O marketing é preconceituoso

Art 655 - O marketing é preconceituoso

 

Nada melhor para os negócios do que um pouco de preconceito. Preconceito ajuda a criar claramente ideias e posições sobre pessoas, grupos, targets…

Não há nada mais errado do que acreditar que somos todos iguais. Somos, para o consumo, todos diferentes, quando muito,  parecidos, mas em muitos momentos grupos totalmente diferentes e quanto mais diferentes, melhor para as estratégias de comunicação baseadas em nicho ou diferenciação, aquelas que se focam em partes, segmentos e grupos.

Não se espante, caro leitor, com a ideia de preconceito. Preconceito não é achar que um é melhor que o outro, isso se chama ignorância, presunção, soberba. Preconceito é uma predefinição a cerca de um grupo, algo que nos ajuda a definir comportamentos, respostas de vendas e resultados de mercado.

Acreditar que somos iguais é desperdiçar oportunidades de mercado que podem ser culturais, de produto, de serviço ou de marca. Grifes de skate e surf giram muito dinheiro, exatamente, porque insistem em fazer de seus usuários, fãs, e os tratam como diferentes de todo o resto da sociedade, apostando num conceito de estilo de vida e de pensamento contrário ao vigente. Pura encenação, não cabe discutir agora, mas que rende muito dinheiro é fato!

Acreditar que negros são iguais e outros grupos étnicos é desperdiçar oportunidades de produtos segmentados aos cabelos e pele negra, por exemplo. Acreditar que crianças são iguais a jovens ou adolescentes é ignorar uma gama de oportunidades que atingem não apenas as crianças com brinquedos, canais de TV e artigos em geral, mas as mães e avós babões que compram dezenas de produtos e serviços, em especial para o primeiro filho e neto, respectivamente.

Na criação de estratégias de mercado, é fundamental conseguirmos agrupar perfis em fatos que possam torna-los semelhantes, assim definir o conceito de quem nos interessa e como atingi-los. Quanto antes esses conceitos possam ser definidos melhores, e portanto o preconceito é ótimo para os negócios.

Agrupar, dividir, reagrupar, separar, juntar é um exercício fundamental para que as estratégias de marketing possa direcionar informações de forma precisa e, portanto, mais barata e mais  rápida.

Quando a propaganda fala de um detergente, foca principalmente em mulheres, apesar de sabermos que homens compram e usam detergente, mas não convenceria nenhum comprador ou compradora um galã de novela falando de detergente (como se precisasse ser especialista para vender detergente). Quando se quer vender fralda a figura de um pediatra ajuda nisso, e ninguém pensa se ele tem ou não filhos e mais, ninguém usa uma garota de 18 anos para vender fralda, apesar de ser potencialmente possível estar na sua segunda ou terceira gravidez. Tudo isso são demonstrações claras do quanto somos preconceituosos e como as estratégias de marketing reforçam esse modelos mentais ou arquétipos.

O uso de imagens e comportamentos que façam sentidos para nossa sociedade e seu tempo social são indispensáveis para que mais produtos sejam vendidos e, também, melhores vendidos.

Cores, sons, linguagem, aparência, idade, renda, ambiente tudo pode ser convertido em elementos que geram atração ou repulsão em uma comunicação. E acredite, repulsão vende, sempre que quero me distinguir de um grupo, isso vai ajudar muito. Uma música clássica e um funk mudam totalmente o foco da mensagem. Isso é puro preconceito.

Como podemos ver, as decisões de mercado são pautadas não pelo simples processo de com quem queremos falar, mas com quem precisamos e com quem não queremos também.

Entender o processo de construção de uma comunicação e de seus influenciadores e decisores é muito mais complexo e muito mais construído do que parece ser.

Ao que tudo indica o preconceito ainda vai ajudar a vender muito produto, marca e serviços, não apenas porque nós ainda vamos continuar acreditando que somente determinados personagens podem gerar confiança para decidirmos sobre as coisas que queremos, mas também porque nosso próprio preconceito nos fará acreditar que precisamos de determinados produtos, serviços ou marcas.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Política e Mercado

 

Art 654 - Política e Mercado

 

A capacidade de geração de negócios está diretamente atrelada à capacidade do estado (poder público) de nos deixar prosperar. É notório que o estado é incapaz de ajudar, seu histórico pífio em cuidar do que lhe é obrigação (como saúde, educação e segurança pública) demonstra, para qualquer leigo, sua limitação em gerir o que é de todos, e demonstra uma vocação irrefutável em tratá-la como se fosse de ninguém. Mas contrariamente a sua incapacidade de ajudar, possui imensa capacidade de atrapalhar empresas, pessoas, cidades etc.

Decisões de infraestrutura que demoram a se materializar e tem também em suas consequências efeitos de longo prazo, pavimentam um imenso rastro de prosperidade quando disponíveis e de enorme limitação quando não executados.

O poder público precisa de novos modelos de gestão, implementando índices quantitativos e qualitativos, metas e exigências curriculares, para seus colaboradores e uma visão muito mais profissional do que política. Precisa respeitar seu capital humano e reconhecer e recompensar quem atinge e responde a tais índices, ao invés de tratá-los quase sempre como máquina de manobra eleitoral.

Bairros, cidades, estados e o país não podem permanecer reféns de oportunistas, demagogos, corruptos e/ou bandidos como diariamente somos obrigados a nos deparar em cadeiras do executivo ou legislativo. O empresário, seja ele pequeno, médio ou grande, precisa de horizonte para investimento, precisa de redução de risco, precisa de espaço para trabalhar e trazer consigo uma legião de empregos, riqueza, serviços, oportunidades e impostos.

O estado precisa assumir seu lugar estratégico, não operacional, seu lugar de cuidar do interesse maior e não do seu. É impossível permitir crescimento com uma visão aonde o poder público, em sua quase totalidade, dedica-se ao seu interesse pessoal e político, deixando órfão a população pela a qual foi escolhido para representar.

O mundo crescerá 3,5% em média este ano, colegas do BRIC, como China e India, crescerão 7%, nós encolheremos 1%, numa terra aonde a riqueza mineral e vegetal brota quase espontaneamente e aonde a população cresce a taxas ainda bem acima do adequado.

Investir no Brasil é ainda um risco grande, para brasileiros quase sempre uma sentença, mas para o estrangeiro cada vez menos interessante, tudo isso muda o fluxo do dinheiro produtivo, restando apenas o especulativo, atraído por taxas de juros altas motivadas por um governo gastador e mal pagador, isso encarece seu pão, seu cinema, seu futuro.

E que fique claro, todos temos direito não apenas ao pão, mas ao lazer e a prosperidade, principalmente num país aonde políticos vivem como reis e gozam de fórum privilegiado para tudo, até para viver.

2015 começou difícil, deve ficar pior, não porque medidas inadequadas estão sendo tomadas, mas porque medidas necessárias foram postergadas em nome de uma eleição. Em meio aos interesses políticos, quem emprega, quem trabalha, quem sustenta a política, vai precisar trabalhar mais duro e ainda torcer para continuar podendo empregar e/ou trabalhar.

Ainda vai levar muito tempo para que a política entenda que ela trabalha para o país, enquanto isso, o país, o mercado e você, vai ter que continuar trabalhando para ela.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

Copo cheio ou copo vazio?

 

Art 653 - Copo cheio ou copo vazio

 

Há muita discussão sobre se o copo está cheio ou se o copo está vazio, e todos os desdobramentos sobre ser otimistas e pessimistas. O marketing é mesmo fascinante porque mais do que discutir teorias, usa muitas situações empíricas para determinar comportamentos e alterar resultados de vendas. Dizem que o pessimista diz sempre que está meio vazio, o otimista afirme sempre estar meio cheio e o oportunista bebe a água, marketing tem sede, muita sede!

Embalagem pequena, média ou grande!? Qual é o seu tamanho?

Vender um produto pode ser uma tarefa difícil, porque envolve dinheiro, sonhos, expectativas e, portanto, pode assumir uma realidade complexa, mesmo na venda de um produto simples.

Muito sobre nossa percepção de caro e barato é criado em uma perspectiva comparativa, ou seja, é relativa, e quase nunca absoluta. Assim quase nunca discutimos se é caro ou barato, mas sim se é vantajoso ou não. Nossa natureza competitiva e oportunista determina muitas decisões sobre nosso comportamento, ultrapassando os limites do racional e assumindo um cérebro primitivo, um comportamento simplório e bem egoísta.

É terrível nos depararmos com a perda do controle, mas a verdade é que muitas vezes não conseguimos decidir de forma tão pensada, mas sim por impulso. Há tempos a Coca-Cola lançou sua latinha pequenina para competir no mercado que “Guaravitas” criaram. A entrega de menos quantidade a menos preço, mudou hábitos. A iniciativa de uma minilata da Coca foi fruto de pesquisa que descobriu que as pessoas tinha um sentimento ruim ao final por não tomar todo o produto, gerando desperdício com o que ia para o lixo. Sua nova embalagem, quase miniatura, preenche o nicho de produto adequado ao baixo consumo. Tal comportamento foi alterado em função de uma nova comparação, lata versus copo de Guaravita, assim concluiu-se uma melhor opção, somos muito comparativos e muito focados em vantagem why not look here.

Diversos experimentos demonstram que nossa noção de melhor preço não é nem de longe o menor, mas o que demonstra maior vantagem, mesmo que não usufruamos de tudo isso ao final, pela simples razão pela qual o nosso cérebro não pensa tão a frente diante de decisões aparentemente de menor importância.

O famoso copo médio foi a melhor invenção para comprarmos o tamanho grande. Ninguém inventou o copo médio para fazer dele uma solução focada no produto em si, mas sim para distrair e induzir sua tomada de decisão no caminho de fazer você escolher o tamanho grande, pela simples aproximação de preço. Quando você tem o pequeno custando 5$, o grande custando 10$, sua escolha fica entre o pequeno e grande e começa uma conta interna definindo a escolha, mas quando entra o copo médio a 8.5$, sua escolha fica evidente no copo grande a 10$, afinal é muito mais por quase nada a mais.

Assim, nossas escolhas são induzidas todo o tempo, limitando cores, tamanhos e formatos, para que você possa ter a opção de escolha, e a satisfatória decisão de ter tomado a melhor decisão. É como comer pizza em lugares aonde há 50 sabores. Escolhemos dois e ficamos com a sensação de que outros 30 sabores, dos 48 restantes, podiam ter sido mais satisfatórios, e terminamos por nos frustrar. Quando existem 10, você sabe exatamente os sabores que não quer e consegue escolher os dois melhores sem ficar tenso ou frustrado durante este processo.

Como se vê o copo estar cheio ou não, é o que menos importa, o mais importante é que tenhamos sede compatível com a quantidade de água no copo. E essa sede, pode ser conduzida de forma sutil ao limite exato dos mililitros disponíveis, sem que quase ninguém perceba, assim você estará sempre satisfeito e o copo sempre disponível. E aí, está com sede!?

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

Visão 720 graus.

Art 652 - Visao sistemica

 

Ver é olhar à frente, enxergar é olhar para os lados e vislumbrar é olhar em todas as direções.

O profissional e empresa deste tempo precisa ter a capacidade de ver e se ver como alguém completo, capaz de reconhecer suas qualidades e seus defeitos, suas aptidões e suas limitações, potencializar tudo que tem de positivo e investir na redução de qualquer dano causado por vertentes negativas.

O mito de que ser bom, muito bom, em uma única direção é capaz de garantir prosperidade, é um grande erro. Todos conhecemos empresas e pessoas de grande aptidão unidirecional que seguem patinando e perdendo espaço para pessoas mais medianas, mais equilibradas. Quase todos que seguem focados em sua única qualidade e seguem apostando ser o suficiente, seguem num resultado de subsistência e de adiamento de prosperidade.

A verdadeira prosperidade advém da capacidade de deter pelo menos um ponto forte capaz de distingui-lo dos demais e a ausência de um ponto fraco capaz de jogá-lo na vala dos comuns e da presença de compreender o todo que o cerca.

O erro de autoavaliação acomete dos mais simples aos mais sofisticados temas, profissionais ou pessoas. Um serralheiro de sucesso precisa transcender sua vocação óbvia de ser bom em serralheria, e deve alcançar capacidade de gestão e de entender o que o cliente espera e não o que ele pede. Um bom professor precisa ter capacidade de compreender o que o aluno precisa, que comportamentos pode agregar a formação daquele aluno e não tão somente um conhecimento desconectado da realidade deste. O bom pai deve decidir com base no que é melhor para o filho e não o que é mais desejado pelo filho, sem a soberba de crer todo o tempo que sabe tudo.

Em todas as situações percebemos como o processo focado em resultado supera a vocação básica de realização de tarefa, assim como o serralheiro precisa saber mais que de solda, o professor mais que sua área de conhecimento e o pai mais que amor.

Um restaurante que acredita que o óbvio fato de fazer comida boa garantirá a si e aos seus prosperidade, esquece que assim como o ponto do sal, o ponto do preço, do serviço, do atendimento, do tempo de espera também pesarão no gosto do cliente de forma decisiva.

Vejo repetidamente muito bons executores de parte de processo que acreditam e insistem em limitarem-se em si, sem compreender que quem os cerca define sim o qual bom é, ou podemos dizer, o quão bom somos.

Encontrar equilíbrio, compreender que acima, abaixo, à frente e atrás, de um lado e de outro, todas as direções, tudo isso forma quem somos, o que fazemos e quem ou o que temos, compreender isso é compreender que somos aquilo que vemos, enxergamos, mas principalmente, o que vislumbramos.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

 

O complicado é que é melhor!

 

Art 650 - O complicado eh melhor
Normalmente quando alguém é perguntado sobre o que é melhor: fazer algo simples ou algo complicado? Ouço sempre a resposta: Simples! A resposta vem em tom entusiasmado e convicto. Todos querem um lugar ao sol, com filtro solar, água de coco e mar calmo.

O grande problema do simples, do fácil, do básico é que qualquer um, dotado ou não de neurônios funcionais, comprometido ou não, é capaz de realizar, e aí, o óbvio vira barato, pois o critério de escolha de quem realizará tal tarefa óbvia é o preço.

Nesta lógica, empresas, prestadores de serviço, colaboradores todos querem apenas fazer o que é simples, ficando uma imensa lacuna no mercado de quem resolva o que é complicado.

Sou um apreciador de vinho, nenhum enólogo, mas gosto de vinho, e por diversas vezes tentei comprar vinho em lojas por aqui, sempre escolhendo e solicitando entrega, e sempre ouvi de três lojas que a entrega é complicada, pois existem riscos, assim, assumo que desisti, achei uma empresa que ama o complicado e faz dele algo simples. Compro pela internet com preços por vezes mais baixos e com entrega em 7 dias na minha casa, com direito a brinde e dicas de consumo. Como uma cidade tão pequena e segura, comparada às cidades de porte semelhante ou de porte maior, pode considerar a entrega algo difícil? É inércia do simples, do óbvio. Erra quem acha que é custo, pois processos que se originam no cliente, são puro investimento, além de ser diferenciação da concorrência.

Considerando a possibilidade de que você, leitor, gosta, simpatiza, aprecia e se interessa em ganhar dinheiro, é preciso dedicar-se ao complexo, ao difícil, ao risco, ao improvável e, principalmente, desenvolver formas de torná-lo simples e rentável. O óbvio não pode mais ser reinventado, além de possível de ser executado por qualquer um, não há mais como ganhar dinheiro com o óbvio.

Vencida a crença de que não é possível prosperar na simplicidade, o caminho para prosperar é aquele que se choca e se vive com a dificuldade! Assim, clientes exigentes são excelentes, lideranças e mercados exigentes também, pois nestes há a chance de fazer algo que ninguém mais pode fazer, ou de uma forma que ninguém mais pode realizar, ou num prazo que ninguém mais pode executar e num preço (mais alto) que todos desejariam realizar.

A criação de valor é um caminho inquestionável para isso. Tal valor pode ser intrínseco a marca, a emoção, a vivência, a crença, ou simplesmente a execução!

Assusta-me toda vez que alguém que vende algo, fabrica algo, serve algo diz que não pode fazer diferente, ao invés de apegar-se a oportunidade e precificar de forma diferente e aproximar-se de forma marcante do seu cliente. A insistência no simples que já é simples é persistir no pouco dinheiro vocacionado a nenhum.

Sempre que algo tange ao comparável, o critério de desempate é diretamente relacionado a preço, se faço a mesma coisa, da mesma forma (aos olhos do cliente, sem gerar valor a ele), meu cliente escolherá por preço, e quem vende preço, não ganha dinheiro, não é capaz de inovar, melhorar, prosperar…

Da próxima vez que alguém falar, ou mesmo que você pressentir, que há algo difícil a ser realizado, grite e assuma pra si, pense em quanto estará se diferenciando e quanto de dinheiro isso pode trazer, o complicado sempre será melhor!

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

Me arruma um emprego aí?

 

Art 649 - Me arruma um emprego aí

 

O Brasil promete mais um pífio crescimento, bem abaixo da necessidade mínima capaz de manter o crescimento vegetativo da população, ou seja, o número total de brasileiros aumenta em ritmo superior ao crescimento do país (ano após ano) e isso leva ao consequente aumento do desemprego. Desde 2002 o governo mudou o índice de desemprego no país e só considera quem procura emprego como um desempregado, ignorando a legião de pessoas sem esperança ou vivendo de renda suplementar como bolsa qualquer coisa.

A conta do problema é simples, a cada ano a população segue crescendo a taxas próximas a 2% e a economia flertando com zero por cento.

O excesso de mão de obra altera as forças no mercado, assim cada vez mais a pressão sobre quarentões é maior, ou seja, a experiência é substituída por mão de obra mais barata e por vezes mais disposta. A pressão se agrava com a idade, cinquentões e sessentões sofrem ainda mais com isso, principalmente com leis trabalhistas que punem o emprego e oneram a contratação.

Dentro desta matriz familiar, pais sem emprego reduzem o horizonte de seus filhos, e isso sacrifica não apenas o hoje, mas o amanhã também. Numa estrutura aonde filhos saem de casa cada vez mais tarde e aonde avós são cada vez mais elos que sustentam famílias, a perda do emprego pune mais que uma geração.

Os modelos de negócios espremem cada vez mais os níveis hierárquicos nas empresas, obrigando aos profissionais a alçarem novas funções sem níveis intermediários os quais ensinam e treinam. Este mesmo modelo segue também reduzindo a quantidade de pessoas. Assim cada vez mais existem menos pessoas, que trabalham mais e ganham menos. Sem muitos níveis e sem muitas pessoas, quem está dentro cada vez mais corre o risco de estar fora, pois errar é cada vez menos aceitável e cada vez mais provável.

A redução do emprego e da renda traz alterações no mercado, desde o nível de poupança, ao perfil de consumo. Tudo muda. Quem fabrica, vende, anuncia, presta serviço precisa cada vez mais estar atento às mudanças no comportamento do cliente, no seu modo de escolha, pagamento, local de entrega etc.

A crise do emprego está só começando, sem uma intervenção do governo federal, o dólar no curto prazo continuará subindo e isso irá ampliar o aumento de preços, e consequentemente reduzindo consumo; este se debruçará sobre o mercado e quando se vende menos, sabidamente, se emprega menos, e numa espiral viciada, quanto menos se emprega, menos se vende…

O emprego está entrando em crise. Entender isso significa que muitos consumidores estão e vão mudar seus hábitos de consumo, deixando para amanhã o que poderia comprar hoje, vislumbrando a possibilidade de riscos, e ao fazerem isso antecipam os problemas, e numa profecia autorrealizadora, o consumo cai, a inflação sobe e o emprego diminui.

2015 será um ano diferente. Um ano que promete peneirar quem fica e quem sai, quem prospera e quem diminui. 2015 já começou e, seus problemas e oportunidades estão se apresentando, enquanto não conhecemos toda sua complexidade, segue a sugestão: cuide do seu emprego.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

Meio ambiente é um erro!

 

Art 648 - Meio Ambiente e mercado

 

Muito se fala sobre proteger bichinhos e plantinhas, o “meio ambiente” cada vez mais ganha notoriedade e pessoas e empresas cada vez mais esbarram em permissões e relatórios ambientais. Que fique claro: é indispensável proteger bichinhos, plantinhas e sistemas ambientais, mas igualmente é indispensável, proteger a vida e a economia, geradora de riqueza, saúde e educação, entre ela, a ambiental.

A visão ainda é de meio ambiente, ou seja, não se vê ainda o ambiente como um todo, que inclui numa mesma arca (tipo de Noé) bichos, plantas, pessoas, sistemas econômicos e a própria cultura, e é preciso tempo para alterá-la.

Todo grande projeto inclui hoje um RIMA, relatório de impacto ambiental, sempre focado no impacto sobre flora e fauna, quase nunca o mesmo trata um severo e importante dano ambiental: o ser humano. Os projetos quase sempre são vitimas do dos relatórios que pensam pouco em compensações e limitam o desenvolvimento sem considerar que pessoas empobrecidas e/ou famintas são um grande dano ao ambiente.

A visão de meio ambiente parece colocar em uma metade bichos e plantas e na outra metade as pessoas. É preciso uma visão mais holística, mais 360 graus e compreender que perpetuar as espécies, e isso inclui micos, samambaias e pessoas, é o caminho, aliás o único caminho.

É fato que o planeta sem o homem é mais bonito, e o homem sem o planeta não é nada, então que fique claro que preservar é indispensável, mas desenvolver também é.

Temos em nosso vizinho o COMPERJ, projeto que prometia grande desenvolvimento econômico e social, e trouxe uma legião de empreendedores, trabalhadores, sonhadores e oportunistas e como um castelo de cartas, foi destruído e reinventado deixando a míngua muitas pessoas, projetos e sonhos, e literalmente deixando filhos, periferia e pobreza no rastro de seu nascimento e morte. Muitos que vieram com o sonho de enriquecer, rondam a periferia sem dinheiro para voltar para casa ou abraçar novo sonho… Uma visão mais completa deveria tratar isso também. Temos micos protegidos e sonhos “micados”…

Grandes projetos não definem políticas para as pessoas. Ainda se pensa o meio ambiente, meio no sentido de metade, e não de modo. Os grandes projetos deveriam dar conta e exigências nos quesitos ligados, não somente ao saneamento básico, coleta de lixo, fauna e flora, mas também hospitais, escolas, distritos comerciais, habitação e planos de desenvolvimento social e econômico, exigindo inclusive lastros financeiros, evitando irresponsabilidades como essa do COMPERJ.

Durante a história de nossos ancestrais a visão unilateral do homem causou imensa perda à fauna e flora, e agora a legislação visa corrigir todos os danos com leis fortes e necessárias, mas com o mesmo erro que conduziu o homem até hoje – a unilateralidade. Agora focada no meio ambiente frente ao desenvolvimento econômico sildenafil citrate generic. É preciso equilíbrio, o mercado não consegue se adaptar tão rapidamente a mudanças tão profundas e consumidores, empreendedores perdem e consequentemente o meio ambiente também. É indispensável vermos tudo como um só ambiente: plantas, bichos, pessoas, mercados e cultura. Todos precisam ceder e encontrar harmonia. Não tem outro meio, não cabe mais meio. Agora é tudo ou nada!

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da TargetComunica.

 

Mídia e Marketing.

 

Art 648 - Midia e drogas

 

A mídia é o quarto poder, não necessariamente em ordem valor. Sua capacidade de preservar ou expor os agentes públicos ou privados em determinados lugares do mundo ou da história dá a ela a posição líder em diversos momentos. Não à toa a mídia é imediatamente cerceada no caso de um governo ditador, afinal manter a opinião pública ou do público que assiste passivamente o mundo girar é determinante para fazê-lo ir a velocidade e direção adequadas aos interesses do poder.

Dois fatos curiosos na mídia chamaram a atenção nas últimas semanas. A visibilidade dada ao Estado Islâmico, com suas atrocidades e recrutamento. Não que o que eles façam não importe ou não impacte sobre todos nós, mas pelo fato de exibirem as imagens tão inadequadas e tão desejadas pelo próprio Estado Islâmico e pela imensa visibilidade dada aos jovens recrutados. Tudo que eles querem é que o mundo assista as estas cenas bárbaras e os jovens desejam é essa notoriedade, assim o que a mídia faz é exatamente reproduzir e propagar tudo isso. Desta forma a dedicação da mídia em cobrir o que é bruto, selvagem, chocante é a motivação para a perpetuação da maldade e da covardia ou para o êxodo de jovens que já chega a 3mil europeus. Claro que seria também covarde culpar a mídia de forma unilateral, ela sempre exibe o que o público quer ver, saborear…

Outro fato curioso que a mídia andou saboreando foi a execução de brasileiros na indonésia. No Brasil morrem diariamente mais de 90 brasileiros por morte violenta, em sua maioria por tiros, tiros mais covardes, sem julgamento e sem glamour de uma viagem internacional. A mas dá a um camarada, que resolve ficar rico da noite para o dia, viajando para um país aonde sabidamente tem leis absolutamente duras contra o tráfico de drogas (porque não quer que suas crianças e jovens pobres se matem ou morram por causa da diversão de jovens e adultos ricos), é pego, julgado e condenado e a mídia o trata como vítima. Não foi uma decisão de impulso, foi algo altamente premeditado, havia riscos e eram conhecidos.

A mídia deu tanta visibilidade a isso que chegou a gerar um incidente diplomático, uma vez que a nossa presidente se recusou a receber as credenciais do novo embaixador da Indonésia no Brasil e agora a Indonésia ameaça não comprar mais os aviões da Embraer, um dos poucos bolsões de excelência neste país, tudo porque um traficante foi preso, julgado e será executado, como tantos outros já foram na Indonésia.

Será que é certo movimentar tanto esforço por quem voluntariamente entope sua prancha de surf de drogas e pega um avião? Será que certo ignorar tantos que por absoluto descaso das políticas públicas tem seus filhos forcados a flertar com o tráfico em favelas e comunidades aonde o poder público não entra, ou seria melhor dizer, não dropa, toma caixote e afoga-se!?

O fato é que a mídia está sempre escolhendo o assunto do momento e quem assiste parece ficar sempre passivamente recebendo o menu de assuntos, sem medir interesses e sem medir a moral, a ética, a lógica e outros parâmetros por onde o pensamento deveria ser construído e reconstruído.

O fato é que o pensamento não interessa a mídia em geral e principalmente aos outros três poderes, assim temas superfulos ou contraditórios poderão ser escolhidos a esmo e transformados em relevantes; assuntos desconexos com nossa realidade se tornam importantes e os realmente importantes se aproximam do desconexo. Enquanto falamos de superficialidades o que importa segue sem solução, enquanto assistimos e reapresentamos o mar manchado de sangue, o mal se repetirá e seguiremos emprestando atenção a este mal, enquanto traficantes disfarçados de surfistas posam de vítimas, seguem morrendo uma legião de anônimos e desamparados sem prancha de surf e sem passaporte.

Quem acredita que a mídia representa sempre a opinião pública, precisa entender que via de regra ela cria e dirige a opinião do público.

Muita informação que circula por aí vem com interesses específicos e duvidar disso fortalece a prática de uma mídia desfocada, acreditar em tudo que se vê, ouve ou lê é continuarmos comprando droga a achando que só o traficante está errado.

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunica.

 

 

 

Pão, Circo e Samba.

Art 647 -Carnaval no mercado

 

O carnaval é um espetáculo. Indiscutivelmente uma festa que passa por nossa cultura, nossa alegria, nossa maneira de viver.

O carnaval é a nossa Las Vegas, é uma Disneylândia de gente grande com roupa pequena, bem tropicalizada. É o momento em que tudo é alegria, tudo é mágico e tudo tem brilho, luz e vida.

Mas o carnaval atende, e bem, a uma repetida, antiga e ainda, eficiente prática: a de distrair a todos sobre o que realmente está a nossa volta.

Roma sempre usou o pão e o circo para manter os súditos dos Césares distraídos e felizes, e sua eficácia é indiscutível, pois só isso explica que dois mil anos depois o estado permaneça incompetente, ausente em tantas áreas básicas e obrigatórias, mas sempre com verbas disponíveis para o carnaval, e outras lonas e luzes.

Milhares de prefeituras têm suas escolas e saúde, o mais básico de tudo, absolutamente abaixo do nível mínimo aceitável, mas têm em suas festas momentos de riqueza e esplendor. É uma grande distração para o contribuinte ou como prefiro pensar: consumidor.

O estado trata seu consumidor como pais irresponsáveis fazem com seus filhos, com filhos sem futuro. Enchem, a cada um de nós, de balas e biscoitos, nos deixam jogar bola, dormir tarde e não nos obriga a estudar.

Somos consumidores que recebemos apenas o que faz de hoje um bom dia, mas nada que permita que o amanhã possa ser melhor.

Nesta política de pão e circo, o carnaval se traveste de picadeiro, e ao terminar de foliões nos fantasiamos em palhaços, mais precisamente em Pierrôs: pobres, choramingando, vestido por sacos de farinha e vítima das piadas. Que se entenda, folião é a nossa fantasia em todo carnaval, porque somos o resto do ano Pierrôs, sem colombina, traídos por arlequins no melhor estilo da Commedia dellArte, marcada sempre pelos improvisos.

Nesta política superficial focada em distrair quem não critica, e iludir quem tem bom senso, nosso mercado de consumo retrai, o empreendedor perde, o planejamento sofre e o futuro samba, literalmente.

De sexta-feira a quarta-feira o Brasil que produz para. O Brasil que sonha, dorme acordado e o Brasil que consome acordará mais pobre, menos consumidor e menos capaz de alcançar seu futuro.

Para um ano que ainda não começou muita coisa já mudou. Mudou em promessas de uma recente eleição, mudou no nível dos reservatórios, na constância da luz.

Para quem vende caixa d’água, para um ano que ainda não começou, ele promete riqueza, para quem vende bomba de alta pressão, reza para o carnaval não terminar.

Entre caixas d’águas cheias e vazias, o pão vai rolar, ainda que com pouca água na massa ou mesmo um pouco cru, já que o forno elétrico anda desligando mais cedo, mas quem se importa de verdade, esta semana tem circo…É carnaval!

 

 

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunica.

 

Darwin é seu cliente!

Art 646 -Darwin é seu cliente

Não é mais forte. Não é o mais inteligente. Mas, somente o mais bem adaptado que sobrevive.
Neste ritmo 2015 será um grande seletor de espécies na indústria, comércio e serviço. Seu consumidor embora não tenha barba grande, nem jeitão de cientista, tem grande poder de mutação e uma natureza bem agressiva quando assunto é selecionar o que lhe interessa.
Comumente em consultoria ouço clientes dizendo que não é compreendido por seus consumidores, a má notícia é que jamais seremos. Quem compra, não compreende a si mesmo, por vezes, e nunca, a quem vende. É da prerrogativa de quem compra olhar com distinção ao seu próprio umbigo e com descaso a quem vende.
2015 começa com as despesas de sempre, adicionado ao racionamento de água, sobretarifa de energia, aumento dos combustíveis, aumento de impostos em diversos segmentos como bebidas, cosméticos e combustíveis (novamente), rombo nas contas públicas e nenhuma vontade de gastar melhor o seu suado dinheiro arrecadado nos impostos, assim seu negócio, emprego e oportunidade estão ameaçados e precisam se adaptar.
Gestão, relacionamento com cliente, fornecedores, recall de marca, capacidade de ofertar ao tempo certo, ao preço adequado, no lugar preferido, o item desejado com o servido esperado é sua grande chance de não ter um ano ruim.
Estamos só. Sem planejamento macro que ajude, sem uma economia forte. Quem tem a companhia de seus clientes fieis, viverá o ano melhor, quem não os tem, é bom buscar isso rápido, e vale ainda uma figa para economia mundial seguir bem, pois se o mundo espirrar teremos pneumonia, sem sequer médicos cubanos para nos tratar.
A palavra de ordem não é inovação, não é tradição, mas sim adaptação. Vamos precisar nos adaptar. Adaptar não é mudar sua essência, mas pode ser, adaptar não é mudar de cliente, mas pode ser, adaptar não mudar o resultado, mas pode ser. O que dificilmente acontecerá em 2015, será a sua capacidade ou mesmo possibilidade de manter tudo como estava.
O consumidor vai mudar mais que o normal, pois seu cinto está sendo apertado pelo governo, seus desejos impulsionados pela publicidade e sua autoestima derrubada, afinal andar para trás não alegra ninguém. Neste cenário prevalecerá a natureza mutante do consumidor. Uns vão deixar de comprar picanha, mas manterão o churrasco com carnes menos nobres, outros deixarão de comprar roupa para manter sua picanha, e haverá aqueles que cancelarão o churrasco para comprar a roupa. Mas não se engane, inevitavelmente, há quem perderá o poder de fazer churrasco e comprar roupa, pois sem emprego tudo fica impossível.
Adapte sua empresa, seja ela qual for, a 2015 ou corra o risco de não estar disponível em 2016. É sabido que não se alcança o progresso sem mudança, mas neste caso pode ser que a mudança seja apenas para regular o tamanho do seu regresso.
Imagino Darwin vendo tudo isso, coçando sua imensa barba sugeriria: Adapte-se a este novo mundo. Ainda que não seja para ganhar asas que seja ao menos para não perder seus pés, porque o seu chão já tiraram.

“Roberto Mendes é publicitário, especialista em marketing pelo Instituto de Administração e Gerência da PUC/RJ, pós-graduado em Engenharia Ambiental, professor titular da Universidade Candido Mendes e sócio da Target Comunica.”