pelo menos um ponto forte capaz de distingui-lo dos demais e a ausência de um ponto fraco capaz de jogá-lo na vala dos comuns e da presença de compreender o todo que o cerca.

O erro de autoavaliação acomete dos mais simples aos mais sofisticados temas, profissionais ou pessoas. Um serralheiro de sucesso precisa transcender sua vocação óbvia de ser bom em serralheria, e deve alcançar capacidade de gestão e de entender o que o cliente espera e não o que ele pede. Um bom professor precisa ter capacidade de compreender o que o aluno precisa, que comportamentos pode agregar a formação daquele aluno e não tão somente um conhecimento desconectado da realidade deste. O bom pai deve decidir com base no que é melhor para o filho e não o que é mais desejado pelo filho, sem a soberba de crer todo o tempo que sabe tudo.

Em todas as situações percebemos como o processo focado em resultado supera a vocação básica de realização de tarefa, assim como o serralheiro precisa saber mais que de solda, o professor mais que sua área de conhecimento e o pai mais que amor.

Um restaurante que acredita que o óbvio fato de fazer comida boa garantirá a si e aos seus prosperidade, esquece que assim como o ponto do sal, o ponto do preço, do serviço, do atendimento, do tempo de espera também pesarão no gosto do cliente de forma decisiva.

Vejo repetidamente muito bons executores de parte de processo que acreditam e insistem em limitarem-se em si, sem compreender que quem os cerca define sim o qual bom é, ou podemos dizer, o quão bom somos.

Encontrar equilíbrio, compreender que acima, abaixo, à frente e atrás, de um lado e de outro, todas as direções, tudo isso forma quem somos, o que fazemos e quem ou o que temos, compreender isso é compreender que somos aquilo que vemos, enxergamos, mas principalmente, o que vislumbramos.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.